2011 mal começou e já retomamos os hábitos ruins de sempre: descumprir promessas de Ano Novo que só duram até Janeiro, reclamar dos políticos sem tomar qualquer ação verdadeiramente enérgica, assistir o Big Brother Brasil. É o mesmo xixi de gato que persistente, recusa-se a nos abandonar. E nós a ele.
Um mau hábito que tornou-se corrente no Brasil, como já era em outros países, é o fundamentalismo. Não digo que seja algo obrigatoriamente ligado à religião, mas olhem ao seu redor e me digam o contrário. A religião no Brasil tem sido o principal bastião de pessoas propensas a um comportamento radical e nocivo para a sociedade. Com mais frequência vemos igrejas de fundo-de-quintal surgindo para roubar o dinheiro suado de trabalhadores humildes em prol de obras as quais nunca tem suas contas prestadas com clareza. Mas tudo bem, afinal de contas é o trabalho "Dele".
Além da religião e talvez abastecida por esta, a sociedade está ficando mais radical. São mais casos de agressões e repressão contra homossexuais. Diabos, a eleição presidencial do ano passado, que deveria representar um avanço neste campo, foi um grande retrocesso. Demos uns vinte passos para trás sem sequer cogitar a hipótese de voltar a caminhar.
O que nos leva ao problema da política no país. Mantenho minha posição de que, até que me provem o contrário, todos os políticos são corruptos. Gostaria de ser surpreendido mais vezes com histórias de pessoas com notória vida pública que recusam-se a sujar suas mãos. Entretanto dia após dia, somente vemos sinais na direção oposta. Ontem passei boa parte do dia fazendo um treinamento sobre a lei anti-corrupção dos EUA (FCPA) e mais tarde tornei a buscar estatísticas sobre a evolução dos medidores de corrupção ou combate à mesma no Brasil. Deu vontade de chorar, sério.
Mas talvez seja parte intrínseca da nossa natureza continuar piorando, não cumprir nossos pactos pessoais e seguir caminhando com passos largos rumo ao caos. Vamos ligar a televisão, dar as mãos e ignorar.
26/01/2011
25/01/2011
Então,
eu sei que estou sumido. Após quebrar meu recorde anual de postagens, Novembro e Dezembro foram dois meses deploráveis. Mas tenho certeza que há alguém aí fora que ainda espera para ler o que eu escrevo. I wanna believe.
Talvez por isso esteja ouvindo tanto os Ramones, referência nerd de "Arquivos X" à parte. Como ferramente de desculpa, tenho achado incrivelmente difícil escrever quando não acontece nada de novo ou quando muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo.
Se for reconfortante, recentemente descobri que o "antigo" pode ser estimulante. Relembrar coisas passadas, noites perdidas, dias que nunca aconteceram. Isso tudo, ou nada, me transformou naquilo que sou hoje em dia e consequentemente deveria carregar tudo comigo. Logo, minha fonte de inspiração não precisa ser imediata e renovável. Basta olha para o lado que ela ainda está lá.
Ou aqui.
Esperem novidades em breve.
Talvez por isso esteja ouvindo tanto os Ramones, referência nerd de "Arquivos X" à parte. Como ferramente de desculpa, tenho achado incrivelmente difícil escrever quando não acontece nada de novo ou quando muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo.
Se for reconfortante, recentemente descobri que o "antigo" pode ser estimulante. Relembrar coisas passadas, noites perdidas, dias que nunca aconteceram. Isso tudo, ou nada, me transformou naquilo que sou hoje em dia e consequentemente deveria carregar tudo comigo. Logo, minha fonte de inspiração não precisa ser imediata e renovável. Basta olha para o lado que ela ainda está lá.
Ou aqui.
Esperem novidades em breve.
16/11/2010
Primeiro post feito do celular
A quem assina meu feed, peço desculpas. Este aqui é o meu primeiro teste de postagem a partir do meu Nokia E71, usando o Opera Mini 10.
