18/11/2005

Equador: Segundo Dia

Não quero ser chato, mas vou começar hoje, e me desculpem o palavrão, falando de "política". A situação aqui no Equador é verdadeiramente tensa. Eles ainda não tem presidente, e existe uma vontade geral de toda a população em escolher novos representantes em 2006 que limpem toda a corrupção do país. Outro problema daqui é que os empresários querem que o país entre para a ALCA, e a população faz manifestações anti-ALCA e anti-EUA quase todo dia. Esta era uma das impressões equivocadas que eu mesmo tinha deste país, pois aqui as pessoas são bastante argutas e pouco alienadas. Todos se preocupam com o estado da nação e em conservar a cidade. Um bom exemplo é que a Universidad Central de Quito é a terceira melhor de toda a américa latina.

Agora sem chatices. Não vou mencionar os detalhes do trabalho pois considero isso bastante anti-ético. Posso dizer que são todos muito simpáticos, me tratam muito bem e fazem perguntas sobre o Rio de Janeiro e o Brasil o tempo todo. Os equatorianos são tão fanáticos por futebol quanto os brasileiros, e estão muito empolgados com o fatos de que vão jogar sua segunda Copa do Mundo. Ontem na hora do almoço fui ao shopping com o Rafa, que é o meu ciccerone por essas bandas. Acabei comprando um agasalho para o frio danado que está fazendo e uma camisa do Nacional de Quito, um dos maiores times do país - só perde em torcida para o Barcelona de Guayaquil, que é uma espécie de Flamengo equatoriano.

A comida continua muito boa. Praticamente tudo o que eles fazem aqui é acompanhado de milho e batatas, o que não é de se surpreender, visto que a cultura Inca é a base do país. Eles adoram frutos do mar, e os mariscos, peixes e camarões daqui são deliciosos. A maior parte da população é composta por mestiços, mas ainda há muitas tribos de índios espalhadas pelo país. Amanhã visitarei a cidade onde fica o marco da linha do Equador, e é também onde vive uma tribo que faz artesanato tradicional.

Ontem, depois do trabalho, fui jogar sinuca com o pessoal. Bem, na verdade não era "sinuca", e sim um jogo chamado "Bajas y Altas". Na mesa são postas bolas numeradas de um a quinze - uma das duplas tem que matar as bolas de um a sete, a outra as bolas de nove a quinze. Quem limpar suas respectivas bolas pode matar a oito, e então ganhar o jogo. Mas se você mata a oito antes de limpar suas bolas, perde o jogo.

O fato é, e eu nunca pensei que diria isso, aqui no Equador virei um "super-jogador" de sinuca. Minha grande deficiência no jogo sempre foi matar as bolas, e minha especialidade sair de situações complicadas e colocar o adversário nelas. Mas ontem, quando dei minha primeira tacada, matei uma bola que poderia ser considerada difícil. Achei estranho e inspecionei as caçapas - suas bocas eram cerca de cinco centímetros mais largas que as bocas de caçapas de mesas do Brasil! Então entendi que seria fácil matar as bolas, e portanto joguei muito bem, sem falsas modéstias. Eu a Rafa ganhamos onze partidas, e a outra dupla apenas uma. Acho que nunca mais vou conseguir jogar sinuca no Brasil, eu quero uma mesa equatoriana!

Depois descobri outra paixão dos Equatorianos - karaokê. Cantei "Bohemian Rhapsody" e "You Give Love a Bad Name", foi legal. Mas aparentemente todo mundo aqui gosta de música brega. Todas as músicas são canções de amor, de dor-de-cotovelo, dor-de-corno, e coisas do gênero, do tipo que você espreme e saem lágrimas. Eles adoram. Eles cantam a plenos pulmões e se divertem com isso, independente de idade - jovens e velhos. Realmente impressionante.

Além disso, descobri que aqui praticamente só se bebe duas cervejas: Pilsener e Brahma! Fala sério, eu não vim ao Equador para beber Brahma. O resto do pessoal achou engraçado que eu falasse tão mal da Brahma, eles achavam que era a melhor cerveja do Brasil. Todavia, me recomendaram fortemente a Pilsener, e eu aceitei. É uma das melhores cervejas que já provei, leve e encorpada, lembra bastante a minha favorita Miller.

