13.6.09

Aviso Rápido

Feriadão sem internet, cybercafé salvando a vida. O Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras está ótimo; choveu horrores no primeiro dia e ficamos ensopados, mas já comprei um guarda-chuva. Excelentes shows, com nota especial para a Big Time Orchestra, de Curitiba (PR). Daqui a pouco verei o segundo show do maravilhoso Coco Montoya lá na Praia da Tartaruga, imperdível. Rock (blues & jazz as well) on!

Escrito por Bart Rabelo @ 4:46 PM |


8.6.09

Crônica Aleatória: "Anti-Herói"

A chuva caía forte na floresta próxima e Jack apenas observava, o coração repleto de desalento, pois tinha perdido o dia inteiro de trabalho. Para o jovem e honesto lenhador, somente restava uma breve visita à taverna do Urso Dançante, visto que a tempestade repentina encharcou toda a lenha que ele levara um dia inteiro cortando com esmero.

As vielas enlameadas do pequeno feudo, constantemente atormendado pela ameaça da guerra entre os grandes reinos do Norte e do Oeste, contribuiram para que a aparência se Jack se tornasse mais selvagem. O grande machado que carregava às costas, herança de seu falecido pai, um dia fora usado para cortar cabeças no campo de batalha, porém agora era uma ferramenta para o ganha-pão do esforçado lenhador.

"Jack meu rapaz, venha se secar perto do fogo!" exclamou o velho Willy, dono da taverna do Urso Dançante, quando viu o jovem molhado entrar no seu salão principal. Ele se sentou num banco de madeira próximo à lenha em brasa e bebeu com prazer a caneca de vinho quente que foi posta em suas mãos geladas. Willy era um bom homem e sabia agradecer os práticos serviços que Jack normalmente prestava para sua taverna, com o rústico conhecimento que possuía de marcenaria.

Ele olhou ao redor e viu a mesma escória de sempre que frequentava a taverna. Viajantes, aventureiros, soldados da fortuna e mercenários. Em suma, arruaceiros que de vez em quando bebiam mais do que deveriam e causavam problemas ao povo pacífico do vilarejo. Jack não se surpreendeu quando um senhor já de idade avançada, com longos cabelos brancos e uma saudável barriga grande e roliça apontando na sua direção, chamava-o com assobios curtos.

Por mera curiosidade, ele se levantou e foi ter com o velho, que estava sentado numa mesa pequena e acompanhado por três tipos estranhos. Um era tão magro quanto jovem, mas parecia ter saído da puberdade, e ficava brincando com uma adaga, passando-a entre os dedos. O outro vestia uma armadura pesada e portava no peito um símbolo sagrado que o marcava como clérigo da Sacra Ordem do Deus Misericordioso. Estranho, Jack pensava, como um Deus poderia ser tão bondoso e belicoso ao mesmo tempo. A terceira pessoa foi a que mais chamou sua atenção, pois era uma mulher muito bonita, com feições finas, delicadas e para sua surpresa, orelhas pontiagudas e um cabelos negro-esverdeado. Era uma elfa, uma criatura mágica pertencente a um povo muito antigo que raramente se aventurava para longe das entranhas mais profundas da floresta, lugar que nem Jack tinha coragem de se aproximar.

"Então meu bom jovem. Você parece ser forte e hábil com seu machado. Está interessado em ouvir uma proposta bastante lucrativa?" disse o velho enquando destrinchava um frango assado com os dedos engordurados. Jack fez que sim com a cabeça, tentando evitar que seus olhos se fixassem no decote do vestido da elfa por muito tempo.

"Estou reunindo um grupo de jovens aventureiros para buscar um tesouro nas montanhas do leste. Eu mesmo gostaria de ir, mas meus dias de invadir masmorras e labirintos subterrâneos ficaram há muito para trás. Tenho este mapa, que foi recuperado das mãos de um soldado inescrupuloso há poucos dias atrás, que mostra onde se encontra o tesouro perdido do Rei do Leste. Darei o mapa para vocês em troca de um décimo de tudo o que encontrarem. Os dois cavalheiros aqui e a linda senhorita já aceitaram, o que me diz?"

