7.9.16

Setembro Amarelo & Prevenção de Suicídio

Fiquei sabendo recentemente da sensacional campanha de prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo, que dedica o mês a incentivar que pessoas com depressão procurem ajuda, tanto médica como apoio de amigos e da família. Às vezes simplesmente conversar já ajuda muito e parte da campanha é se disponibilizar para isso. Logo, estou aqui. E pelo mesmo motivo, durante este mês, o tema do meu blog será amarelo e dedicado à campanha.

Esta tirinha (cliquem nela se estiver muito pequena) é antiga e resume muito bem como uma pessoa com depressão se sente e especialmente como não se deve comportar perto de uma pessoa com depressão. Como não achei traduzida, eu mesmo a traduzi agora. Compartilhem, pode ser mais importante do que se pensa.


16.8.16

Um adeus com um sorriso

"O poder é a pior de todas as drogas."
- Elke Maravilha

Na casa da minha avó, quando criança, os domingos à frente da TV passaram a ser dedicados ao SBT do Silvio Santos, após o falecimento do Chacrinha. E quem assistia ao Show de Calouros do Abravanel não era capaz de resistir ao carisma e irreverência da Elke. Espalhafatosa? Sim. Exagerada? Sim. Porém sempre muito pertinente.

Minha mãe dizia que a Elke era uma figura sensacional. Filha de russos que fugiram das monstruosidades sanguinárias do Stalin, virou apátrida após o golpe militar de 1964 e a implantação da ditadura de direita no Brasil (afinal de contas, ela era russa de nascimento e "filha de comunistas"). Dizia que ela era na verdade muito inteligente, que falava várias línguas e que essa "persona" extravagante era uma forma de chamar atenção na mídia.

No final de 1993 nós nos mudamos de Campo Grande, no Rio de Janeiro, para Niterói. Eu tinha 14 anos e aquilo tudo era um mundo completamente alienígena para mim. A cidade era diferente, as ruas desconhecidas, as pessoas até falavam de forma diferente, com gírias e coloquialismos estranhos ("patricinha" era "periquita", você ia na casa "de fulano", não "do fulano", entre outras coisas). Tinha um cara que andava de bicicleta vestido de índio com arco e tacape (eventualmente passou a ser chamado de "Pocahopa"). De vez em quando pacientes do Hospital Psiquiátrico de Jurujuba iam às ruas exibir suas maluquices. Nada em Niterói parecia fazer sentido.

E lá também tinha a Elke Maravilha.

Esbarrar com ela na rua era um evento. Não por que ela seria "aquela pessoa" da TV - e ela era sim, pois sempre foi uma mulher muito autêntica. Mas sim por que você confirmava que além de todas as qualidades em torno de si que foram vendidas pelas histórias da minha mãe, que ela era uma criatura feita de puro amor e simpatia.

Hoje ela se foi, para deixar muitas saudades em pessoas que conheço e eram próximas dela, de sua família. Infelizmente eu não sou uma dessas pessoas e não posso confortá-las pessoalmente. Mas talvez a lembrança de toda a alegria e exuberância de uma das personas mais marcantes que o Brasil já teve a honra de acolher e acalentar, isso podem ter certeza, ficará para sempre.

27.7.16

O Complexo de Vira-Lata da Rio 2016

Não faço segredo para ninguém que sempre fui um grande crítico dos jogos olímpicos que serão realizados no Rio de Janeiro. Sempre soube que nós não estamos preparados para um evento desta magnitude, mas também me preocupava com os custos envolvidos e toda a corrupção correlata.

Pois bem, primeiro os nossos governantes e administradores ficaram alardeando que o mais importante dos jogos seriam o "legado" que este deixaria para a cidade. Palavra bonita esta, "legado". Imagino quando tempo durará tal legado, visto que algumas obras já começaram a afundar e outras a cair.

Agora, por não terem mais para onde fugir e com muita coisa a completar em poucos dias, o que será impossível, eles tentam acuar os críticos dos jogos alegando que temos que parar com este "complexo de vira-lata". Para quem não sabe, a expressão foi criada e popularizada pelo grande Nelson Rodrigues; nas palavras do próprio:

Por "complexo de vira-lata" entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima.


Estaria o soberbo Nelson errado e o insensato Eduardo Paes correto? Bem, ao invés de discutir, apresento alguns números:

- O custo original estimado da Rio 2016 era US$ 6,4 bilhões. De acordo com a última previsão, chegará a cerca de US$ 11 bilhões (R$ 38,26 bilhões). 72% de estouro nos custos.

- 9% da população economicamente ativa no estado do Rio de Janeiro está desempregada. E este número cresce em média 25% por trimestre.

- O estado do Rio de Janeiro tem uma Média de 16 assassinatos por dia. Destes, 9 assassinatos em médias ocorrem apenas na capital, a "Cidade Maravilhosa".

Você pode dizer que o custo de Londres 2012 foi maior, que o desemprego em Barcelona é maior, que a violência em Atlanta é maior. Mas ninguém tem o direito de me calar alegando que sofro de "complexo de vira-lata".