Ontem foi tudo. Hoje a amanhã tenho muitas coisas programadas, mas não vou ficar adiantando aqui pois não sou bobo. O grande segredo da boa estória é manter o leitor preso, querendo saber o próximo passo. Hasta luego.

16/11/2005

Ecuador: Primeiro Dia

Acordei bem cedo, para não chegar atrasado ao aeroporto do Galeão. Lá, encontrei com dois amigos que não via há bastante tempo, e finalmente consegui embarcar. O primeiro avião, trajeto Rio x São Paulo x Bogotá era um luxuoso 767, e para mostrar que finalmente a maré de azar estava chegando a um fim, o lugar ao meu lado ficou vazio, o que me garantiu uma bela viagem com vista de janela. Tinha me esquecido de como é bom voar, mas admito que depois da sensação gostosa da aceleração após a decolagem, o mais engraçado é ver as pessoas desesperadas e rezando para tudo dar certo, apesar de você ter mais chances de sofrer um acidente dirigindo um carro ou simplesmente andando na rua. O avião é mais seguro no ar do que todo o resto na terra. Eu sei que achar esse tipo de medo é uma coisa feia, mas quem disse que eu sou perfeito?

A viagem foi bastante longa, saindo do Rio às 9 da manhã e chegando em Bogotá às 5:30 da tarde (horário de Brasília). Apesar disso, confortável: vi um filminho legal sobre um time de baseball com garotos que não sabem jogar, e que tem um treinador fracassado bêbado. Já posso contar nos dedos das mãos e dos pés quantas vezes vi filmes parecidos com esses, e devo confessar: eu adoro eles! Tirando isso, terminei de ler meu exemplar de "O Triumfo de Sharpe", do Bernard Cornwell. Mas o tempo todo, estava uma verdadeira pilha de nervos, e vou explicar o motivo.

Para chegar ao Equador, é necessário passar pela Colômbia. Para entrar na Colômbia, é necessário apresentar um certificado de vacinação contra a febre amarela. Eu tomei a vacina na segunda-feira, e ela só passa a ter validade dez dias depois. Antes de viajar me consultei com pessoas do ramo, e todas disseram que eu só seria barrado na Colômbia caso tivesse muito, mas muito azar mesmo. E hoje eu estava achando que teria esse tipo de azar.

Cheguei à Colômbia. Confesso que foi um alívio me ver livre do grupo de senhoras da terceira idade que estava no meu avião - um monte de velhinhas enjoadas que empurravam todo mundo e eram super-grossas. Fui passar pelo detector de metais, a guarda feminina pediu que eu tirasse meu cinto. Podem não acreditar, mas eu fiquei envergonhado - nunca tinha tirado o cinto da minha calça em público! Depois a revista à bolsa do laptop foi longa e cuidadosa. Ela foi revistada duas vezes, e em ambas foi aberta, tudo foi retirado, e os guardas procuraram por bolsos falsos.

Mas ninguém pediu pra ver o maldito certificado de vacinação.

Com um sorriso de orelha-a-orelha, similar ao do Dustin Hoffman no final de "A Primeira Noite de um Homem", fui aguardar o embarque para o vôo de translado para Quito. Duas horas depois, entrei num 757 pequeno, quente, apertado, e caindo aos pedaços. Pelo menos o serviço de bordo era bom, e tinha uma composta colombiana feita com mamão que era uma delícia. Mais algumas horas, chego ao Equador, e já eram 7:30 horas da noite, 22:30 no horário de Brasília.

Um operador da minha empresa veio me buscar de carro. Me trouxe até o hotel e viemos conversando bastante, o cara é gente fina mesmo. Achei interessante que Quito se parece muito com a zona norte do Rio de Janeiro, só que limpa. Aqui também está fazendo frio, pois a cidade é alta - um clima maravilhoso, parecido com Petrópolis ou Itaipava no momento. Imagino que no inverno seja bem pior. Cheguei ao hotel onde fui muito bem recebido, estou num lugar muito simpático no qual as pessoas te tratam bem, sem ficar correndo atrás de você e babando seu ovo toda vez que você abre a boca.

