Otávio era um homem bastante viajado, alguns diriam. Outros alegam que ele não é capaz de parar em casa porque odeia sua esposa. A verdade é que sua empresa exige que ele visite várias locações operacionais diferentes, o que o obriga a viajar para fora pelo menos duas vezes todo mês. A maior parte das missões envolve passar não mais do que cerca de três dias em uma cidade, então ele retorna ao Brasil. A rotina de viver em aeroportos e dentro de aviões transcontinentais é cansativa porém recompensadora, pois se havia algo com o qual Otávio jamais se preocupara era dinheiro. Além disso, ele sempre conseguiu ótimos prêmios graças à milhagem acumulada.
Certa vez ele foi enviado até uma pequena cidade na Noruega chamada Høyland. Não passava de um vilarejo a cerca de trinta minutos de carro ao sul do Aeroporto de Solas. O taxista não falava muito inglês e Otávio não sabia mais do que algumas palavras em norueguês, mas na verdade os cabelos escuros e pele morena do motorista denunciavam que ele deveria ser qualquer coisa menos escandinavo. A descoberta de uma pequena bandeira da Turquia presa no painel atrás do volante explicou tudo. O endereço da pequena fábrica de alimentos enlatados deveria ser suficiente para que ele se guiasse, mas a viagem acabou demorando um pouco mais devido às paradas para solicitar informação.
Após receber as notas de coroas norueguesas com uma boa gorjeta o taxista sorriu e disse: "takk og hat det bra". Otávio fez sinal para que ele esperasse ali, pois a visita não deveria demorar muito. Bateu na porta da fábrica e tocou a campainha por cinco minutos, mas ninguém apareceu. Olhou para o relógio e percebeu o quão tolo havia sido - era domingo. Obviamente a fábrica estaria deserta. Voltou ao taxi e pediu para ser deixado em um bom hotel. "Bra hotel", disse devagar. Deixou o motorista levá-lo até a cidade de Sandnes, não muito longe dali, onde encontrou um hotel de renome internacional com vagas.
Seu quarto não era luxuoso, porém com adequado conforto. A televisão o confundia e ele não estava com paciência para conferir suas mensagens no laptop, logo decidiu dar uma chance à academia de ginástica. Após mais ou menos uma hora voltou às suas acomodações, pediu um sanduíche de frango ao serviço de quarto, leu parte do livro que iniciou durante o vôo e finalmente sentiu todo o peso do jet lag cair violentamente na sua cabeça. Antes de apagar só teve tempo para ajustar o despertador de forma que não perdesse a hora no dia seguinte.
O advento da manhã fez com que levantasse preguiçosamente. Vestiu-se, arrumou sua pequena mala de viagem e desceu para comer o café-da-manhã. O restaurante do hotel já estava apinhado de gente, mas ainda assim ele conseguiu fazer um prato com calma - pegou um copo de suco de laranja e botou dois croissants no prato. Lambuzou os pães abertos com manteiga de laranja e então deitou algumas fatias de presunto de parma entre as duas metades de cada um deles. Saboreou o sanduíche exótico para o padrão brasileiro com bastante prazer, deixando cada elemento se desfazer dentro da sua boca lentamente.
Após pagar rapidamente a conta do hotel pegou suas coisas e chamou um taxi. Desta vez o motorista falava um bom inglês, então pediu para ser levado novamente a Høyland. Como desta vez já estava ciente do melhor caminho, chegaram lá em pouco tempo. Pediu que o motorista o esperasse e foi à porta da fábrica. A recepcionista loira com pele quase translúcida o atendeu em norueguês com um sorridente "God dag" e rapidamente percebeu que o brasileiro não era familiar com sua língua. A moça estava na casa dos vinte anos e ele achava, era bastante bonita. Seu tipo de beleza era bem comum na Noruega, aquele tipo de mulher que se vê em cada esquina, porém para o homem acostumado com as beldades bronzeadas e temperamentais do Rio de Janeiro, a humilde recepcionista era tão exótica quando os croissants com manteiga de laranja e presunto de parma que ele comeu no café-da-manhã. Otávio pediu para conversar com o Sr. Per Morken, presidente da fábrica, anunciando a verdade: que era aguardado.