"Não, obrigado."

O velho manteve a expressão atônita por alguns instantes. "Acho que você não me entendeu. Gostaria de participar desta busca? Já temos um ladino ardiloso, um clérigo de admirável fé e uma habilidosa feiticeira do povo élfico. Só falta um guerreiro forte e capaz para liderar o grupo à glória. Você aceita a minha oferta?"

"Mais uma vez, não. Não, obrigado."

"Jovem rapaz, você me confunde. Não quer glória e fortuna? Ter todas as mulheres do mundo aos seus pés? Por acaso teria algo mais interessante para fazer neste pedaço de fim-de-mundo?"

"Amanhã vai parar de chover e tenho lenha para cortar. Adeus e boa sorte." Jack deus as costas para o pequeno grupo, todos o encarando com os olhos arregalados. Ele pensou, realmente tinha muito trabalho para fazer amanhã caso o sol abrisse. Se chovesse, tentaria terminar a mesa que prometera para sua mãe. E de noite entraria às encondidas nas terras do fazendeiro Jesse para encontrar-se com sua bela filha Rosie no celeiro. Aliás, era isso que ele pretendia fazer todas as noites pelas próximas duas luas e nada mais ocupava seus pensamentos que não fosse a pacata, honesta e prazerosa vida que ele tinha ali, naquele fim-de-mundo.

Escrito por Bart Rabelo @ 8:54 PM |


4.6.09

Biscoitos da sorte... Na cama.

Calma. O título deste texto não significa que é legal comer biscoitos da sorte na cama, ou pelo menos não literalmente. Na verdade é uma brincadeira, que aprendi com minhas irmãs há muito tempo atrás - comer no restaurante chinês hoje me lembrou disso.

Sempre que você pede comida chinesa, ganha um daqueles deliciosos biscoitinhos doces com uma mensagem bonitinha no meio (e números pra apostar na Mega Sena). Você lê a mensagem, e das duas uma: ou pensa "puxa, que profundo isso, vou aplicar imediatamente na minha vida" ou então "que droga de filosofia de boteco é essa?". Mas existe uma forma completamente diferente de observar tais mensagens agora! Basta adicionar as palavras "na cama" após o final da mensagem, o que normalmente dá um novo sentido cômico à coisa toda. Às vezes você fica com uma frase que não tem nada a ver, mas em outros momentos, pode acabar colhendo versões hilárias, como essas (todas já presenciadas na vida real):

"A velhice é o auge da experiência de vida na cama."
"Elimine o que é velho para trazer o novo à vida na cama."
"Não são os objetivos particulares mas os comuns que criam uma comunidade duradoura na cama."
"O pensamento positivo encaminha à alegria na cama."
"Estagnação não dura para sempre, entretanto, ela não acaba por si mesma na cama."
"Você é um poço de energia, sempre em movimento, na cama."
"Mesmo os piores momentos têm intervalos de paz na cama."
"Ao se progredir é importante não se deixar embriagar pelo êxito na cama."
"Só o tempo e o esforço trazem a competência na cama."
"Tudo o que está recomeçando merece cuidado e suavidade para que o retorno venha a florescer na cama."
"A graciosidade é necessária a toda união para que esta se realize de forma agradável e não caótica na cama."
"Os grandes espíritos dominam os revezes na cama."
"Ao beber na nascente, agradeça à fonte, na cama."
"Lute constantemente para o auto-aperfeiçoamento na cama."
"Seja orgulhoso, porém tolerante e generoso na cama."
"Aplicar as forças criativas para perseverar no bem é o melhor caminho para um sucesso pleno na cama."

E a melhor por último:

"O seu negócio assumirá amplas proporções na cama."

Agora tente você também. Na cama.