Jantei assistindo o primeiro tempo de um jogo de futebol local (Deportivo Cuenca x Liga Deportiva Universitaria de Quito) com o garçom e o chef. Ambos devem ser mais novos que eu. O gerente obviamente é mais velho, e a simpatia em pessoa. Gafe do dia: o garçom chega pra mim e pergunta: "Qual es su habitación, ¿cavallero?" e eu de bate-pronto solto: "Rio de Janeiro, Brasil". Então ele diz: "No señor, habitación para la conta". Como diabos eu ia descobrir que "habitación" significa "quarto"?

Meu quarto é grande, confortável, e finalmente tirei uma dúvida que me inquietava há tempos. Todos sabemos que no hemisfério sul a água escorre pelo ralo em sentido horário, e no hemisfério norte em sentido anti-horário. Mas e na linha do Equador? Estou precisamente numa cidade que divide os dois hemisférios, e sempre imaginei em qual sentido a porcaria da água escorreria.

Quem nunca pensou nisso, ora bolas?

Poderia ser um dos grandes mistérios da humanidade.

Tchan-tchan-tchan-tchan...

Sentido anti-horário. Amanhã tem mais.

14/11/2005

Equador: Pré-Viagem

OK, você venceu Murphy. Preparar uma viagem ao exterior é um porre, mesmo sendo através da empresa, e você tendo o suporte teórico de algumas pessoas. É muita coisa para se pensar ao mesmo tempo, e nem todo mundo parecer ser capaz de entender que sua cabeça está funcionando a mil por hora - o que me lembra, eu a-do-ro pessoas compreensivas e pacientes. Pontos negativos da pré-viagem:

- Correr por todo o aeroporto internacional do Galeão procurando os lugares;
- Descobrir que o posto de saúde só abre daqui a quatro horas;
- Agendar a passagem com a atendente grossa da agência de viagens;
- Tomar vacina contra febre amarela com a enfermeira tarada de meia-idade;
- Tentar trocar dólares no Banco do Brasil e descobrir que você precisa da passagem para tal;
- Esperar horas num saguão gelado, assistindo "Junior" na televisão, enquanto sua passagem não chega;
- Descobrir que você tem um cadastro no Banco do Brasil, feito oito anos atrás, e que não permite que você faça transações, a menos que seja apresentado um comprovante de residência, por exemplo, a conta de telefone que você deixa na sua casa a duzentos quilômetros de distância do aeroporto.

Pontos positivos:

- Conseguir o certificado de vacinação sem ser atacado pela enfermeira;
- Conseguir a passagem sem brigar com a atendente da agência de viagens;
- Falar pro caixa do Banco do Brasil que você nunca mais pisará numa agência deles;
- Conseguir os dólares noutro banco mais simpático e com taxas melhores;
- Deixar os dólares no cofre do hotel (é uma sensação aliviante).

E o que é necessário para atingir tantos objetivos?

- Simular um jeito meio afeminado de falar com a enfermeira;
- Deixar que outro atendente da agência de viagens brigue com a atendente grossa;
- Ser cidadão brasileiro e consciente que o Banco do Brasil é uma merda;
- Andar o aeroporto internacional inteiro (literalmente), de ponta a ponta, até achar um banco de câmbio aberto;
- Bom senso para cuidar bem do dinheiro da sua empresa.

Enfim, por enquanto é isso. Mais notícias de "El Barto en Ecuador" a partir de quarta-feira, talvez. Isso se eu tiver tempo para respirar, o que é meio improvável.

31/10/2005

Crônica Aleatória: "Na Ponta da Faca"

- Você está certa que é esse aí?
- HuM-hUm, - respondeu a garota de cabelos multi-coloridos - EsSe MeSmO.

Sonho não costumava confiar no juízo inexistente de sua irmã, mas aparentemente havia algo que Delírio conseguia enxergar naquele homem, que mesmo aos olhos do grande Lorde Morpheus era completamente invisível. A aparência era de um jovem adulto, com seus vinte e poucos anos de idade, mas o corpo jazia inerte no chão frio da sala escura. Em seu braço esquerdo havia um cordão de tênis semi-amarrado, e uma seringa vazia pendia de sua mão direita. Tinha todos os sinais de uma pessoa com a mente presa ao Sonhar, mas ao mesmo tempo o cheio de podridão que predominava no recinto indicava que sua irmã Morte já deveria ter buscado o rapaz há alguns dias.