O caminho até o escritório do Sr. Morken mostrou todo o ócio da fábrica: o maquinário parecia não ter sido ligado há anos e as pequenas baias escondidas atrás de paredes de acrílico reforçado transparente não tinham mais computadores nem pessoas ocupadas. O chão precisava de uma boa faxina, ele tinha certeza disso. A fábrica inteira precisaria de uma ótima e completa limpeza, para ser sincero. A simpática moça bateu numa porta afastada das outras e envolta por uma parede de madeira e fórmica pintada. A porta foi aberta por um homem alto usando terno preto. Ele tinha cabelos castanhos e uma barba rala. Otávio entrou na sala, deixando a recepcionista para trás e então encontrou outro homem de terno preto de pé na sua frente. Poderia-se dizer que ambos eram irmãos gêmeos, se este não tivesse o cabelo dourado e o rosto bem barbeado.
À sua esquerda, sentado numa mesa, estava o grisalho e sisudo Sr. Morken. Otávio sentou-se na cadeira à sua frente e eles começaram a discutir os termos da aquisição. Vários papéis foram lidos e números rejeitados. A reunião parecia se estender por horas e de fato isto aconteceu, pois a recepcionista ocasionalmente trazia uma jarra d'água para o escritório e rapidamente se retirava. Otávio olhou seu relógio e percebeu que já era quase meio-dia, então lembrou-se das instruções do seu diretor - se não chegassem a um meio termo rapidamente, as negociações deveriam ser encerradas definitivamente. Levantou-se e pediu licença para ir ao banheiro, a qual foi prontamente cedida por seu anfitrião. Um pouco antes de fechar a porta da sala atrás dele, Otávio tirou do bolso o pequeno frasco de fibra de carbono contendo cianeto de hidrogênio em altíssima concentração. Com um rápido movimento circular com o polegar e o indicador, abriu a válvula reguladora do frasco e jogou-o dentro da sala, segurando a porta atrás dele. Em menos de cinco segundos ouviu os três corpos envenenados tombando no chão.
Retornando à recepção, seu coração quase se partiu. Estrangular a jovem recepcionista foi uma tarefa totalmente desprovida de prazer profissional, pois ele realmente tinha simpatizado com ela. Sentiu a alva e delicada pele do pescoço retorcer-se até a vermelhidão rígida enquanto seus belos olhos azuis fitavam-no perplexamente mortos. Deitou o corpo dela gentilmente no chão, disposto de uma forma serena e calma. Buscou a mala que havia deixado atrás do balcão sob a guarda da moça e se amaldiçoou novamente, pois percebeu que realmente tinha gostado bastante dela.
O taxi ainda estava em frente à fábrica, esperando pacientemente com o taxímetro rodando. Uma pequena fortuna aparecia no display, mas Otávio tinha orçamento suficiente para estas despesas. O lucro que sua empresa teria com o desativamento total das operações de Høyland cobria tudo e ainda permitia uma pequena excentricidade. Ao chegar no aeroporto fez o check in com uma atendente norueguesa que, surpreendentemente, falava português, pois segundo ela já havia morado no Brasil. Entretido pelo encontro aleatório, foi para a loja duty free e comprou um enorme alce de pelúcia para sua filhinha de quatro anos - tinha certeza que ela adoraria o novo amigo. Para sua esposa comprou um doce perfume de uma grife francesa bastante famosa. Otávio olhou para as compras com carinho e refletiu que, no fundo, apesar da vida cheia de situações e pessoas exóticas, não era capaz de viver sem o seu brasileiríssimo pão com margarina e mortadela.
17.7.08Um dia para ser lembrado...Conquistamos nosso primeiro Darwin Award! Foi não apenas a votação mais expressiva já registrada por Darwin (33981 votos), mas também a maior nota de todos os tempos (9,6). Agora que já temos o maior, melhor e mais incrível prêmio Darwin de todos os tempos, só nos falta... Ehr... Todo o resto.
http://www.darwinawards.com/darwin/darwin2008-16.html
Balloon Priest
2008 Darwin Award Nominee
Confirmed True by Darwin
(20 April 2008, Atlantic Ocean, Brazil) In 1982 Lawn Chair Larry, beloved survivor of a Darwin Award attempt, attached 45 huge helium balloons to his comfortable Sears lawn chair, packed a picnic lunch, and cut the tether. But instead of drifting lazily above the Los Angeles landscape, the combined lift of 45 weather balloons rocketed Larry into LAX air traffic lanes 16,000 feet above sea level. Astoundingly, he survived the "flight."