Obviamente, se não der certo, vou apagar o post assim que for possível. Caso dê certo, creio que posts um pouco mais curtos aparecerão com maior frequência por estas bandas (apesar do teclado do E71 ser "qwerty", ainda assim é meio chato ficar digitando demais nestas teclinhas minúsculas).
Obviamente, se não der certo, vou apagar o post assim que for possível. Caso dê certo, creio que posts um pouco mais curtos aparecerão com maior frequência por estas bandas (apesar do teclado do E71 ser "qwerty", ainda assim é meio chato ficar digitando demais nestas teclinhas minúsculas).
11/11/2010
Um novo conceito de educação e polidez
A entrada do meu prédio tem um caminho longo, mas desde o portão é possível ver o elevador social e quem está lá esperando para subir. Cheguei ao prédio, vi que uma senhora de meia idade estava esperando o elevador. O porteiro abriu a entrada para mim e comecei a caminhar com passos apressados quando percebi que o elevador tinha chegado. A senhora de meia-idade olhou na minha direção (não tinha como não me ver), entrou no elevador e deixou a porta delicadamente fechar atrás dela. Então literalmente corri o mais rápido que pude, segurei a porta e entrei. Ela, com um sorriso amarelo disse:
- Ehr, eu não te vi.
"Não me viu uma ova", pensei. Nem para pedir desculpas, velha abusada. Então o elevador chegou no meu andar e eu disse a única coisa que poderia naquele momento:
- Boa tarde.
Entretanto disse isso de forma curta e grossa. Nem olhei pra cara dela. Mas disse "boa tarde" e cumpri com as regras básicas da edução. É engraçado como um simples cumprimento pode soar tão bélico, tão cheio de asco e repúdio. Então percebi que na verdade isto é um conceito antigo e agora, escrevendo, descobri a palavra correta para o meu comportamento:
"Educavalo."
Eu fui educavalo. Está aí uma boa idéia. Sejamos educavalos com aqueles que nos ofendem não oferecendo a outra face, mas sim um coice bem aplicado sem sutileza e com suposta educação.
- Ehr, eu não te vi.
"Não me viu uma ova", pensei. Nem para pedir desculpas, velha abusada. Então o elevador chegou no meu andar e eu disse a única coisa que poderia naquele momento:
- Boa tarde.
Entretanto disse isso de forma curta e grossa. Nem olhei pra cara dela. Mas disse "boa tarde" e cumpri com as regras básicas da edução. É engraçado como um simples cumprimento pode soar tão bélico, tão cheio de asco e repúdio. Então percebi que na verdade isto é um conceito antigo e agora, escrevendo, descobri a palavra correta para o meu comportamento:
"Educavalo."
Eu fui educavalo. Está aí uma boa idéia. Sejamos educavalos com aqueles que nos ofendem não oferecendo a outra face, mas sim um coice bem aplicado sem sutileza e com suposta educação.
06/11/2010
Área VIP?
O primeiro show ao qual eu fui com a tão odiada "Área VIP" foi (acreditem) do Joe Satriani. Obviamente era uma "vibe" diferente. Agora com os shows de rock mais, digamos assim, vigorosos, a coisa fica mais latente. As cenas do video acima são do show do Rage Against The Machine no Chile. Aconteceram no mês passado, quando eles vieram ao Brasil e teve o mesmo quebra-quebra, empurra-empurra e invasão.
Alguns diriam: "isso é coisa de show de rock e metal mesmo, são todos loucos violentos". Se você pensa assim, pode parar de ler aqui e sair para babar ovo do Arnaldo Jabor ou do André Forastieri. A última vez na qual alguém morreu num show de rock no Rio de Janeiro foi em 1993, quando dois rapazes caíram no fosso do Maracanazinho e foram eletrocutados, durante um show da violentíssima banda de rock-bélico australiano: Midnight Oil. Sim, a banda daquele rapaz careca gente boa e que agora é o ministro do Meio Ambiente da Austrália. Obviamente foi um problema estrutural, sem correlação com a música ou com os frequentadores do evento.