- Você não poderia estar mantendo este mortal vivo. Este poder não te pertence.
- E eU nÃo EsToU, sOnHo! PaReCe QuE eLe FeZ iSsO sOzInHo...

O imponente Lorde ajoelhou-se ao lado do corpo, e pousando uma das suas mãos tentou perscrutar a mente do rapaz, mas não conseguiu ver nada. A frustração deixou marcas visíveis de cólera no rosto de Sonho. Aparentemente, a mente deste jovem conseguira de alguma forma invadir seu reino, o Sonhar. Estava obviamente protegido com poderes de Delírio, mas ela não era capaz de entender como isso teria acontecido, debaixo do seu nariz.

- Vamos resolver isso no Sonhar. Venha - e na fração de tempo que um átomo de hidrogênio parte-se no coração de uma estrela, ambos se viram caminhando num deserto de areia fina e branca, que ao longe tornava-se vermelha como sangue. A areia rubra formava um círculo em torno de um ponto luminoso, que brilhava com uma miríade de cores sem fim, e numa velocidade que seria capaz de erguer mil ciclones.

- Aquele é o centro de todo o problema, Irmã. A mente do mortal está presa ao Sonhar, e corrompendo a areia de sonhos da qual o meu reino é composto. Se isso continuar, tudo será destruído, você entende?
- mAs Eu NãO fIz NaDa, SoNhO! ElE vEiO aQuI sOzInHo, NãO o AjUdEi.
- Entretanto, apenas você tem o poder de desfazer sua presença no meu reino. Por favor, vá lá e descubra o que está acontecendo.

Choramingando e tremendo de medo, lentamente Delírio se aproximou do centro brilhante, até desaparecer em meio à intensa luminosidade. Instantes depois, a luz morreu, e com ela a areia gradualmente voltou a ser branca. Delírio retornou com um pesado elmo de desenho ancestral em suas mãos, o que deixou Lorde Morpheus extremamente alarmado.

- Meu símbolo. O que foi que você fez, Irmã?
- eU sAbIa QuE tInHa DeIxAdO eLe Em AlGuM lUgAr.
- Você ajudou aquele mortal a usar meu símbolo?
- EuUuUu? NãO, cLaRo QuE nÃo, NeM eM "sOnHoS" - a piadinha teria feito Delírio gargalhar sozinha, mas o rosto sisudo do irmão mais velho dizia-lhe que era melhor comportar-se agora.
- Quando foi a última vez que você se lembra se estar com o elmo?
- fOi AnTeS dO bArNaBáS mE tIrAr DaQuElE lUgAr EsTrAnHo E eScUrO oNdE eU qUaSe EnDoIdEi.
- Já imagino o que deve ter acontecido. Volte para o lugar onde o rapaz se encontrava... Morte gostaria de ouvir algumas explicações sobre o que aconteceu. E ele estava sob sua responsabilidade, de uma forma ou de outra.
- Tá BoM... e VoCê, VaI aOnDe?
- Fazer uma visita.

***

Uma solitária figura andrógina caminhava calmamente em sua sala. Entediada, buscava algo que fosse capaz de satisfazer sua sede e esmorecer seu tédio.

- Satisfeito consigo mesmo, Irmão-Irmã?
- Ora ora, se não é Sonho?! Achei que você tinha dito que jamais retornaria aqui.
- Não imagine que sinto prazer em voltar ao Limite.
- Então não é apenas uma visita social?
- Você sabe porque estou aqui, Desejo.
- Ah, aquele pequeno embuste? Não foi uma pândega?
- Já te avisei para ficar longe dos meus negócios.
- Ora, seu senso de humor nunca foi dos melhores. Além diss...
- Chega. Acabou. Você está para sempre banido do meu reino, e sua influência sobre os meus está terminantemente encerrada.
- Você não pode fazer isso!
- Assim como você não podia permitir que um mortal usasse um dos símbolos.
- Ele apenas queria viver! Seu desejo era viver para sempre, e eu apenas entreguei as ferramentas, Irmão...
- Sob o risco de se meter nos assuntos da Morte e de destruir o Sonhar.
- Você não pode me banir dos sonhos dos mortais. Eles vivem, são carne, portanto sentem desejo!
- Desta forma você ficará mais fraco, e não poderá continuar com suas maliciosas tramóias, certo?
- Sonho, você não fará isso. Sonho, não vá embora!