In homage to Larry's whimsical adventure, a Catholic priest recently ascended towards heaven on a host of helium party balloons. Adelir Antonio de Carli, 41, was attempting to set the world record for clustered balloon flight to publicize his plan to build a spiritual rest stop for truckers.
Spending more than 19 hours in a lawn chair is not a trivial matter, even in the comfort of your own backyard. The priest took numerous safety precautions, including wearing a survival suit, selecting a buoyant chair, and packing a satellite phone and a GPS. However, the late Adelir Antonio made a fatal mistake.
He did not know how to use the GPS.
The winds changed, as winds do, and he was blown inexorably toward open sea. He could have parachuted to safety while over land, but chose not to. When the voyager was perilously lost at sea, he prudently phoned for help. But rescuers were unable to reach him since he could not use his GPS! HE struggled with the control panel as the charge on the satellite phone dwindled.
Instead of a GPS, the priest let God be his guide, and God guided him straight to heaven. Bits of balloons began appearing on mountains and beaches. Ultimately the priest's body surfaced, confirming that he, like Elvis, had left the building.
The kicker? It's a Double Darwin. Catholic priests take vows of celibacy. Since they voluntarily remove themselves from the gene pool, the entire group earns a mass Darwin Award. Adelir Antonio wins twice over!Escrito por Bart Rabelo @ 7:48 PM |
28.6.08Carta de um petroleiro ao Sr. Paulo AntunesComo muita gente sabe, trabalhei em Macaé de 2002 até o início deste ano. Convivi com muita gente boa por lá e com muitos pulhas e canalhas também. Todo mundo sabe, ou deveria saber, que a situação política na cidade é ridícula - eles vivem sob um coronelato que mantém a região com braço-de-ferro. A desonestidade e corrupção dos políticos é publicamente notória e mesmo assim ano após ano eles se elegem, ao passo que a cidade vai se destruindo e deteriorando aos poucos (as poucas obras urbanísticas que valem ser mencionadas são feitas em convênio com a Petrobras, ou seja, a estatal é que paga tudo e os políticos colhem os louros da vitória). A carta abaixo resume o espírito que todo cidadão macaense deveria ter, se estiver de olhos abertos para a realidade sombria da cidade. Claro, não podemos esperar que todos sejam espertos o suficiente para enxergar o óbvio, sem contar que ainda existem aqueles que gostam de fazer parte do esquema.
Bart
CARTA DE UM PETROLEIRO AO SR. PAULO ANTUNES
A/C.: Sr. Paulo Fernando Martins Antunes
Partido do Movimento Democrático Brasileiro
Líder do Governo Riverton Mussi na Câmara Municipal de Macaé-RJ
Sr. Vereador,
Sou macaense, casado há 29 anos, pai de 2 filhos e há 16 anos trabalho em plataformas marítimas da PETROBRAS, a quilômetros e quilômetros da costa brasileira, em um trabalho muito duro, às vezes estafante, quase sempre perigoso e até hoje recompensador, não somente do ponto de vista financeiro, mas pela simples satisfação de fazer parte de uma das maiores e bem sucedidas empresas do mundo, que tem grande parcela de contribuição para o desenvolvimento dessa cidade, dessa região e, principalmente, deste país em que vivemos. Nosso trabalho rende ao município milhões e milhões de reais em royalties, que deveriam ser revertidos à sociedade e não aos bolsos de políticos corruptos e incompetentes.
A saudade da família e da esposa são sempre as maiores dificuldades durante as mais de 2 semanas que passo isolado no oceano, com água para todos os lados que a vista alcança.
No mar, Sr. Vereador, já cheguei a perder grandes amigos. Homens de verdade que perderam a vida exercendo seu ofício de forma digna e honesta. Heróis, no sentido mais amplo da palavra.