Há um número muito maior de mortes e violência registrada em eventos de pagodes, axé, funk, micaretas e afins. Já o rock e o metal são igualitários, liberadores, niveladores. Os produtores insistem em separar o público, alegando que precisam de recursos para trazer as bandas. Vejamos: o dólar está em baixa, o preço dos ingressos continua subindo e as barreiras das áreas VIP também. Eu digo que os produtores de eventos em larga escala estão lucrando excessivamente. Isto se reflete nas pessoas que estão lá.
Em Março o Iron Maiden virá para o Rio. Desde já anuncio que só irei ao show da Donzela se não houver área VIP - não que eu goste de ficar "grudado" lá na frente ou que não tenha dinheiro para pagar um ingresso mais caro e esteja recalcado. O fato é que eu gosto de sair, me divertir, curtir boa música e boa companhia. Não quero assistir ao show da maior banda de metal do mundo tendo que me preocupar com a minha segurança, da minha esposa e dos meus amigos. Quero poder cantar "Fear of the Dark", não me defender de seguranças obtusos e pessoas desnecessariamente exaltadas e levadas a um comportamento extremo por terem algumas liberdades cerceadas - e por terem sido enganadas por empresários que só pensam em dinheiro.
Lamentável.
25/10/2010
Guitarras Subestimadas
Há muitos anos atrás eu comecei a escutar Savatage e comprei meu primeiro violão e minha primeira guitarra por causa da influência mágica que o som do Criss Oliva teve na minha vida. Ao passar dos anos só pude lamentar o acidente trágico que ceifou a vida de um dos maiores e mais subestimados guitarristas de todos os tempos e que era o meu favorito.
Quanto mais eu escutava a guitarra do Criss mais eu gostava dele. Era descobrir uma nuance num riff, um lick diferente ou sentir a atmosfera que sua técnica era capaz de dar a uma música. Não é à toa que "Tonight He Grins Again" é a música favorita o outro fundador da banda, Jon Oliva, mas também é a minha música favorita no mundo. Poucas pessoas seriam capazes de captar com uma guitarra o arrependimento, dor, tristeza, angústia e raiva de uma música que conta a estória de um viciado em heroína que percebe o ciclo de auto-destruição no qual se jogou e como isto o afastou de tudo o que ama no mundo.
Agora a mesma coisa está acontecendo comigo de novo, mas o guitarrista é outro: Rory Gallagher. Quanto mais ouço as músicas dele mais percebo a grandiosidade de um homem que era tão humilde que não sabia se auto-promover. Ele só gostava de subir no palco e tocar música para as pessoas, mas não "qualquer" música. Irlandês pobre de Cork, sua alma era blues, sua voz era rebelde. A guitarra era incrível. Morreu razoavelmente cedo, também subestimado e sem o devido reconhecimento.
Infelizmente jamais verei meus guitarristas favoritos ao vivo, mas posso compartilhar contigo os links abaixo.
Quanto mais eu escutava a guitarra do Criss mais eu gostava dele. Era descobrir uma nuance num riff, um lick diferente ou sentir a atmosfera que sua técnica era capaz de dar a uma música. Não é à toa que "Tonight He Grins Again" é a música favorita o outro fundador da banda, Jon Oliva, mas também é a minha música favorita no mundo. Poucas pessoas seriam capazes de captar com uma guitarra o arrependimento, dor, tristeza, angústia e raiva de uma música que conta a estória de um viciado em heroína que percebe o ciclo de auto-destruição no qual se jogou e como isto o afastou de tudo o que ama no mundo.
Agora a mesma coisa está acontecendo comigo de novo, mas o guitarrista é outro: Rory Gallagher. Quanto mais ouço as músicas dele mais percebo a grandiosidade de um homem que era tão humilde que não sabia se auto-promover. Ele só gostava de subir no palco e tocar música para as pessoas, mas não "qualquer" música. Irlandês pobre de Cork, sua alma era blues, sua voz era rebelde. A guitarra era incrível. Morreu razoavelmente cedo, também subestimado e sem o devido reconhecimento.
Infelizmente jamais verei meus guitarristas favoritos ao vivo, mas posso compartilhar contigo os links abaixo.