O orgulhoso Lorde Onírico retornou para seu reino, onde pessoalmente encarcerou todos os sonhos que foram construídos com a chama do Desejo. Deste momento em diante, a humanidade perdeu uma boa parte do romantismo e calor que sempre alimentaram seu espírito inconscientemente, mas por mais alto que fosse o preço a se pagar, ele era absolutamente necessário. Posted by Picasa

21/10/2005

Sobre comida e relacionamentos

Entrei numa onda light. Diet, fat free, low carbs, e todos os outros termos em inglês que se possa usar para uma expressão brasileira bastante comum: está na hora de perder banha. Fui ao supermercado comparar informações nutricionais, preços e marcas. Acabei comprando bastante coisa. Ao invés de salame italiano, mortadela de frango. Ao invés de maionese, maionese sem gordura (e sem gosto). E para substituir as deliciosas macarronadas, pão light. Era só o que me faltava.

Pior ainda foi a tentação que sofri ao passar na seção de frios, quando um pacote de Copa ficou olhando pra minha cara e dizendo "me leva pra casa, garotão". Logo em seguida um belo pedaço de queijo gorgonzola parecia sussurar "me come, me joga na parede, em cima da pizza, me chama de muzzarela". Olhei para o queijo com bastante carinho e afeto, porém quem acabou na minha mão foi o insosso queijo minas. Light.

Chegando em casa, decidi que o primeiro passo seria guardar os "alimentos" (note-se as aspas) na geladeira. Seria uma hora difícil, mas não dava pra adiar. Abro a porta e lá está ele, meu companheiro de casa, amigo, confessor das horas noturnas avançadas e a única criatura viva com quem aceito de bom grado compartilhar o que chamo de "lar". De todos os solitários no mundo, apenas ele, em sua estranha aparência, seria capaz de me entender:

Um queijo Parmesão que virou Roquefort.

- Olá queijo.
- Buon giorno, signori!
- Já te disse para abandonar esse sotaque italiano...
- Desculpe monsieur, às vezes esqueço que virei Roquefort.
- Maravilhoso o processo de transformação ao qual um queijo pode passar, não?
- Você parece nervoso, mon amie. Aconteceu algo?
- Hum... Não sei como vou te contar isso.
- Apenas fale, mon amie. Pode desabafar.
- Estou de dieta.
- Non...
- Sim. E estes aqui serão seus novos colegas de quarto. Conheça a Maionese Light, a Margarina Light, a Mortadela Light, o Hamburguer Light, o Refrigerante Light...
- Espere, espere... Eles são todos da mesma família? Pois tem o mesmo sobrenome!
- Não... Isso significa que eles tem poucas calorias, e menos gordura.
- Mas comida que não engorda não é divertida!
- Eu sei.
- Com quem vou conversar, me divertir quando você estiver trabalhando, monsieur?
- Eu trouxe sua prima, Ricota.
- Ricota? Mas ela não tem graça nenhuma, é uma chata! Qualquer um enjoaria dela em questão de minutos!
- Sim, isso é verdade.
- Por acaso você me consultou antes de fazer isso?
- Mas é preciso, Roquefort. Minha namorada já está reclamando.
- "Aquelazinha"? Você não precisa dela, eu já estou em sua vida!
- Sinto muito... Acho que é o fim para nós dois.
- O que você está fazendo? Vai me jogar na lixeira, acha que é fácil assim terminar um relacionamento?
- Desculpe, se você não é capaz de me compreender, já não há mais espaço pra você na minha vida...
- O lixo não, o lixo não!!!...