Escrito por Bart Rabelo @ 10:08 PM |


18.4.09

Crônica Aleatória: Lua Cheia

O sinal da fábrica soou novamente o apito, indicando que todos os funcionários e operários deveriam retornar aos seus postos de trabalho e retomar as atividades cotidianas. "Excelência com responsabilidade", era o lema que o Presidente usava e fazia questão que o mesmo estivesse afixado em cada quadro de avisos, com garrafais letras azuis. O jovem jornalista estava bastante nervosa, pois imaginou que o bem sucedido executivo faria a entrevista sentado no conforto da cadeira classe presidencial de seu escritório, mas se enganou redondamente. Ele fez questão de conversar com a bela mulher de longo cabelo castanho solto e penas compridas, vestindo um tailleur cinza e salto alto enquanto ambos passeavam pelas instalações a pleno funcionamento. Na verdade, isto o divertia.

"Eu não mordo, senhorita. Pode começar a inquisição, estou à sua disposição," disse o presidente da fábrica. Com as mãos quase tremendo, ela tirou um par de óculos da bolsa junto com seu gravador, o qual foi imediatamente ligado com um clique quase inaudível.

"Boa tarde, senhor Mau. Sua carreira como empreendedor do ramo alimentício é fascinante, mas não tanto como suas raízes. Você poderia falar um pouco sobre o início da sua vida e as dificuldades que enfrentou?"

"Claro. Eu tive uma infância bastante comum, com meus irmãos e irmãs de ninhada. Mais velhos, formamos uma matilha formidável, mas eu sempre quis algo mais," ele parou para pensar por alguns instantes. "Eu queria individualidade. Queria ser diferente. Não achava que aquela vida de caçar, comer e dormir na floresta era exatamente para mim."

"Mas os seus anseios não seriam contra a natureza dos lobos, senhor Mau?" perguntou a agora mais relaxada jornalista. O entrevistado ergueu uma sombrancelha e com um olhar mais astuto do que feroz rebateu a perguntar com uma voz tão estável que parecia sibilar.

"Sim, isto poderia ser verdade. Mas tudo aquilo que construí na vida é condizente com a natureza lupina. Veja bem: formei uma matilha, que é a minha fábrica. Virei o alfa, pois sou o líder de todos. Ajudo a providenciar alimentos para todos aqueles que protejo, assim como abrigo no inverno e boas possibilidades de acasalamento. É simplesmente incrível o que se pode fazer com dinheiro hoje em dia".

A entrevista parecia começar a melhorar, então a jovem rapidamente fez aparecer um bloco de anotações, o qual segurou com a mão esquerda junto do gravador, enquanto sua mão direita já rabiscava idéias no papel com uma caneta que simplesmente parecia ter sido feita sob encomenda para seus dedos. Ao mesmo tempo em que escrevia, modulou sua voz com um tom de respeito e curiosidade: "qual foi sua primeira experiência profissional?"

"Ah, foi há muito tempo atrás. A primeira tentativa verdadeira, devo admitir, foi com a Chapeuzinho. O encontro na floresta foi completamente aleatório e fortuito, mas logo vi que havia uma chance de crescimento ali".

"Você está dizendo que devorar uma criança inocente por acaso pode ser uma chance de crescimento?"

"Não, claro que não. Veja bem, esta é a história que todo mundo conhece e que compõe o imaginário comum. A verdade que nunca foi divulgada é que a avó da Chapeuzinho era uma grande empreendedora do ramo alimentício, especialmente no tocante a doces e chocolates. Quando vi a jovem menina indo para a casa da avó, percebi uma oportunidade de ingressar na indústria, então ofereci meus serviços."

"E ela recusou, não foi? Teve medo de você?"

"Na verdade, o pai da Chapeuzinho a instruiu para não confiar em estranhos, pois sempre tinha alguém de olho nas receitas secretas da Vovozinha. Ela era uma boa menina, obediente, então juntei toda a minha coragem e fui direto para a casa da empresária."