Indignado fiquei, Sr. Paulo Antunes, na última segunda-feira, quando meu filho me veio com um exemplar de um jornal local que estava sendo distribuído na faculdade dele, e que no dia seguinte todos os funcionários da sede da Petrobras também já estavam com um exemplar, observando com tamanha concentração e perplexidade que me espantou.
O senhor, Sr. Paulo, LÍDER do Prefeito Riverton Mussi na Câmara de Vereadores, governo esse que, infelizmente, confesso que ajudei a eleger, deu uma bestial demonstração de despreparo, ignorância, preconceito e desrespeito ao se referir à toda a categoria dos petroleiros e trabalhadores embarcados, usando as seguintes palavras:
'A Prostituição é um mal necessário. Pois se os cidadãos que passam trinta dias no mar não tiverem as prostitutas irão estuprar outras mulheres.'
Tal declaração seria para defender uma de suas mais brilhantes proposições, denominada 'putódromo', onde o senhor propõe a criação de uma 'Zona Franca', uma área onde as garotas de programas pudessem ser alojadas e exercer sua profissão em prostíbulos legalizados custeados pelo município. Talvez o senhor esteja querendo entrar de sócio em algum puteiro na área, quem sabe a exploração da secretaria de educação, venda de água mineral e empresas de ônibus já não estejam mais o satisfazendo.
Como se Macaé estivesse às mil maravilhas para o senhor perder tempo utilizando a tribuna da nossa Câmara para propor projetos desta natureza.
Com todo respeito Sr. Paulo, mas o senhor é um completo imbecil. Não confunda a numerosa e dedicada categoria profissional dos petroleiros e trabalhadores off-shore com os bandidos que o senhor está acostumado a lidar e conviver em sua profissão. Diferente do senhor e do seu prefeito, nós sim somos providos de competência, caráter e princípios éticos e morais, coisas que os senhores certamente nunca ouviram falar. Amamos nossa cidade, nossas esposas e nossos filhos, e por eles não medimos esforços pela garantia de um futuro melhor. Diferente do que o senhor pensa, não somos estupradores nem tarados. Gostaria de comunicá-lo que os principais sindicatos dos petroleiros e trabalhadores marítimos já estão de posse da ata da sessão legislativa do dia 05 de junho, onde está registrada vírgula-a-vírgula as suas ofensas, Sr. Paulo, na qual o senhor será processado judicialmente por suas infelizes declarações.
Para completar ainda mais a minha indignação, o seu colega petista MAXWELL VAZ, sequer esboçou uma palavra em defesa da nossa categoria, preferindo o silêncio e a omissão diante de tamanha falta de respeito. Que vergonha, hein seu Maxwell... Logo você que já foi petroleiro, acompanhou de perto nossa luta e nosso trabalho. Você não passa de um traidor barato que virou as costas aos seus companheiros em troca de grana, cargos e secretarias neste governo deplorável. Você SIM, Maxwell, deveria trabalhar no putódromo' do vereador Paulo Antunes, pois tenho certeza que você exerceria com louvor suas aptidões de prostituta mercenária a qual você mostrou ser. Cuidado... Uma hora a casa pode cair e essa mamata pode acabar... E quando as regalias acabarem, você terá que voltar para as plataformas com os outros 'estupradores'.
Portanto Senhores, peço que parem de brincar de prefeito e vereadores, coloquem a viola no saco, tirem seus times de campo e abram espaço para pessoas mais capazes e bem intencionadas que os senhores, que tenham projeto político e não apenas ganância desmedida de ganhar diheiro às custas do povo, pois já passou da hora de vocês desinfetarem nossa Câmara e nossa Prefeitura das suas presenças repugnantes.
Sem mais.
Macaé-RJ, 22 de junho de 2008
Apenas um
Petroleiro Arrependido.Escrito por Bart Rabelo @ 1:48 PM |
4.6.08Vintage: A Festa do Povinho (em suma, voltei!)
Olá pessoal. Pouca gente está sabendo, mas após cerca de 7 anos morando longe de "casa", voltei para o Rio de Janeiro / Niterói. Decidi comemorar este fato tão feliz numa festa de arromba! Vejam os detalhes no texto abaixo - espero todo mundo lá, para celebrar este momento único para mim.
Nos vemos na Vintage: A Festa do Povinho! :D
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Vintage
A Festa do Povinho
Venha para uma noite de curtição e muita música boa com a festa Vintage: A Festa do Povinho.