É difícil dormir com um peso tão grande no coração. Amizades vem e vão, mas as pessoas não deveriam confundir tanto as coisas. Adeus Parmesão-Roquefort... Adeus, meu bom amigo. Posted by Picasa

13/10/2005

Amigos fazem "isso" contigo

Quando você menos espera, eles atacam. Te pegam desprevenido, com a guarda baixa. O mais impressionante é que você gosta, e deixa que eles façam isso não apenas uma, mas várias vezes.

A Freedom 90 foi simplesmente a melhor festa estreiante que já apareceu em terras cariocas. Não digo isso pois fui um dos DJs, mas pois é um fato, e quem foi lá pôde perceber o que estou falando. Ótimas discotecagens, ambiente nota dez, um super-telão e inovações com video-clipes de artistas sendo lançados na telona, com o som original do DVD! Algumas pessoas vão dizer que esta não foi a primeira festa "anos 90" do Brasil, que outras festas já fizeram incursões nessa área. Para essas pessoas eu tenho apenas uma palavra:

Balela.

A Freedom 90 foi a primeira a ousar, a resgatar o clima da década na qual vivi o final da infância, minha adolescência e o começo da vida adulta. Nos anos 90 tive praticamente todas as minhas primeiras vezes, e a festa resgatou muitos sentimentos bons, aqueles guardados com um calorzinho gostoso dentro do peito, e que às vezes teimam em sair.

Eu posso me considerar um afortunado, pois além de tudo, ainda recebi uma homenagem maravilhosa dos meus amigos, com direito a video de imagens no telão, torta de chocolate, cartaz e trilha sonora do Faith no More. Foi bom demais, muito especial, e guardarei para sempre tudo o que aconteceu lá no meu coração.

E ainda teve espaço para mais uma primeira vez, pois eu nunca chorei em público, e muito menos em cima de um palco, com quase trezentas pessoas me olhando. Lágrimas nos olhos, felicidade total. Amigos fazem "isso" contigo, quando você menos espera. Posted by Picasa

12/10/2005

A trilha sonora é "Friends", do Joe Satriani

Esta mensagem vai para todas as pessoas da minha pequena notável lista de discussão, que estiveram ou não estiveram ontem na Freedom 90, e com a adição de outra pessoa muito especial que participou ativamente da conspiração.

Não importa o status (online, away, busy, sleeping, at work, in SP, etc) das pessoas no preciso momento: ontem o meu amor por todos vocês foi fortificado. Não sei quem ganhou a aposta, espero que tenha rolado algum dinheiro, pois eu chorei pra caramba, e continuei chorando em casa, quando peguei o DVD e vi novamente às 7:30 hrs da manhã.

Pode parecer diplomacia, mas não meço palavras quando digo que foi a mais grata surpresa que já tive ao longo dos meus 27 anos de vida. Estou passando por uma fase complicada profissionalmente, a nível de estresse e condições de trabalho, e receber aquela homenagem me deu um gás para derrubar todos os problemas, uma carga absurda de energia. Hoje estou mais forte e me sinto mais vivo, graças a vocês.

A Freedom 90 sintetiza perfeitamente meu aniversário - uma ótima festa, mostrou que com boas idéias, conhecimento e perserverança tudo é possível. E, acima de tudo, que quando você está cercado de amigos verdadeiros, nada pode dar errado.

Thank you, danke schön, merci beaucoup, gracias, domo arigato. Obrigado, obrigado, muito obrigado.

04/10/2005

Merda acontece... no Google Talk também!

Fulano: tem alguma mulher aí pra me passar ?

Bart: ??????????????

Fulano: alguma mulher pra eu add aki !

Bart: adicionar aonde???

Fulano: aki no google talk

Bart: aaaahhhhhh não tem quase ninguém na minha lista

Fulano: passa uma mulher

Bart: não tem ninguém
tem algumas amigas minhas, todas compromissadas (como vc e eu), que ficariam boladas se eu fizesse isso

Fulano: aí é foda !

Bart: vem cá, quem é que está falando?

Fulano: Fulano pq ?

Bart: que só por curiosidade, é casado com quem?

Fulano: pra que o interrogatorio ?

Bart: por nada, mas o Fulano é casado com quem?

