05/06/2010

Por favor deixe sua mensagem após o sinal

Ficarei fora por alguns dias, postagens no blog provavelmente serão raras porque a Wi-Fi do hotel é apenas no lobby principal. Tweets também devem ser esporádicos porque a Oi não quis me informar as tarifas para utilização de 3G na Inglaterra.

Enquanto estou fora, visitem o site da candidatura do Grande Cthulhu à presidência do Brasil, clicando aqui. Deixem suas perguntas para o Todo-Tentaculoso nos comentários do site que elas serão devidamente respondidas pelo Grande Antigo que descansa morto em R'Lyeh, aguardando o dia no qual devorará toda a humanidade, espalhando destruição, morte, insanidade e uma nova política de ensino público onde os professores serão mais valorizados (os alunos serão devorados primeiro e os mestres depois).

03/06/2010

O Estorvo

Estava pensando agora, tenho um texto que nunca foi publicado aqui e pelo qual sinto grande afeição. "O Estorvo" foi escrito lá nos meados de 2001 e foi publicado em 2003, após ficar em terceiro lugar no 1º Concurso Municipal de Conto da Prefeitura de Niterói. Segue abaixo, caso interesse a alguém:


O Estorvo
3º colocado no I Concurso Municipal de Conto (categoria Adulto)
Prêmio Prefeitura de Niterói/ UNIPLI
publicado na coletânea “I Concurso Municipal de Conto”, Niterói Livros, 2003


Ao completar quarenta anos, ele se levantou da cama pronto para mais um dia. Foi ao banheiro, tomou um banho rápido e barbeou-se grosseiramente, ganhando uma pequena cicatriz no rosto já marcado pelos anos. Vestiu seu melhor terno e, como de costume, comeu apenas duas torradas de café-da-manhã. Bebeu rapidamente uma xícara de café feito no dia anterior, pegou sua maleta e saiu de casa, ignorando o jornal deixado sob o batente da porta pelo entregador.

O primeiro grande desafio do seu dia-a-dia era entrar no elevador e apertar o pequeno botão com a letra "p". A partir desse momento, ele já não teria mais coragem de voltar para casa e esconder-se do resto do mundo, que seria um lugar perigoso, em sua opinião. Cheio de criaturas indiferentes à sua existência. Não havia uma pessoa que se importasse com ele. Os pais, que eram os únicos parentes, haviam morrido há quase dez anos, de "velhice" mesmo. Ele nunca se casou. Não por desacreditar do amor, mas por achar que mulher alguma seria capaz de amá-lo. Amigos, jamais os teve, pois acreditava que estes seriam rápidos a se tornarem seus inimigos.

Após passar pelo porteiro do prédio com o habitual "bom dia", se dirigiu à estação do metrô, que era convenientemente perto dali. Desdeu a escada rolante e logo já estava à beira dos trilhos, esperando de pé a sua condução diária para o trabalho. E enquanto olhava para os trilhos eletrificados, crescia dentro dele a idéia de se jogar neles, terminando assim a sua miserável vida. Ninguém sentiria sua falta, ninguém. Seria uma morte rápida, indolor talvez.

Deu um passo à frente e se inclinou, quando veio à sua mente o pensamento de que se ele se matasse logo ali, eletrificado e transformado em carvão, a estação de metrô seria interditada pela polícia até que o rabecão viesse buscar seu corpo. Isso atrasaria muita gente, que não conseguiria chegar no trabalho na hora. Não, morrer desse jeito atrapalharia a vida de muita gente, ele não tinha o direito de fazer isso, seria um incômodo muito grande.

Entrou no trem e sentou-se. Quatro estações depois, chegou ao seu destino. Em poucos instantes, já se via andando nas ruas do centro da cidade. Ele odiava ter que olhar todos os dias aquela enorme massa de gente indo e vindo, como um monte de formigas. Parou no sinal de trânsito, esperando a luzinha verde aparecer para atravessar a movimentada avenida. Logo percebeu a impressionante velocidade com a qual os ônibus passavam à sua frente, desabalados em seus rígidos horários. Talvez se ele se jogasse ali... Não, não. Isso não seria justo com os passageiros ou com o motorista do ônibus. E se alguma criança estivesse lá dentro? Haveria problemas para todos, isso não seria adequado.

Chegou à portaria do prédio onde funcionava a sua empresa. Era uma dessas grandes multinacionais que contratam milhares de pessoas pelo país afora, e ele era apenas mais um número para a gigante onde trabalhava. Mostrou seu crachá para o parrudo segurança e logo chegou a mais um elevador; só que desta vez, ele apenas dizia um desanimado "vigésimo" e um ascensorista de idade avançada apertava o botão onde se lia “vinte”. Ao sair, se deparou com o "Setor de Contabilidade" escrito numa placa. Ela indicava que ele estava no lugar certo, e ao mesmo tempo no lugar errado, afinal de contas ele preferia estar em casa se escondendo.

