17/01/2007

Recordar é viver: "Sobre comida e relacionamentos"

Escrevi o texto abaixo em Outubro de 2005. Como agora estou fazendo uma dieta de carboidratos (low carb), foi impossível não lembrar dele.

Ah, e a dieta de um ano e três meses atrás não deu certo, só ganhei mais peso. Isso te faz pensar...


Entrei numa onda light. Diet, fat free, low carbs, e todos os outros termos em inglês que se possa usar para uma expressão brasileira bastante comum: está na hora de perder banha. Fui ao supermercado comparar informações nutricionais, preços e marcas. Acabei comprando bastante coisa. Ao invés de salame italiano, mortadela de frango. Ao invés de maionese, maionese sem gordura (e sem gosto). E para substituir as deliciosas macarronadas, pão light. Era só o que me faltava.

Pior ainda foi a tentação que sofri ao passar na seção de frios, quando um pacote de Copa ficou olhando pra minha cara e dizendo "me leva pra casa, garotão". Logo em seguida um belo pedaço de queijo gorgonzola parecia sussurar "me come, me joga na parede, em cima da pizza, me chama de muzzarela". Olhei para o queijo com bastante carinho e afeto, porém quem acabou na minha mão foi o insosso queijo minas. Light.

Chegando em casa, decidi que o primeiro passo seria guardar os "alimentos" (note-se as aspas) na geladeira. Seria uma hora difícil, mas não dava pra adiar. Abro a porta e lá está ele, meu companheiro de casa, amigo, confessor das horas noturnas avançadas e a única criatura viva com quem aceito de bom grado compartilhar o que chamo de "lar". De todos os solitários no mundo, apenas ele, em sua estranha aparência, seria capaz de me entender:

Um queijo Parmesão que virou Roquefort.

- Olá queijo.
- Buon giorno, signori!
- Já te disse para abandonar esse sotaque italiano...
- Desculpe monsieur, às vezes esqueço que virei Roquefort.
- Maravilhoso o processo de transformação ao qual um queijo pode passar, não?
- Você parece nervoso, mon amie. Aconteceu algo?
- Hum... Não sei como vou te contar isso.
- Apenas fale, mon amie. Pode desabafar.
- Estou de dieta.
- Non...
- Sim. E estes aqui serão seus novos colegas de quarto. Conheça a Maionese Light, a Margarina Light, a Mortadela Light, o Hamburguer Light, o Refrigerante Light...
- Espere, espere... Eles são todos da mesma família? Pois tem o mesmo sobrenome!
- Não... Isso significa que eles tem poucas calorias, e menos gordura.
- Mas comida que não engorda não é divertida!
- Eu sei.
- Com quem vou conversar, me divertir quando você estiver trabalhando, monsieur?
- Eu trouxe sua prima, Ricota.
- Ricota? Mas ela não tem graça nenhuma, é uma chata! Qualquer um enjoaria dela em questão de minutos!
- Sim, isso é verdade.
- Por acaso você me consultou antes de fazer isso?
- Mas é preciso, Roquefort. Minha namorada já está reclamando.
- "Aquelazinha"? Você não precisa dela, eu já estou em sua vida!
- Sinto muito... Acho que é o fim para nós dois.
- O que você está fazendo? Vai me jogar na lixeira, acha que é fácil assim terminar um relacionamento?
- Desculpe, se você não é capaz de me compreender, já não há mais espaço pra você na minha vida...
- O lixo não, o lixo não!!!...

É difícil dormir com um peso tão grande no coração. Amizades vem e vão, mas as pessoas não deveriam confundir tanto as coisas. Adeus Parmesão-Roquefort... Adeus, meu bom amigo.

29/11/2006

Avatar F.C. se consagra campeão da VI.227!

Finalmente, pela primeira vez em toda a sua existência, o glorioso Avatar Football Club sagrou-se campeão! A conquista foi alcançada após a segunda temporada no grupo VI.227, e rendeu a tão sonhada promoção para a quinta divisão, no grupo V.102. Estatísticas do grupo do Avatar podem ser alcançadas clicando aqui. Para quem gosta de estatísticas mais completas, ou é fã da vitoriosa esquadra azul-e-branca, seguem os dados da equipe ao longo da atual temporada:






Obrigado a todos que apoiaram o time ao longo desde último ano, em especial os conselheiros de honra do clube, Fabão e Bruno Litio. Aos poucos vou aprendendo mais sobre o jogo, e farei tudo o que for possível para obter um bom resultado na quinta divisão! Go Avatar!