22/10/2010
Viva el Mercado Livre
Então galera, a venda dos meus mangás está sendo um sucesso absoluto! Só sobraram três coleções, das quais quero me livrar o mais rápido possível pois em breve estou de mudança e quero deixar todas as coisas antigas para trás. Ainda tenho para vender:
Para completar, a cereja do bolo: já vendi meu teclado também. O mais legal é que foi para um rapaz que está começando a estudar agora e vai usá-lo bastante. Instrumentos musicais foram feitos para criar música e o mais chato era ver aquele teclado lá em casa parado, sem utilidade.
05/10/2010
O que está nas entrelinhas das notícias
É boa prática aprender a ler nas entrelinhas e a inteligência do povo Brasileiro tem sido constantemente subestimada nos últimos dias. Sabem qual foi o percentual de votos brancos/nulos em cima do total de votos recebidos para presidente? 8,64%. São 9,6 milhões de votos em branco ou anulados. Pois é.
Para governador do Rio de Janeiro o voto branco/nulo ficou em segundo lugar, com 1.67 milhão de votos, contra 1.63 milhão do Gabeira. Um total de 17,51% do total de votos. Para senador do mesmo Estado, o percentual de votos em branco e nulos foi 23,18%, para deputado federal foi 16,44% e para deputado estadual 13,44%.
Algo no mínimo expressivo, concordam?
Os jornais só divulgam os dados e estatísticas em cima dos votos válidos, mas a cada ano o movimento pró-voto nulo ou em branco cresce. Isto sim é o que a mídia vendida, os políticos corruptos e quaisquer outras instituições que acham (minto, que tem certeza) que nós somos gado constantemente indo para o matadouro não querem que você saiba. O resto é balela.
E está tudo na internet, no site do TSE. Fácil, não?
25/09/2010
Niterói e a (des)Ordem Social
Setembro está sendo um mês um tanto o quanto complexo, então escrevo este post mais para não deixar passar em branco do que qualquer coisa. A motivação é simples: paz de espírito.
Estou em casa, tentando cuidar da minha própria vida e sou martelado por bares nas esquinas tocando música alta. Todo fim-de-semana é assim. As pessoas que vem para os bares param seus carros de forma irregular e lotam as ruas com máquinas caras, possantes e desrespeitando a lei e o espaço comum, inclusive estacionando em cima de faixas de pedestres. Para piorar, hoje a cobertura de um prédio próximo está abrigando uma bateria de escola de samba.
São onze horas da noite e eu estou em Icaraí, zona sul de Niterói. Nosso IPTU é um dos mais caros do Estado do Rio de Janeiro mas ainda assim não temos uma série de benefícios. O bairro é inseguro, pois Niterói agora está infestada de bandidos que fugiram do Rio de Janeiro e suas geniais UPPs. Aparentemente a ordem geral da polícia local é continuar fazendo blitz para pegar motociclistas irregulares, muito raramente prendendo bandidos de verdade.
A profusão de novos prédios e outros em construção, alavancada pela especulação imobiliária imoral praticada em Niterói, faz com que o abastecimento de eletricidade e água seja deficiente. Aliás, falando em água, quando chove o bairro inteiro é alagado. A rede de esgotos simplesmente não comporta o "desenvolvimento" da região e de acordo com um amigo que é engenheiro civil, os rios subterrâneos e lençóis freáticos de Icaraí tem suas rotas constantemente alteradas e desviadas pela construção destes novos prédios, o que faz com que durante as chuvas eles não dêem vazão para todo o volume de água recebido, eis mais alagamentos.
Cansei de pagar o pato. O playboy continua comprando sua maconha e o seu pó, mas o traficante ameaça a segurança e as vidas da minha família. A classe média alta continua enchendo a cara nos barzinhos fajutos da moda com suas caras máquinas estacionadas irregularmente. Outro dia eu quase fui atropelado por um destes bêbados desgraçados que entrou na minha rua na contra-mão e subiu na calçada para entrar na garagem do seu prédio - o prédio ao lado do meu. A família do bicheiro ou do político (são ambos parte da mesma raça nojenta e desgraçada) continua fazendo uma festa que, literalmente, acorda todo o quarteirão.