Após passar por duas recepcionistas e três mesas de secretárias, chegou ao seu escritório. Bem, talvez esta seja uma palavra forte demais para algo que se parecia com uma saleta de almoxarifado. Destrancou-a e entrou, esquivando-se das caixas cheias de papéis inúteis. Sentou-se em sua cadeira, colocou a pesada maleta na mesa e suspirou. Enquanto olhava à sua volta, pensou no quão deprimente era o lugar onde ele passava seus dias, envolto em números e contas. Virou a cadeira e puxando um cordão abriu a persiana que escondia uma janela suja. Lá embaixo, podia ver tudo aquilo com o qual tinha se deparado no caminho para o trabalho: a estação do metrô, as formigas andando, os ônibus, as ruas de escaldante concreto.

Pensou então em se jogar da janela. Sim, seria rápido e indolor. Ele tinha lido em algum lugar que os suicidas que pulam de prédios muito altos desmaiam durante a queda, desfalecendo antes de se espatifarem no chão. Isso logo o levou a pensar o porquê dos paraquedistas não terem o mesmo final trágico toda vez que pulam de um avião. Concluiu que eles, tendo treinamento especial, não desmaiam. Abriu a janela e, decidido, olhou para baixo. Ao ver as pessoas andando na calçada, recuou e fechou novamente a janela. Lembrou-se de que sua queda poderia acidentalmente matar uma pessoa. Ele não gostou nem um pouco da idéia de tirar a vida de um inocente, sem contar o estrago que seu corpo faria na calçada.

Novamente sentou na cadeira e voltou-se para a mesa cheia de papéis. Era um funcionário apenas mediano, não se destacava nem atrapalhava o serviço. Cumpria prazos e acatava ordens. Essa era sua vida, um ponto sem interrogação nem exclamação. Foi então que tomado por incomum determinação, abriu sua maleta e sacou de dentro dela uma caixa de madeira. Com muito cuidado, retirou a tampa e lá dentro estava a arma de seu falecido pai, que era militar.

Não entendia muito de assuntos bélicos, mas sabia fazer a manutenção do Colt calibre 45, que era o tesouro do pai. O revólver foi presentar de um amigo norte-americano, falecido também há anos. Cautelosamente colocou as seis balas na arma, fechou-a e engatilhou-a. Agora sim. Um tiro na cabeça seria um final muito adequado à sua existência de importância irrelevante. Estava totalmente livre de quaisquer amarras ou dilemas morais. Talvez o seu suicídio desse algum problema à faxineira da empresa, mas não seria nada que um pano com desinfetante não pudesse resolver.

Quando já apoiava o cano do revólver contra a testa, ouviu o som rangido da maçaneta da porta sendo aberta. Com um movimento rápido, escondeu a arma debaixo da mesa e longe dos olhos de quem entrasse. Logo apareceu a figura do diretor de contabilidade, que jogando uma pasta cheia de papéis com número na mesa disse: "Eu preciso desses balanços para hoje, Moreira."

Para hoje. Ainda hoje. Sim, ele teria que terminar o balanços, não poderia se matar hoje. Talvez amanhã, mas se ele se matasse hoje seria um estorvo.

29/05/2010

Christina Hendricks, a mulher mais sexy do mundo

Senhoras e senhores, a revista Esquire tem feito pesquisas para escolher as mulheres mais sexy do mundo. Uma destas foi a atriz (praticamente desconhecida no Brasil) Christina Hendricks, que agora está fazendo bastante sucesso com a série "Mad Men".

Vejam esta foto da Sra. Hendricks:




Um espetáculo, não é? Não se preocupem que eu não vou apanhar, minha esposa concorda plenamente comigo (afinal de contas, ela é mulher e teria votado na Sra. Hendricks também). Eu disse "senhora", certo? Isso porque no ano passado ela se casou. Com um ator de diminuta expressão chamado Geoffrey Arend:




Nerds, geeks, esquisitos e estranhos de todo o mundo: não percam as esperanças. Jamais desistam, não deixem que o mundo os mude. Não invejem seu semelhante. Se aconteceu com o bom Geoffrey, pode acontecer com vocês também. Tenham fé.