05/09/2006

Convidado especial: "O Corvo"

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!


Fernando Pessoa

* Traduzido de "The Raven", de Edgard Allan Poe, ritmicamente conforme com o original.

26/05/2006

Sexo virtual na internet? Use camisinha eletrônica.

Este texto foi retirado do UOL, e vou divulgar para ver se meus amigos e amigas param de cair nesses truques baratos de hackers.

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Está circulando pelo Orkut uma praga que é capaz de enviar scraps (recados) automaticamente para todos os contatos da vítima na rede social, além de roubar senhas e contas bancárias de um micro infectado através da captura de teclas e cliques.

Apesar de que aqueles que receberem o recado precisam clicar em um link para se infectar, a relação de confiança existente entre os amigos aumenta muito a possibilidade de o usuário clicar sem desconfiar de que o link leva para um worm. A mensagem enviada é a seguinte:

Dá uma olhada nas fotos da nossa festa, ficaram ótimas. [link malicioso]

Ao clicar no link, um arquivo bem pequeno é baixado para o computador do usuário. Ele se encarrega de baixar e instalar o restante das partes da praga, que enviará a mensagem para todos os contatos do Orkut.

Além de simplesmente se espalhar usando a rede do Orkut, o vírus também rouba senhas de banco, em outras palavras, é um clássico Banker. Bankers são muito comuns no Brasil e chegaram em segundo lugar no top10 das pragas mais ativas em abril, de acordo com o que a Linha Defensiva observou no fórum.

É raro que um Banker inclua rotinas para se espalhar para outros sistemas, mas isso está ficando cada vez mais comum com as pragas que enviam mensagens pelo MSN e agora com este worm que envia automaticamente os recados para o Orkut.

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FERRAMENTA DE REMOÇÃO

Devido ao grande número de casos que foram avisados à Linha Defensiva, estamos disponibilizando uma ferramenta de remoção capaz de remover a praga do sistema. A ferramenta pode ser baixada através do seguinte link:

http://linhadefensiva.uol.com.br/dl/orkut-fotos-festa

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Basta executar a ferramenta, confirmar sua execução pressionando qualquer tecla e esperar a mensagem dizendo que tudo ocorreu bem. Depois de terminar de executar a ferramenta, a pasta C:\LinhaDefensiva\ pode ser removida para terminar a limpeza do micro.

Para evitar infecções como essa, é recomendável que você jamais clique em um link enviado por qualquer meio, incluindo Orkut, MSN e e-mail, sem antes confirmar com o remetente que o mesmo enviou o link.

Assim como perfis no Orkut podem ser comprometidos, mensagens no MSN podem ser enviadas por vírus e, no caso de e-mail, o campo ?De? das mensagens pode ser facilmente falsificado. É importante que você fique sempre alerta e desconfie para evitar infectar o seu computador.

Falta de tempo, satisfações devidas

Há muito tempo atrás cheguei à conclusão de que eu deveria escrever neste blog para mim mesmo, e não para as pessoas. Se alguém eventualmente lê o que eu escrevo, e comenta, fico muito feliz, pois significa que faço algo capaz de captar a atenção de outras pessoas, mesmo que de forma aleatória.

Agora devo me desculpar com meus incidentais leitores. Ultimamente não tenho tempo para escrever. Ok, meia hora por dia eu tenho. Mas é tanta coisa que passa pela cabeça, que textos como As Aventuras de Derinho Gomes ficam em segundo plano nas prioridades mentais. Em suma, não tenho mais pique para escrever.

Quem sabe, com alguma sorte, em breve ganho nova motivação para dedicar parte da minha atividade cerebral para continuar com o Derinho, ou escrever outros textos. Porém no momento, não exijam mais do que uma mente de formiga de mim - preciso descansar, preciso de tempo, preciso de paz. Dinheiro também ajudaria.

Beijos e abraços.

27/12/2005

O Sentido da Vida

Ao longo dos séculos, os maiores sábios do universo divagaram, pensaram, pensaram, e pensaram tanto que morreram de velhice ou inanição. Então vieram comediantes, e nos forneceram interessantes teorias, com certeza muito mais próximas da grande verdade universal do que os pensamentos tediosos dos sábios que já viraram poeira.