Na boa, eu quero mais é que essa gente toda vá se foder. Sei que estou ficando mais rabugento à medida em que envelheço, mas ei, eu já sabia que isso aconteceria, conheço os genes da minha família. Estamos caminhando a passos largos em direção à completa desordem social em Niterói, mas estou preparado para me defender nesta situação. E estou pouco me fodendo para quem discorda de mim.
Estou em casa, tentando cuidar da minha própria vida e sou martelado por bares nas esquinas tocando música alta. Todo fim-de-semana é assim. As pessoas que vem para os bares param seus carros de forma irregular e lotam as ruas com máquinas caras, possantes e desrespeitando a lei e o espaço comum, inclusive estacionando em cima de faixas de pedestres. Para piorar, hoje a cobertura de um prédio próximo está abrigando uma bateria de escola de samba.
São onze horas da noite e eu estou em Icaraí, zona sul de Niterói. Nosso IPTU é um dos mais caros do Estado do Rio de Janeiro mas ainda assim não temos uma série de benefícios. O bairro é inseguro, pois Niterói agora está infestada de bandidos que fugiram do Rio de Janeiro e suas geniais UPPs. Aparentemente a ordem geral da polícia local é continuar fazendo blitz para pegar motociclistas irregulares, muito raramente prendendo bandidos de verdade.
A profusão de novos prédios e outros em construção, alavancada pela especulação imobiliária imoral praticada em Niterói, faz com que o abastecimento de eletricidade e água seja deficiente. Aliás, falando em água, quando chove o bairro inteiro é alagado. A rede de esgotos simplesmente não comporta o "desenvolvimento" da região e de acordo com um amigo que é engenheiro civil, os rios subterrâneos e lençóis freáticos de Icaraí tem suas rotas constantemente alteradas e desviadas pela construção destes novos prédios, o que faz com que durante as chuvas eles não dêem vazão para todo o volume de água recebido, eis mais alagamentos.
Cansei de pagar o pato. O playboy continua comprando sua maconha e o seu pó, mas o traficante ameaça a segurança e as vidas da minha família. A classe média alta continua enchendo a cara nos barzinhos fajutos da moda com suas caras máquinas estacionadas irregularmente. Outro dia eu quase fui atropelado por um destes bêbados desgraçados que entrou na minha rua na contra-mão e subiu na calçada para entrar na garagem do seu prédio - o prédio ao lado do meu. A família do bicheiro ou do político (são ambos parte da mesma raça nojenta e desgraçada) continua fazendo uma festa que, literalmente, acorda todo o quarteirão.
Na boa, eu quero mais é que essa gente toda vá se foder. Sei que estou ficando mais rabugento à medida em que envelheço, mas ei, eu já sabia que isso aconteceria, conheço os genes da minha família. Estamos caminhando a passos largos em direção à completa desordem social em Niterói, mas estou preparado para me defender nesta situação. E estou pouco me fodendo para quem discorda de mim.
29/08/2010
Toda a verdade sobre as Barcas
Se preparem que o texto é longo e se estou avisando isso é porque é longo mesmo. Vamos começar pelo início. Para quem não sabe, o serviço de barcas realiza a travessia entre o Rio de Janeiro e Niterói diariamente há quase 160 anos. Durante muito tempo ele pertenceu à iniciativa privada, até que em 1967 foi estatizado.
Vamos chamar o primeiro período "pré-estatização" de "Caos 1". Nesta época, particularmente nos anos 50 e 60, quando o serviço era controlado por um consórcio chamado "Grupo Carreteiro", começaram as primeiras revoltas. A famosa "Revolta das Barcas" aconteceu em 1959, causada por um simples dia de atrasos, filas longas e desorganização total. Porém o serviço já vinha apresentando péssima qualidade há tempos. Sucedeu-se um levante geral, com a destruição parcial da Estação da Cantareira, de parte da frota e da mansão da família Carreteiro, no bairro do Ingá.