A jornalista lançou um olhar decisivo para o seu entrevistado. "Então você devorou a vovozinha para roubar suas receitas secretas?"

"Mais uma vez, não. Eu devorei a Vovozinha, mas tente entender. Ela ainda era uma mulher charmosa e atraente, eu era um jovem inocente e bastante disposto, logo..."

"Não precisamos entrar em detalhes, Sr. Mau."

"Continuando, tínhamos um acordo. Todos ficaram chocados devido à nossa diferença de idade, mas eu não me importava. Continuei com ela até o fim, mesmo com todas aquelas mentiras inventadas pelas pessoas, especialmente por aqueles caçadores desocupados."

"Os caçadores invejavam o seu sucesso?"

"Na verdade eles invejavam o meu relacionamento com a Vovozinha. Todos a desejavam, secretamente." A jovem jornalista sentiu que o empresário lançou um olhar na sua direção, como um lobo faminto que elegantemente não fitava diretamente suas belas pernas. Ela pensou que ele devia ser um viúvo bastante requisitado, mas preferiu não se desviar do assunto, a entrevista.

"Bem, isto encerra a história com a Chapeuzinho. Mas e quanto aos Três Porquinhos? Como você justifica duas acusações de destruição de propriedade, uma tentativa de invasão e três tentativas de assassinato?"

"Antes de tudo, gostaria de reafirmar que nunca uma queixa foi aberta na polícia. Sabe o motivo? Quem a abrisse seria processado por perjúrio, pois as acusações são complemente falsas."

"Ainda assim as pessoas comentam o assunto há anos, Sr. Mau."

"Comentam, falam, sussuram, cochicham. Fofocam. É tudo fofoca, boataria maldosa. Quer saber a verdade? Eu tenho provas. Isto foi bem no início da minha fábrica de alimentos, eu tinha uma equipe com poucos membros, então cuidava pessoalmente das vendas externas e cobranças também."

"Você insinua que os porquinhos te deviam dinheiro?"

"Insinuar, não. Eu afirmo. Tenho provas, notas fiscais da época, assinadas por eles porém sem pagamento. Eventualmente todas as dívidas foram executadas por uma empresa de cobranças, mas antes de tomar uma medida tão drástica tentei resolver o assunto pacificamente. Fui conversar com o mais preguiçoso dos três irmãos, o Cícero, que então se encondeu na casa do Heitor e quando pude perceber estavam todos na casa do Prático. Foi um inferno conseguir falar com eles, mas os caloteiros estavam dispostos a não pagar meu dinheiro."

"Mas por quais motivos teriam eles tentado difamar sua reputação, espalhando supostas mentiras e alegando a tentativa de agressão sofrida?"

"Simples, minha bela jovem. Os três porquinhos nunca quiseram que eu revelasse exatamente o quê eles compraram comigo. Eles sabem que virariam párias se as pessoas soubessem a verdade, mas agora eu não me importo mais com isso."

"Mas Sr. Mau, o que poderia ser tão terrív..."

"Bacon, senhorita" interrompeu o empresário com uma ferocidade controlada na voz. "Naquela época minha fábrica produzia vários derivados de suínos, mas principalmente bacon."

"Bacon, mas como..."

"Em tiras e em cubinhos."

"Quer dizer que os três porquinhos... Eles eram canib..."

"Não precisamos entrar em detalhes, mas você entendeu meu ponto. O que eu gostaria de afirmar é que a Maulimentos Ltda. é uma indústria em constante crescimento e não me importo mais com essas inimizades e problemas do passado. Tudo o que recebi de bom e de ruim na minha vida me trouxe até o lugar no qual me encontro agora. Sou um lobo feliz, não posso reclamar."

"Acho que já tenho bastante material para a entrevista, Sr. Mau. Podemos encerrar por aqui, sei que o senhor é bastante ocupado."

Ele olhou mais uma vez para a jornalista com luxúria no olhos, percorrendo seu corpo dos pés à cabeça. "Sim, sou bastante ocupado, mas sempre tenho um tempo extra para beber um drink no bar do meu bom amigo Rumpelstiltskin. Especialmente com uma boa companhia como você."