No início da década de oitenta os membros do grupo de comédia inglês Monty Python se reuniram novamente, para fazer um filme. E eles nem sabiam por onde começar. Eventualmente, por não saberem exatamente o que fazer, decidiram fazer um filme que explicasse o "sentido da vida", e quase chegaram lá. Na verdade eles não falaram coisa com coisa durante todo o filme, mas tem várias piadas legais, e rir faz bem pro coração, o que pelo menos é capaz de prolongar mais sua vida do que sentar para pensar.

Talvez eles tenham sido motivados pela excelente tentativa anterior de seu amigo Doug Adams, que no final da década de setenta escreveu "O Guia do Mochileiro das Galáxias", que dá uma resposta simples e sucinta para o sentido da vida, do universo e tudo o mais: 42. E claro, imaginando que "42" é a resposta para todos os grandes mistérios, desde então vários sábios se reuniram para refletir, refletir, refletir e refletir mais ainda, mas não chegaram a uma conclusão definitiva, afinal de contas, "42" é um abstrato demais para a mente humana.

Poucos anos atrás, surgiu uma empresa chamada "Google". Seu objetivo, dizem eles, é permitir que você tenha acesso À informação que procura, o mais rápido possível. Então, será que isso significa que a Google é capaz de descobrir o significado oculto por detrás de "42", ou simplesmente, o sentido da vida? De acordo com Andréa Dias sim.

"O dia em que a Google tiver o mundo, ninguém mais vai dizer 'quero me encontrar'... Será o fim das crises existenciais", disse a minha amiga. Perceba-se o tom profético destas palavras! "Eles vão descobrir o sentido da vida". Eles podem. Eles vão. A Google tem as ferramentas necessárias, então porquê não botam mãos à obra? Fica lançado aqui o desafio, em inglês e português, para que o big brother Google descubra nossas intenções e inicie os trabalhos o mais rápido possível:

Oh Google, can thou tell us what is the "meaning of life"?

Ó Google, podes nos dizer qual é o "sentido da vida"?


No mais, aguardamos ansiosamente a resposta. Não digo que ela vá adiantar de nada, vai que a gente descobre que o sentido da vida é "tem a capacidade de ver a cor vermelha". Isso seria horrível. Mas pode ser algo divertido, legal, quem sabe até útil.

29/11/2005

RPG Inocentado

Não é preciso dizer que não concordo com todo o conteúdo do texto abaixo, de autoria da Editora Daemon. Eu desprezo esta editora e os editores/escritores responsáveis por ela, mas concordo com a maioria dos pontos citados. É fato que a intolerância contra jogadores de RPG vem gerando pensamentos intolerantes por partes deste jogadores, e isso é errado. Mas vamos nos ater aos fatos e às provas - vale a pena ler a carta com cuidado e carinho. Afinal de contas, eu jogo RPG e não estou fazendo nada de errado. Quem quiser uma cópia da carta, basta me mandar um e-mail. Abaixo a intolerância cultural e religiosa!


Carta aberta à mídia.

Peço a todos os jogadores de RPG que copiem este texto em seus blogs, sites, flogs, comunidades do orkut e onde mais puderem, pois não seremos mais usados como bodes expiatórios por delegados ineficazes, pastores evangélicos, vereadores oportunistas e jornalistas incompetentes. O texto abaixo dá nome aos bois: às vítimas, aos assassinos e aos oportunistas que usaram os crimes para se promoverem. Chega de notícias distorcidas, incompletas e tendenciosas.

TERESÓPOLIS
Em 14 e 20 de Novembro de 2000, na cidade de Teresópolis (RJ), duas garotas de 14 (Iara dos Santos Silva) e 17 (Fernanda Venâncio Ramos) anos foram estupradas, torturadas e estranguladas com um intervalo de seis dias entre os crimes.

Sônia Ramos, 42, madrasta de Fernanda, a segunda vítima, levantou a suspeita de que as atrocidades pudessem estar ligadas ao jogo por pura ignorância e desespero, porque sua filha (a VÍTIMA) era jogadora de RPG e andava na companhia de outros garotos que jogavam GURPS e Vampiro (sua alegação se baseou no fato de que sua filha andava as voltas "com pessoas que se fantasiavam de vampiros"). Inclusive a polícia chegou a prender injustamente um jogador de RPG, que não vou falar o nome porque o coitado era inocente e não merece ter seu nome publicado, mas que passou quatro dias na cadeia por causa deste absurdo.