Mesmo com tanta bagunça e revolta, os problemas continuaram. A foto acima é de uma nova revolta, realizada em 1961, após um anúncio de aumento no valor das passagens. Desta vez a Estação da Cantareira não resistiu e sucumbiu definitivamente ao fogo, sendo então substituída por uma estação "temporária" no centro de Niterói. A tal estação "temporária", que serviria apenas como medida paliativa, é a atual estação que nós conhecemos.
Veio 1967, a estatização e a família Carreteiro se viu livre do "fardo" da Barcas. Pobres coitados, após tantos anos explorando os serviços e sugando o dinheiro do Estado, sempre alegando prejuízo, eles continuavam comprando propriedades e aumentando sua fortuna. Não sei como é na casa dos outros, mas aqui quando o dinheiro está curto, a gente costuma parar de gastar ao invés de sair comprando coisas aleatórias.
Em 1998 o tal consórcio "Barcas S/A" ganhou uma concessão de 25 anos para explorar os serviços das barcas. O que pouca gente sabe e que a Barcas S/A faz de tudo para que ninguém descubra, é que os acionistas deste consórcio são: Andrade Gutierrez (empreiteira), Viação 1001 (transporte rodoviário), Wilson Sons (empresa de logística e soluções navais) e RJ Administração e Participações (não sei que empresa é esta).
Peralá. A Viação 1001 a gente conhece, eles praticamente monopolizam o transporte rodoviário intermunicipal entre a Grande Rio e o resto do estado. Legal que eles também se interessem por transporte hidroviário, não? Mas vou contar outro segredo guardado a sete chaves. Sabem a Ponte Rio-Niterói, também conhecida como a "outra" forma de se atravessar com certa rapidez (hoje em dia isso é monstruosamente discutível) a Baía de Guanabara? Sabem quais são as empresas que formam o consórcio Ponte S/A? A Andrade Gutierrez e a Camargo Corrêa. Duas empreiteiras, cujo consórcio faz parte da CCR, também conhecida como a empresa que "está tapando buracos pelo Brasil inteiro, colocando pedágios e ganhando uma grana violenta com isso". E no nosso caso, a Andrade Gutierrez também manda nas barcas. Ou seja, esta idônea, sólida e poderosa empresa é uma das responsáveis por toda a merda que ocorre no transporte entre o Rio e Niterói, seja por terra (ponte) ou por mar.
Só pode ser sacanagem com a nossa cara, né? Podemos concluir que em 1998 iniciou-se o "Caos 2".
Então, no ano passado, em Abril de 2009, eu estava lá na Estação da Praça XV quando rolou um quebra-quebra generalizado, motivado por uma noite de atrasos, filas longas e desorganização total. Porém o serviço já vinha apresentando péssima qualidade há tempos. Sim, acabei de copiar o texto do segundo parágrafo, pois a situação é absolutamente idêntica à de 1959 e 1961. As pessoas estavam nervosas, era literalmente uma turba enraivecida. Consegui entrar na estação, pagando minha passagem como bom e honesto otário que sou, apesar de todos estarem pulando as catracas. Uma barca veio, o capitão sensatamente não abriu as portas e foi embora, pois provavelmente a embarcação seria invadida, pessoas se machucariam e a super-lotação poderia causar uma tragédia. Lá na rampa de embarque encontrei com um amigo sensato que me convenceu a procurarmos cerveja em um bar ao invés do caos instaurado lá nas barcas.
Passou-se mais de um ano e na semana passada lá estava eu, dentro da estação das barcas em Niterói, esperando meu transporte de péssima qualidade para o Rio. A barca das 08:00 hrs veio em nossa direção, deu um belo "cavalo-de-pau" na água e seguiu reto em direção ao enrocamento de um shopping próximo dali. Bateu. Disseram que foi um "desvio", uma "ancoragem de emergência". Gente, a barca bateu. Simplesmente bateu, como mostra a foto acima, de 2010. E poderia ter sido pior, se o capitão da mesma não tivesse desviado de uma estação apinhada com mais de 2000 pessoas. Seguiu-se uma manhã de atrasos, filas longas e desorganização total. Porém o serviço já vinha apresentando péssima qualidade há tempos.