Criticar aquilo que eu enxergo como errado não é complexo de inferioridade. Lutar contra aqueles que eu acredito que oprimem a democracia em prol de poucos empresários e plutocratas não é baixa autoestima.

E caso gente como o Eduardo Paes insista nesta bobeira sem tamanho, gostaria de lembrar que vira-latas são cães formidáveis, dotados de grande capacidade de adaptação e sobrevivência. E quando necessário, latem e mordem com força.

6.6.16

A ilusão da opinião livre

Outro dia escrevi um post no facebook sobre um assunto bastante polêmico da atualidade. O que achei mais interessante é como meus amigos e amigas curtiram rápido o que escrevi, e isto talvez tenha dado uma difusão maior ao post do que imaginava. Isto atraiu...

TROLLS!!!

Sim, verdadeiros trolls da internet. Não daqueles que dão corda até te enforcar com seus próprios argumentos, mas o tipo que normalmente se esconde embaixo da ponte e te espera passar para atacar.

O que aconteceu foi que dois ou três camaradas, que eu nunca vi mais gordos na minha vida, entraram de sola no meu post, me criticando e até ofendendo. Resumo da ópera, acabaram bloqueados. Antes de apagar as agressões inconvenientes deles, percebi que um dos trolls havia escrito algo na linha: "você é um ditador, se não quisesse que pessoas que não te conhecem viessem interagir no seu post, marcasse ele como privado aos seus amigos, não como público."

Hum, interessante. Imaginem a seguinte situação: você está no restaurante com sua família e amigos. Começam a falar animadamente sobre futebol. Sua mãe fala "o melhor time do mundo é a Portuguesa de Ilha!" ao que você responde "não, o melhor é o Campo Grande Atlético Clube!"

Então do nada aparece um desconhecido alcoolizado que estava sentado na mesa do lado se levanta e fala aos berros na sua direção: "VOCÊ ESTÁ MALUCO?! O CAMPO GRANDE É UM TIME DE MERDA! VOCÊ NÃO SABE O QUÊ ESTÁ FALANDO, SEU IDIOTA!!!"

Peguei pesado? Creio que não. A comparação é cabível. Se eu escrevo algo e coloco de forma pública na internet, tenho tanto direito de pedir que pessoas inconvenientes se retirem quanto o bêbado que odeia o glorioso galo da zona oeste, o Campo Grande AC.

A ideia de que o facebook é um grande forum aberto de ideias livres é idiota. Todo mundo censura alguém ou algo a qualquer momento. E é por isso que existem fóruns com moderadores, onde aí sim estas ideias podem ser discutidas livremente, desde que as regras do fórum sejam respeitadas.

Agora, trolls desconhecidos me agredindo aleatoriamente? Por favor, podem passar longe. No golpe da sua ponte eu não caio não.

Open Letter to Bushiroad

Today I'll make an exception and write a post in English. Like its title, this is an open letter to Bushiroad.

Most people will not be aware, but this is a company which manufactures and distributes collectible card games, which are similar to Magic: the Gathering, Pokémon and other CCGs. Among Bushiroad's products, perhaps the most popular worldwide is Cardfight! Vanguard. Even though I'm a Magic TG player for almost 21 years, in early 2015 I've decided to give this relatively new game a chance and immediately loved it. Great engine, amazing card art and quality. It just had it all.

One of the aspects which lured me into the game was that our local community of Cardfight! Vanguard players in Niterói (a suburb of Rio de Janeiro) is thriving with great minds, enthusiasts and overall, really nice and cool people. I must admit that moving most of my available gaming time from Magic TG to Vanguard was due mostly to being severely disappointed with the local Magic community, flooded with players who would cheat even to win the smallest prize. In Vanguard I got to learn a new and exciting game, but also make new friends, which was refreshing.

With a pool of almost 40 local players and a regular attendance in our weekly tournaments between 12 and 15 players, we decided to push for being included in Bushiroad's organized play system - in other terms, become officially recognized as a place where the real action happens, find our place under the sun. Every week we eagerly checked tournament news from other countries and think: "Why hasn't Brazil been included in Bushiroad's map?" Therefore a large number of players decided to contact Bushiroad, with the support of our local shop owners, who also tried to reach Bushiroad several times.


Well, they didn't even reply one single e-mail. Yes, talk to me about great customer service.

But the most shocking news came last week when Bushiroad announced that 3 Brazilian shops would host official organized play sessions. Even though I'm happy for my friends from Fortaleza (2.6m habitants), Goiania (1.4m habitants) and Patos de Minas (147k habitants), these news left me fuming with anger. I don't mean to be depreciative of my beautiful country, especially to those cities, but these are much smaller places compared to Rio de Janeiro's metropolitan area of 12m habitants.

Why can't Bushiroad see the potential our region has? Why can't Bushiroad reply to our messages and e-mails? And why did Bushiroad establish contact with some local shops, but basically ignored others?

I do not intend to stop playing Cardfight! Vanguard, but until Bushiroad is able to provide a suitable explanation or satisfaction to their own customers, I will wage open criticism against them in any form of media available to me, and call upon my friends to join me in this task.

Shame on your, Bushiroad. As a company, you dishonor this beautiful game and its amazing community.