A jovem imediatamente ficou enrubescida. "Sr. Mau, você disse que não mordia."

"Ah, mas na lua cheia tudo pode acontecer."

Escrito por Bart Rabelo @ 5:29 PM |


13.3.09

Crônica Aleatória: "Quaresma e Santinha"

Quaresma chegou em casa desesperado, esbaforido. Não acreditava no que acabara de acontecer e certamente não poderia prever e reação de sua esposa quando ele cuspisse em tórridas palavras a verdade que demorou a admitir para si mesmo. Santinha foi esposa fiel, mãe perfeita e agora embebia seu coração na doçura dos netinhos, dois meninos de três e quatro anos respectivamente. Não seria justo com ela, não seria justo com ninguém. Mas agora o sentimento que ardia dentro de seu corpo pedia mais e cada vez mais.

Por trinta e cinco anos Quaresma foi também um marido exemplar, um homem de princípios e que jamais traíra a esposa, nem nas longas viagens que fizera antes de se aposentar do serviço. Colocou um disco na vitrola antiga e se sentou na poltrona de leitura. "Johann Sebastian Bach... Concertos de Brandenburgo", pensou ele. "Essa música vai me ajudar a relaxar". Mas mal havia acabado a execução dos primeiros andamentos do Concerto em Fá maior, ouviu os passos de sua Santinha entrando na sala de estar, silenciosos e suavemente amortecidos por um par de pantufas costurado à mão.

- Meu velho... Chegou em casa cedo? Não teve xadrez na praça hoje?
- Santinha... Sim... Quero dizer, não...
- Você está meio estranho... Aconteceu alguma coisa?
- Sim... E não. Minha velha, é melhor você se sentar aqui do meu lado.
- Benzinho, o que está acontecendo? É sério, quem foi que morreu agora?
- Não Santinha, ninguém morreu. Ainda. Não ninguém morreu. É algo mais grave.
- Estão desembuche logo meu velho! Não me deixe apreensiva, senão minha pressão vai pras alturas...
- Eu tenho algo muito grave para lhe contar. Nem sei por onde começar.
- Comece do início! Você sabe o que dizia o Jor...
- Descobri que sou gay.
- O quê? Que história é essa, Apolônio Quaresma?
- Ora, descobri que sou gay, homossexual. Me sinto atraído por homens.
- Se isto é uma piada, não é das mais engraçadas Apolônio.
- Mas não é piada. Quisera eu que fosse!
- Apolônio... Nós passamos trinta e cinco anos casados para você descobrir, agora, que é fruta?
- Pois é... Aconteceu.
- Mas eu não vou admitir esta sem-vergonhice! Você não me respeita?
- Respeito sim velha. Respeito muito, por isso você é a primeira a saber.
- E por acaso posso saber como você chegou à conclusão, com sessenta anos de idade, de que joga do outro lado da cerca?
- Eu estava jogando xadrez na praça com meus camaradas... E foi estranho, pois durante horas, naquele ambiente cheio de homens... Bem, eu... Ehr...
- Você o quê? Fala, homem!
- Eu... Ehr... Mantive uma ereção.
- Ereção? Jogando xadrez?
- Isso não é normal. Eu tive uma longa ereção jogando xadrez com meus amigos. Meu Deus, vou parar no inferno. Além de descobrir que sou boiola, ainda cedo à luxúria e cobiço os corpos dos meus companheiros de prosa...
- Quaresma... Você tomou seu remédio para memória hoje?
- Tomei, todas as três vezes que o médico receitou.
- E você por acaso lembra qual é o pote do seu remédio?
- Claro, é o potinho branco.
- Errado. É o vermelho.
- Ah, é mesmo? E qual é o remédio do potinho branco?
- Viagra. Seu velho burro.

Escrito por Bart Rabelo @ 6:31 AM |


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Nome: Bart Rabelo
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