O verdadeiro assassino das garotas, HUMBERTO VENTURA DE OLIVEIRA, de 25 anos, confessou o crime 6 dias depois da prisão do RPGista; era o jardineiro da casa e NUNCA sequer passou perto de um livro de RPG.

A imprensa irresponsável, assim como no caso famoso da "Escolinha Base", foi muito rápida em divulgar versões fantasiosas sobre o "jogo da morte", mas NUNCA publicou uma linha sequer se desculpando com os 400.000 jogadores de RPG que foram ofendidos em sua moral e prejudicados diante da sociedade.

OURO PRETO
No dia 10 de outubro de 2001, Aline Silveira Soares viajou do Espírito Santo com sua prima e alguns colegas para Ouro Preto para participar da "Festa do Doze", que é uma espécie de Carnaval fora de hora entre as faculdades da região, com R$40,00 e a roupa do corpo para passar três dias.

Segundo o laudo, Aline consumiu drogas durante o dia anterior ao de sua morte. Esta informação foi confirmada por diversas testemunhas que também participavam da festa, em Ouro Preto (testemunhas que foram solenemente ignoradas pelo delegado Adauto Corrêa após as investigações tomarem o rumo circence). Aline não tinha dinheiro e acreditou que conseguiria fugir do traficante sem pagar pela droga que consumiu, mas no dia de sua morte (14 de Outubro de 2001), foi abordada pelo criminoso no caminho de volta para a república onde estava hospedada (o cemitério fica exatamente no meio do trajeto entre o local da festa e a república). Testemunhas (que também foram ignoradas no inquérito oficial) disseram ter visto Aline conversar com um conhecido traficante da cidade na porta do cemitério algumas horas antes de sua morte.

De acordo com especialistas em crimes relacionados a drogas, Aline provavelmente teria se oferecido para ter relações sexuais com o traficante para pagar a dívida, pois as roupas da garota foram encontradas "cuidadosamente dobradas e dispostas ao lado do local do crime, sem nenhum indício de violência ou de coerção". Aline tomou o cuidado de deixar suas sobre uma das lápides, dobradas com a jaqueta por baixo, para que não sujassem.

Ainda segundo o laudo oficial da perícia técnica, durante a primeira facada que Aline recebeu, o corpo estava na posição acocorada, popularmente conhecida como "de quatro". Segundo especialistas em crimes de estupro, o traficante provavelmente teria tentado obrigar Aline a realizar sexo anal, que possivelmente foi rejeitado pela garota, resultando no primeiro golpe com a faca. O traficante, tendo ferido Aline seriamente, não viu alternativa a não ser terminar de matá-la. Para disfarçar, o assassino colocou o corpo de Aline em posição deitada sobre a lápide (pelas fotos da perícia e rastros de sangue, pode-se atestar que o corpo foi movido APÓS a sua morte) para tentar atrapalhar as investigações.

Quando o corpo foi encontrado, os policiais começaram as investigações pelos locais em que Aline se hospedou e em uma das repúblicas foram encontrados alguns livros de RPG, que o delegado, evangélico confesso, classificou como "material satanista". A partir disto, um vereador oportunista chamado Bentinho Duarte (sem partido) viu nisso uma chance de se promover realizando terrorismo psicológico e, junto com o Promotor Fernando Martins (conhecido por ter tentado proibir a distribuições de jogos como Duke Nuken e Carmagedon), moveu ação contra as empresas Devir Livraria e Daemon editora tentando a proibição de 3 títulos (Vampiro: a Máscara, Gurps Illuminati e Demônios: a Divina Comédia).

Resumindo: um crime que não teve nada a ver com RPG, mas sim com DÍVIDA DE DROGAS resultou até agora na prisão de 4 garotos injustamente (que NÃO são jogadores de RPG, fato comprovado pela mãe da vítima em depoimento ao vivo na rede Bandeirantes de TV) e um completo show de aberrações e absurdos na mídia.