Fulano: com tua mãe seu viado !!

Bart: então presumo que você não seja o Fulano e que vc esteja usando o mesmo computador na faculdade que ele acabou de usar antes de ir para casa

Fulano: lógico !

Bart: e, apenas por acaso, está usando o GTalk dele, o que é algo muito escroto a se fazer, vc deveria dar logoff

Fulano: ele foi otario de deixar aki ...pensei q tinha alguma mule. mas to vendo q soh tem um viado !!!

Bart: na Faculdade sim. se quiser passo aí daqui a pouco pra te dar uns tapas, e te denunciar pra diretoria da faculdade por mau uso dos computadores do laboratório.

Fulano: hahahahahaahhaah ...comedião mermo !

Bart: vc escolhe. ou fecha ou programa... ou sofre as consequências. vou contar até 10, antes de ligar pro laboratório de informática. e estou com o telefone na mão.
10

Fulano: vai tomar no cu seu arrombadp !

Bart: 9
8
7
6
5
4
3
2
1

Fulano: alô

Bart: aguarde alguns instantes, por favor

Fulano: ta bom
alguem jah atendeu ??naum eskece de falar tudo
kd viadinho ? ninguem chego aki naum !

Bart: estou no telefone, seja educado e espere

Fulano: por favor ...
quer minha matricula ?
ta muito lerdo ! ninguem atende to ouvindo daki !

Bart: vc está vendo um rapaz loiro entrando na sala?
já saiu?

fulanodetal@gmail.com is offline and can't receive messages right now.

29/09/2005

Sobre o referendo...

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que jamais pretendo manter em casa, portar ou adquirir armas de fogo. Talvez uma espingarda de chumbinho, mas nada letal. Em breve pretendo ter em mãos meu arco-e-flecha, mas se algum dia sair com ele armado no meio da rua, peço que algum conhecido ligue para o manicômio antes que outra pessoa o faça. Prefiro ser detido pelos meus amigos do que por um qualquer.

Em segundo lugar, vem a constituição. Ela garante a todo cidadão brasileiro o direito a se defender, com todos os meios que forem necessários. Armas de fogo? Talvez. Um flecha de aço-carbono no meio do peito de alguém que tente invadir minha casa? É possível. Machetada certeira no crânio feita com uma cimitarra adquirida na rua da Carioca? Também provável. Assim como existem várias ameças à nossa segurança, existem diversas formas de defesa. Mas a primeira e mais importante de toda é lutarmos pelos nossos direitos.

Esse plebiscito foi agendado para ratificar a demagogia do governo federal. Essa campanha pelo desarmamento não diminuiu a violência em parte alguma - por acaso os tiroteios nos morros acabaram? Os assaltos no trânsito também? Só esse ano o carro de uma amiga minha foi arrombado duas vezes, sem contar o caso de outro amigo, que foi vítima de um assalto à mão armada, em frente à sua casa. Para ser sincero, no momento que escrevia este texto podia ouvir um tiroteio perto de casa - não o suficiente para os tiros chegarem no prédio das minhas irmãs.

A campanha do desarmamento é muito bonita, porém ineficaz. O governo só marcou o plebiscito para que, caso a população vote pelo sim, ter mais uma bela propaganda para exibir no ano eleitoral de 2006. Só que o Roberton Jefferson atrapalhou os planos de todos, com um escândalo (na minha opinião sem precedentes) horrível que nos faz sentir ânsias de vômito todos os dias. Agora o referendo servirá para outro propósito: desviar a atenção pública do lamaçal em Brasília!

Lembrem-se: toda vez que um grande escândalo político abala o país, o número de jogos de futebol na televisão aumenta, e se nem isso funciona, aparece alguma denúncia de corrupção na oitava arte brasileira: um dirigente sujo, jogadores tomando doping, clubes dando calote, combinação de resultados. Desta vez eles conseguiram algo inédito: provar que um juiz é ladrão! Sem precedentes, igualmente!

E de repente, os 57 mil reais que o árbitro paulista engrupiu são mais importantes que os 30 mil mensais que os deputados recebiam. O congresso tem centenas de deputados, e apenas algumas dezenas recebiam mensalão? Será que essas poucas dezenas eram capazes de mudar o rumo das votações importantes?