O melhor da música, dos anos 60/70/80/90, nas mãos de DJs que vão agitar a pista com muito rock, pop e dance:
Bart Rabelo
Bonham
Crang
Duim
Flavio Cobain
KK Leporace
Lulu
Windblow
Os 30 primeiros a chegarem na festa ganharão um CD com as músicas favoritas dos DJs. Não perca!
Serviço:
Vintage - A Festa do Povinho
Data: 20/Junho (sexta-feira)
Horário: a partir das 23:00 hrs
Local: Espaço Marun
Endereço: Rua do Catete, 124 (Próximo à saída do metrô)
R$ 10 reais (entrada até a meia-noite)
R$ 12 reais (após meia-noite, com nome na lista ou com flyer)
R$ 15 reais (após meia-noite, sem flyer)
Inscrição na lista de desconto: envie um e-mail para bartrabelo@gmail.com com seu nome/sobrenome e de seus amigos.
Link para imprimir o flyer: http://www.vintage.bartrabelo.com
Informações sobre a festa: (21) 8675-1795 [Bart] / bartrabelo@gmail.com
Informações sobre o local: (21) 2558-3431 / 2225-7951
Comunidade no orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=55679213Escrito por Bart Rabelo @ 10:47 PM |
4.4.08Black Label Society + Ozzy Osbourne
Gosto de fazer como Jack o Estripador e ir por partes, ou seja, tópicos.
Local:
Apesar do fato de ser longe do resto da civilização, as instalações da Rio Arena (agora HSBC Arena) são boas. A disposição do palco com relação à pista e à arquibancada parecia dar um bom ângulo de visão para todos os presentes. O grande problema é que a pista só tem um nível (não tem degraus como o Credicard Hall, o Canecão e a Fundição Progresso), então mesmo as pessoas de menor estatura que ficam nela não conseguem ver o show direito, independente de ondem estejam - perto ou longe do palco. A segurança poderia ser sido um pouco mais rígida, e o estoque de refrigerantes e água acabou rápido demais.
Caravana:
Peguei uma caravana saindo de Niterói, organizada pela Sra. Solange. Apesar o ônibus luxuoso e confortável, e absoluta falta de organização e respeito da organização desta caravana fizeram com que eu perdesse metade do show da Black Label Society, a principal razão para eu e minha mulher comprarmos nossos ingressos do Festival. Para piorar, após o final do evento, o ônibus ficou dando voltas e mais voltas, somente chegando em Niterói às 3:10 hrs da madrugada. Péssimo para quem trabalharia no dia seguinte, precisando acordar às 06:00 hrs, impreterivelmente. Todavia, escrevo este relatório durante meu horário de almoço. Não há sono que uma caneca gigante de café não cure. Para os desavisados, sugiro que jamais peguem uma caravana organizada por este grupo. Foi minha primeira viagem com eles e também a última - pelos comentários no ônibus de madrugada, eles perderam uma grande quantidade de clientes, numa patuscada só. Deprimente.
Black Label Society:
O Sr. Zakk Wylde sabe muito bem o que faz quando sobe no palco, assim como sua banda. Todos eles tem uma ótima presença e tocam com exímio profissionalismo, interagindo com os fãs, agitando e exibindo técnica, com bastante equilíbrio entre todos os quesitos já mencionados. Foi realmente uma pena o show ter sido tão curto, tão pequeno - praticamente um pocket show - pois a Black Label Society era há muito aguardada pelos seus fervorosos fãs, que ficam insatisfeitos com a programação. Tantos anos de espera, para assistir algo que apenas deu um "gostinho", mas não serviu sequer como entrada.
Korn:
Se o prato principal da noite seria o show do Ozzy, o Korn foi o responsável pela entrada. Já disse diversas vezes que eu não gosto do Korn, nunca gostei, mas assistiria o show deles com o coração aberto. O resultado? Fiquei sentado com a minha mulher e um amigo, irritado com a música deles e a longa duração do show. A produção do evento poderia, ou deveria, ter estendido o show da Black Label Society, e reduzido um pouco o do Korn. Não digo que odeio a banda, pois "ódio" é um conceito muito forte e perigoso, mas com certeza desprezo a música deles com mais afinco desde ontem. Para piorar, o Korn com seu som estridente e irritante conseguiu estourar as caixas de agudos e os retornos do palco, tornando a vida da próxima banda muito difícil.