GUARAPARI
Polícia Civil do Espírito Santo prendeu, na noite de 12 de Maio de 2005, dois acusados pelo assassinato do aposentado Douglas Augusto Guedes, da mulher dele, a corretora de imóveis Heloísa Helena Andrade Guedes, e do filho do casal Tiago Guedes, em Guarapari. Os corpos dos três foram encontrados amarrados e deitados em camas no dia 5 de maio. Na mesma data, eles foram sepultados.

O delegado da Divisão de Homicídios de Guarapari, Alexandre Linconl, evangélico, disse ao Portal Terra que os assassinos MAYDERSON DE VARGAS MENDES, 21 anos, e RONALD RIBEIRO RODRIGUES, 22, confessaram que eles mataram a família motivados pelo jogo, mas essa "confissão" não ocorreu imediatamente após o crime.

O crime que Mayderson e Ronald cometeram é o de LATROCÍNIO QUALIFICADO E PREMEDITADO, ou seja, mataram para roubar de uma maneira cruel e sem dar chance de defesa às vítimas, com premeditação. Esse é um crime hediondo, sendo julgado e condenado diretamente por um juiz criminal. Ambos os acusados já tinham ficha criminal (ambos estão respondendo processo por Porte ilegal de Arma).

O que o advogado de defesa da dupla estava fazendo era alegar que eles cometeram o crime influenciado pelo jogo e, com essa ação, tentar reverter o crime para Homicídio Simples, baseado no tal jogo que ninguém sabe o que é. Com isso, os assassinos iriam para um júri popular, que poderia ser muito bem influenciado por todo esse novo circo que a mídia sensacionalista armou e, jogando a culpa em cima do RPG, poderia até inocentar os "pobres coitadinhos vítimas do jogo" Mayderson e Ronald...

O que tem de ficar bem claro é o seguinte: os criminosos entraram na casa, apontaram armas para Tiago e sua família, doparam a família sob a mira do revólver, levaram o garoto até o caixa eletrônico onde roubaram R$ 4.000,00 de sua poupança e depois executaram friamente a família com tiros na cabeça, para não serem reconhecidos. A história do "RPG" só apareceu dois dias depois que os assassinos foram capturados pela polícia, sob orientação do advogado de defesa da dupla.

É bom lembrar, já que a mídia "esqueceu", que, graças à intervenção da Daemon Editora e da conversa de Marcelo Del Debbio, escritor especialista em Role Playing Games, com o delegado de Guarapari ao vivo em uma entrevista na Rede Bandeirantes de TV, o advogado de defesa da dupla abandonou o caso, deixando os dois criminosos sem advogado à espera de um defensor público.

Com estes textos, podemos começar a nos defender dos três falsos "crimes do RPG". Já está na hora destas informações serem passadas para jornalistas sérios que queiram nos ajudar a fazer a verdade aparecer.

Abraços fraternais,

Daemon Editora

21/11/2005

Equador: Sexto Dia

Primeiro, o jantar de ontem. Saí do hotel morto de fome (o restaurante daqui não abre para jantar nos fins-de-semana), passei pelo Olímpico Atahualpa (o estádio de futebol, é aqui pertinho) e achei uma pizzaria simpática. Pedi uma "tradicional" pequena (presunto, champignon, pepperoni e queijo extra). Quando aquela "coisa" chegou, me assustei: era um pouco maior que um disco de vinil. Mais uma coisa legal do Equador: aqui as pizzas são bem fartas... Não preciso dizer que não aguentei comer tudo. No caminho de volta para o hotel, finalmente senti os efeitos das alturas, pois tive que subir uma ladeira. Cheguei ao hotel totalmente esbaforido, deitei na cama e chapei.

Hoje de manhã fui trabalhar. Tive um pressentimento, e achei que era melhor ir para a base - e estava certo. Ainda havia trabalho a ser feito. Terminei na hora do almoço e voltei direto para o hotel, pois comecei a me sentir mal. Deve ser efeito retardado da vacina contra febre amarela, o fato é que não estou bem. Portanto passei o resto do meu dia verificando os e-mails do trabalho até que a rede local do hotel caísse. Fui descansar mais um pouco, e cá estou eu me preparando para o jantar e mais caminha.

Amanhã de noite volto para o Brasil. Chego na quarta-feira de manhã, tentarei ler "Eragon" no vôo. Se não tiver paciência, lerei algo do Sandman. Hasta luego.