Será que o Eurico Miranda sabia que o pênalti que o Romário converteu foi cavado?

O Brasil será hexacampeão?

E quem será o presidente do Brasil em 2007?

Nada disso importa quando você descobre que a demagogia do governo federal está custando aos cofres públicos algo em torno de 250 milhões de reais. Com todos os zeros: R$ 250.000.000,00.

É grana pra cacete!

É dinheiro que poderia ser investido em políticas de segurança pública mais eficazes. Ou então, direcionado para a educação, reformando escolas por todo o país. Quem sabe, aplicado na cultura, com projetos mais sérios do que simplesmente exibir um ministro-menestrel com uma viola na mão e cantando músicas do Bob Marley.

Psiu. Talvez o governo esteja querendo isso mesmo. Dêem Bob para eles, e tudo ficará numa boa bicho. Sem grilo e na paz.

Mas nós acabamos ficando com Bob Jefferson mesmo. E o quarto de bilhão que o governo está gastando nesta brincadeira poderia ser usado para fundar uma corregedoria especial na polícia federal que investigasse e combatesse a corrupção pública. Todos sabemos que o primeiro passo para se livrar de um vício é admitir que ele existe.

Enquanto o governo, seja ele do PT, do PSDB, PFL ou PRONA, não admitir publicamente que a corrupção está entranhada na prática política deste país, ela perseverará.

Meu voto é não. Enquanto nós tivermos essa malévola patota no congresso, meu voto é não. Enquanto não tivermos representantes dignos o suficiente para mudar uma constituição federal, meu voto é não. E quando a maior política de segurança pública do país não for uma campanha de desarmamento dos cidadãos, e sim de desarmar os bandidos, eu votarei sim.

E em breve prepararei um banner em português, inglês e francês, pela minha nova campanha: pedindo observadores da ONU nas eleições de 2006 em território brasileiro. Isso já deveria ter sido feito há tempos, e não apenas aqui.

23/09/2005

Crônica aleatória: "Carta para Monica"

Querida Monica,

Olá querida está tudo bem por aí? Aqui está tudo indo muito bem... Aos poucos as coisas vão se acertando, sabe? No início sempre é um choque, mas você se acostuma com o tempo - novos rostos, novas experiências!

Sempre me questionei sobre os detalhes que constituem nossas vidas. Pequenos, ínfimos, tão diminutos que poderiam passar desapercebidos diante dos olhos de qualquer pessoa. Mas é justamente a capacidade de perceber essas sutilezas que nos diferenciam da grande massa que se acostuma com a normalidade. Pequenas pistas, que deixadas pelo caminho para qualquer um capturar, são sempre ignoradas. Isso me dá nos nervos.

De que adianta nossa passagem neste mundo, se não fizermos algo de construtivo e útil? Se não deixarmos nossa marca? E suponha que, feita a marca, ninguém consiga enxergá-la? Horrível, não é verdade? Por isso os diminutos vestígios da vida são tão importantes - necessários, arriscaria.

Diametralmente oposto a esse pensamento, também acredito em segredos! Você consegue acreditar nisso? Que pândega, não? Mas uma coisa está diretamente ligada à outra - todo segredo que se preza deve deixar rastros, dicas sutis de que ele existe, para que seja um segredo completo, e atraia o interesse dos outros. Caso contrário, é apenas mais um fragmento de informação no mundo que flutua ao nosso redor.

Sabe quando você tem um segredo, e deseja desesperadamente compartilhar com outras pessoas? É assim que eu me sinto, e sempre! Para isso, obviamente, deixo minhas pequenas pistas - um sentimento, uma palavra, um gracejo. Nosso comportamento muitas vezes é capaz de trair os segredos com maior eficácia do que a lógica. Isso faz parte da natureza humana Monica, e não podemos escapar dessa inevitabilidade.

É por isso que não lhe direi onde enterrei o corpo da sua filha. Mas continuarei guardando seu lindo rostinho infantil em minha coleção, até que você consiga vir buscá-lo. Por favor, não me decepcione como os outros antes de você.

Carinhosamente,

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