28/05/2010

One Book, One Twitter


Hoje foi o início de uma experiência chamada "One Book, One Twitter", para ajudar a estimular a leitura e discussão de obras literárias. Trata-se de uma troca de tweets no estilo "perguntas e respostas" diretamente com os autores através do Twitter. Por felicidade do destinho, o primeiro escolhido para este projeto foi um dos meus favoritos, Neil Gaiman! E para melhorar, o livro em discussão seria o "Deuses Americanos" (American Gods), um dos meus favoritos!

Não titubeei e mandei a seguinte pergunta: @neilhimself Is there an specific myth/deity which you regret leaving out of the book? #1b1tNG
(Há algum mito/divindade específica que você se arrepende de ter deixado de fora do livro?)

ELE RESPONDEU!!!

A resposta foi: @bartrabelo So many. But books have finite words & pages. Was sad the Japanese section and the Jewish section were both not-written #1b1tNG
(Tantas. Mas livros tem palavras e páginas finita. Foi triste que a seção Japonesa e a seção Judia não tenham sido escritas.)

Plano de dados 3G? R$ 60.
Smartphone com aplicativo para o Twitter? R$ 1000 (em 10x).

Ter "aquela" pergunta que você sempre quis fazer a um dos seus ídolos respondida? Não tem preço...

27/05/2010

Novo Site

Na verdade é a mesma coisa velha, com uma cara nova. Há alguns posts atrás eu expliquei o suplício pelo qual passei quando o Blogger decidiu mudar as regras do jogo. Me vi numa encruzilhada: meu domínio, bartrabelo.com, não poderia ser usado como redirecionamento pois todos meus arquivos dos outros sites de gerencio, inclusive o da Velvet Ballet fazem uso do DNS do meu servidor. O blog virou isto aqui, o bartrabelo.blogspot.com, mas o que eu faria com o meu domínio?

Recentemente meu celular morreu e decidi assinar um plano 3G da minha operadora e comprar junto um Nokia E71, que saiu praticamente de graça. O uso do meu novo smartphone me deu mais empolgação para voltar a usar o twitter e outras coisas, então decidi que me site deveria ser uma espécie de "mini-portal", com informações sobre os posts do meu blog, minhas atualizações no twitter, meus links favoritos e etc.

Acessem o site clicando aqui: www.bartrabelo.com. Ainda estou tentando acertar um problema com as fontes, o maldito Internet Explorer insiste em ser diferente dos browsers de verdade (Firefox e Chrome), o que é uma dor-de-cabeça sempre (e eu não sou webdesigner).

Lost, Flashing Forward

Não se preocupem, não há spoilers neste post.

Eu via Lost. Acompanhava com ardor os episódios semanalmente. Nunca liguei muito para as teorias da internet, fóruns e terceiros, preferindo ater-me às minhas próprias interpretações sobre a série.

Fechada a porteira, achei interessante ler duas resenhas sobre o fim da série. A primeira é um amigo pessoal, Rafael Savastano, e pode ser encontrada clicando aqui. A segundo é de uma colunista d'O Globo chamada Claudia Croitor, e pode se encontrada aqui.

Ambas as resenhas são imensos spoilers e recomendo a leitura das duas, especialmente por serem completamente antagônicas.

A minha opinião é de que eu entendo o que os produtores quiseram fazer, ou pretenderam fazer com a série, mas acho que rolou uma preguiça forte aí. Vários episódios da 4ª, 5ª e 6ª temporada poderiam ter sido usados para explicar uma série de coisas e mistérios da ilha, mas ao invés disso ficaram ali, parados e enchendo linguiça.

Lost continuará sendo um marco na história da televisão e ainda vai dar muito pano pra manga. E infelizmente a excelente série "FlashForward", a qual eu estava adorando e rapidamente se tornou uma das minhas séries favoritas para se assistir, foi cancelada pelo canal ABC, devido aos baixos índices de audiência nos EUA ("só" cerca de 5 milhões de espectadores por noite), mesmo a série tendo excelentes índices na Europa e no Brasil.

Fazer o quê, algumas coisas realmente não temos como explicar... Seja o fim de Lost ou de FlashForward.

25/05/2010

Nem Morto


Como o meu amigo Leo Finocchi resumiu muito bem, "O que aconteceria se alguém morresse, voltasse como zumbi e quisesse retornar a sua vida normal antes da morte?"

Anos atrás o Leo (que é um talentoso artista) pediu que eu o ajudasse a criar uma tirinha de quadrinhos. Aí eu bolei este personagem, que na época se chamava "Zé Zumbi". A premissa básica era essa mesma: o quê aconteceria se um cara completamente ordinário virasse um morto-vivo comedor de cérebros e ao mesmo tempo tentasse retomar seu cotidiano, amizades, emprego e tudo o mais? Como uma namorada reagiria a isso? Morto tem direito a plano de saúde?