20/11/2005

Equador: Quinto Dia

O quinto dia de viagem começa com um pequeno relato do final do quarto dia. Ontem à noite fui para um restaurante mexicano, muito simpático, e pedi um burrito. A garçonete me perguntou se eu tinha certeza, pois era "desse tamanho" (mostrou com as mãos um espaço de quatro a cinco palmos de comprimento). Eu disse que estava tudo bem... Me assustei, pois o burrito era mesmo do tamanho de um pão baguete. Horas depois, consegui terminar de comer aquela delícia, que só custou dezesseis reais - qualquer restaurante mexicano no Brasil cobra o mesmo preço por um burrito com um quarto do tamanho daquele que comi ontem.

Depois decidi que era hora de procurar alguma boite, para beber uma cerveja e ouvir o que os equatorianos gostam numa balada. Me deram o flyer de um lugar chamado "Bloom's", e lá vou eu. A entrada era apenas três dólares, e ainda dava uma bebida (cerveja, rum ou vodka) de graça. Entrei, pedi a cerveja e fiquei no meu cantinho ao lado do bar vendo a boite encher aos poucos. O lugar era pequeno, mas simpático. Bem, pelo menos o pessoal do bar - o DJ era um carrancudo mal humorado que parecia estar fazendo um favor enorme por trabalhar lá.

A balada começou com bastante electro e techno, ou seja, nada de anormal. Mas quando a discoteca ficou cheia, e isso por volta de dez horas da noite, o DJ começa a fazer uma série de viradas com uma música estranha, mas que levava todos à loucura. Era o tal de reggaeton. Imaginem uma mistura de rumba, reggae, com batidas de tambores metálicos (tradicionais do caribe) bem fortes e cadenciadas, tudo acompanhado por letras... Hum... Bastante calientes. Isso é reggaeton, e pessoalmente eu achei um lixo. Entretanto, perseverei. Algum tempo depois começou a tocar um pouco mais de electro e techno, para meu alívio. Porém mais tarde, outra surpresa desagradável.

Funk. E todos foram à loucura.

Já tinham me dito que o funk é bastante famoso aqui, por causa de alguns grupos de dança "funk" do Brasil vieram ao Equador para tentar a vida, e conseguiram. Os mais famosos são o "Tá Dominado" e o "Exporto Brasil". Eles ficaram tão famosos que o pessoal do primeiro grupo foi chamado para fazer uma novela na televisão. Bizarro, no mínimo. Outra brasileira bastante falada por aqui é uma tal de Paloma, que apresente um programa na televisão e é considerada a apresentadora mais importante do país. Obviamente, ela é muito bonita. O mais engraçado é que os equatoriano pensam que a Palomita e os grupos de dança são super-famosos no Brasil, e se decepcionam quando digo que ninguém jamais ouviu falar deles.

Depois dessa, fui embora da boite, e já era cerca de meia-noite. Peguei um taxi, e o motorista contou (para meu horror e incompreensão) que todos os bares, restaurante e discotecas tem que fechar até as duas da manhã. Pelo menos assim diz a lei. Quando conto que no Rio os bares e boites só fecham por volta de cinco, seis da manhã, os equatorianos acham que o Rio é a cidade mais segura do mundo para se divertir. Seria que se fosse assim, não?

Hoje acordei e fui para a cidade da Mitad del Mundo. Basicamente, há um parque com um monumento, por onde "passa" a linha do Equador. Ela está pintada no chão e tudo, eu tirei foto com um pé de cada lado e todas as outras bobagens que um turista faz. Mas fiquei pouco tempo lá, pois as lojas são caras - muito caras. Em Otavalo tudo é mais barato, porque você pode barganhar. Aliás, você deve barganhar. Posso dizer que a Metade do Mundo é bastante sem graça, mas já que estava lá e paguei a entrada eu dei umas voltinhas, para não achar nada de interessante a fazer.

Voltei para o hotel, assisti televisão e comecei a organizar as fotos da minha máquina. Nada mais. Agora vou sair e procurar algum restaurante aqui por perto, pois não quero dormir tarde. Amanhã pretendo ir ao centro histórico de Quito, mas bem que gostaria que tivesse vaga num vôo para mim. Estou ficando entediado, acho que o Equador "já deu o que tinha que dar". Hasta luego.