Ozzy:
Ele realmente é o Madman. Mesmo com a idade avançada, a deterioração da saúde pelos problemas passados com drogas, álcool e toda a ridicularização de sua imagem na mídia ao longo da última década, Ozzy é um gigante no palco. A banda de suporte também é excepcional, pois Zakk Wylde, Rob Blasko e Mike Bordin dispensam apresentações. Adam Wakeman foi uma grata surpresa, como já era de se esperar (uma questão de dinastia). A banda enfrentou graves problemas, pois em especial o Zakk não tinha retorno algum do som da sua guitarra, o que o obrigou a passar bastante tempo de costas para a platéia, grudado na parede de caixas Marshall. Ok, todo mundo dirá que seu solo foi uma chatice sem tamanho, e eu concordo. Usou padrões bem simples, não inovou, não surpreendeu, demorou demais. Mas quem ouviu sua guitarra ao longo do show inteiro não pode criticá-lo, foi impecável. Já o Ozzy... Bem, todo mundo já ouviu boatos de que ele canta com um playback dos vocais "por baixo", mas ontem de noite isso foi totalmente escancarado. Em vários trechos, especialmente durante "Mr. Crowley", os vocais do Madman ficaram sobrepostos, criando um "eco" estranho e fora de compasso.
Melhor momento:
Ozzy estava visivelmente empolgado com a platéia, mais até do que o normal. Ele não é ator, dava para ver a felicidade estampada na cara do roqueiro quase sexagenário, de encontrar um público tão disposto e empolgado para reagir a cada um de seus movimentos. Então ele decidiu mudar o roteiro e tocar "No More Tears". Quem vem acompanhando esta turnê do Ozzy, sabe que ele não tem tocado este clássico, e isso tanto é verdade que antes de começar a música a produção levou um bom tempo para achar o efeito de video correto a ser usado no telão (e provavelmente o backtrack para os vocais do Ozzy). Foi perfeito.
Pior momento:
No final do show, imediatamente antes de tocar o solo de Paranoid, o Zakk Wylde jogou sua guitarra (ver foto acima) para a platéia, como é tradicional nas apresentações do fiel escudeiro berserker. Na hora da platéia devolver a guitarra, isso não aconteceu. Então ele desceu do palco para pedir a guitarra de volta, e isso não aconteceu. Eis que o Zakk resolve partir pra porrada, para tentar reaver a guitarra. Os seguranças da HSBC Arena e da banda agiram o mais rápido possível, e conseguiram recuperar a guitarra, destruída e com o headstock partido. Então Zakk, puto da vida, pega a guitarra quebrada e a joga no chão, com violência. Só posso definir meu sentimento como a mais pura e insólita vergonha. Brasileiro não sabe se comportar em público, isto é fato. Ainda tive que ouvir comentários de cretinos me dizendo coisas como "essas guitarras não fazem falta, ele tem várias", "essas daí ele ganha de graça", ou o pior, "ele foi burro de achar que negozinho devolveria a guitarra". Não, o Zakk não foi burro, ele tentou interagir com o público, como faz em todos os lugares nos quais toca. Aqui no Brasil, graças a um grupo de retardados que pararam num estágio inferior ao do Homo Sapiens na cadeia de evolução, ele nunca mais tocará com o mesmo gosto e desenvoltura que ontem pudemos observar na HSBC Arena até o momento do incidente. Citando Bóris Casoy, isso é uma VERGONHA.
Saldo da noite:
Não valeu a pena pagar R$ 180,00 mais R$ 36,00 de taxa de conveniência para ver um show minúsculo da Black Label Society, aturar mais de uma hora de Korn, e ainda ver meus irmãos brasileiros se prestando a um papel tão ridículo e vergonhoso. Foi caro demais, e não consigo ter aquele sentimento de satisfação e felicidade típicos que se tem após assistir um show de uma banda da qual sou grande fã. Foi estranho e triste, simplesmente isso.Escrito por Bart Rabelo @ 12:03 PM |
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