O projeto foi arquivado por muito tempo mas agora o Leo deu uma repaginada total e o rebatizou de "Nem Morto"! Eu não estou escrevendo mais para a tirinha, mas como confio 100% no senso de humor dele, recomendo que todo mundo acompanhe a história, muitas supresas estão por vir para este pobre zumbi, tentando sobremorrer num mundo globalizado...

Clique aqui para ser redirecionado para a página do Nem Morto.

19/05/2010

Mais um oportunista

A foto ao lado é do Sr. André Forastieri, que diz que é jornalista e é blogueiro, como este que vos escreve. Foi achada usando o mecanismo de busca do Google. Acontece.

O referido senhor acima deu, anteontem, prosseguimento a uma tradição de outros jornalistas brasileiros: a de tentar aparecer quando um ícone do metal falece. Um dos casos mais notórios foi o do Sr. Arnaldo Jabor, que à época do assassinato do Dimebag Darrell, guitarrista do Pantera, tentou esculhambar o metal e jogar a culpa do triste e trágico incidente no próprio músico.

Agora é a vez do tal Forastieri tentar difamar a imagem do recém-falecido Ronnie James Dio, consequentemente do metal também, de diversas formas neste bloguinho aqui.

Citando o texto oportunista do tal cara cuja existência era completamente desconhecida por mim até hoje: "Agora, tem sentido um roqueiro de 67 anos que canta sobre o eterno combate entre o bem e o mal, em canções repletas de dragões assustadores, cavernas assombradas, magos impolutos etc.?"

Minha única resposta para este cara está numa letra do próprio Dio, que segue abaixo com o original em inglês e tradução:

It's the same old song
You've gotta be somewhere at sometime
They never let you fly

It's like broken glass
You get cut before you see it
So open up your eyes

É a mesma e velha canção
Toda hora você tem algum lugar para estar
Eles nunca te deixam voar

É como vidro partido
Você se corta antes de vê-lo
Então abra seus olhos

Carta aberta a André Forastieri: você não me corta e não me impede de voar. Você não é completamente irrelevante para mim e para toda a legião de fãs do metal e de seu grande e lendário arauto, Ronnie James Dio, então recolha-se à sua insignificância e volte ao seu mundinho restrito.

16/05/2010

LUTO

Hoje morreu Ronald James Padavona, um dos maiores artistas de todos os tempos. Não consigo dizer nada além disso.


09/05/2010

Eca, kefir!

Meu nome é Bart e eu gosto de brócolis e quiabo desde criança. Mas depois que cheguei à idade adulta admito que meus hábitos alimentares viraram os piores possíveis. Aqui está uma dica para quem quiser adicionar um pouco de qualidade ao seu dia-a-dia.

Há não mais do que duas semanas atrás a Clara trouxe para casa esse tal de "kefir", chamando de "bichinho", "coisinha" e outros adjetivos do gênero. Ela disse que era uma colônia que "comia" leite e o subproduto era uma espécie de iogurte, porém mais saudável.

Ok, eu imaginei pequenos vermezinhos se remexendo para beber leite e cagar iogurte. Admita, você também imaginou algo tão nojento quanto eu. Aí a Clara decidiu explicar de uma forma mais "clara" (pun intended).

O kefir é uma colônia de lactobacilos e leveduras, como aquelas que se encontram em coisas tão comuns e normais para nós, tais pães, vinhos, cervejas e iogurte convencional. Esta colônia processa qualquer tipo de leite, quebrando e sintetizando enzimas para produzir este tipo especial de iogurte, que é muito mais saudável que o convencional. Para isso basta deixar o kefir num pote com o leite e depois filtrá-lo com uma peneira fina. O que fica é o iogurte.

Eu provei. Realmente é muito bom, muito melhor do que o iogurte tradicional. E o mais bacana? De graça. Ninguém vai achar kefir à venda em mercados, o grande lance é que as pessoas cultivam a colônia e ela vai aumentando até que a doação de parte dela é inevitável, levando a idéia adiante para mais pessoas ainda.

O kefir tem propriedades anti-oxidantes no organismo humano e também ajuda a quebrar o ácido lático. Suspeita-se que ele possa ajudar no controle da hipertensão e dos níveis de colesterol, mas isso ainda está sendo estudado. Ele também é gostoso pra danar.

Em breve a Clara vai postar no Batatas Na Cozinha um roteiro sobre como criar kefir em casa e algumas receitas legais. Por mim basta temperar um pouco e botar na torrada que já é um lanche rápido, saudável (dependendo do pão usado, claro) e excelente.