Foi mal. Copiei o mesmo texto de novo. O pior é que isto vai continuar acontecendo, pois o tal Grupo Barcas S/A ainda tem a concessão por mais 13 anos. Eles vivem pedindo ajuda financeira ao Governo do Estado, alegando prejuízos e falta e capital para investir no negócio. Caramba, coitadinhos, não? Nem parecem ser algumas das empresas mais poderosas do Estado que estão mendigando dinheiro para os cofres públicos. Meu dinheiro. Seu dinheiro. Nosso dinheiro, de otários que não apenas pagam um absurdo em impostos, mas também pagam para usar o serviço podre e desumano ao qual as Barcas S/A nos submetem.
Eles realmente precisam de dinheiro? É uma questão pública? Então que as contas das Barcas S/A sejam abertas para o público! Eu quero ver os números, quero ver o tal prejuízo que eles alegam ter. Está tão difícil assim a situação? É o mesmo com todo mundo, malandro. Aqui em casa também está. Eu bem queria ter uma televisão Full HD de 42 polegadas, mas agora não dá. Tenho que me contentar com a LCD de 22 polegadas, que aliás, ganhei num sorteio na festa de fim-de-ano da minha empresa.
A Barcas S/A que se prepare. Sábias são as pessoas que aprendem com a história e como nós já vimos, a diferença entre a Revolta de 1959 e a de 1961 é que a segunda foi motivada por um simples aumento no preço da passagem, para se ver o estado de nervos generalizado das pessoas que utilizavam o serviço. Do jeito que a coisa anda, é bem provável que o consórcio faça o mesmo a qualquer momento. Eles seriam tão corajosos? Eles realmente não tem medo do que a população é capaz de fazer?
Palavra de quem esteve literalmente presente nos piores dias das barcas nos últimos dois anos: já consigo sentir o cheio da gasolina e o som dos fósforos raspando nas suas caixas...
Vamos chamar o primeiro período "pré-estatização" de "Caos 1". Nesta época, particularmente nos anos 50 e 60, quando o serviço era controlado por um consórcio chamado "Grupo Carreteiro", começaram as primeiras revoltas. A famosa "Revolta das Barcas" aconteceu em 1959, causada por um simples dia de atrasos, filas longas e desorganização total. Porém o serviço já vinha apresentando péssima qualidade há tempos. Sucedeu-se um levante geral, com a destruição parcial da Estação da Cantareira, de parte da frota e da mansão da família Carreteiro, no bairro do Ingá.
Mesmo com tanta bagunça e revolta, os problemas continuaram. A foto acima é de uma nova revolta, realizada em 1961, após um anúncio de aumento no valor das passagens. Desta vez a Estação da Cantareira não resistiu e sucumbiu definitivamente ao fogo, sendo então substituída por uma estação "temporária" no centro de Niterói. A tal estação "temporária", que serviria apenas como medida paliativa, é a atual estação que nós conhecemos.
Veio 1967, a estatização e a família Carreteiro se viu livre do "fardo" da Barcas. Pobres coitados, após tantos anos explorando os serviços e sugando o dinheiro do Estado, sempre alegando prejuízo, eles continuavam comprando propriedades e aumentando sua fortuna. Não sei como é na casa dos outros, mas aqui quando o dinheiro está curto, a gente costuma parar de gastar ao invés de sair comprando coisas aleatórias.
Em 1998 o tal consórcio "Barcas S/A" ganhou uma concessão de 25 anos para explorar os serviços das barcas. O que pouca gente sabe e que a Barcas S/A faz de tudo para que ninguém descubra, é que os acionistas deste consórcio são: Andrade Gutierrez (empreiteira), Viação 1001 (transporte rodoviário), Wilson Sons (empresa de logística e soluções navais) e RJ Administração e Participações (não sei que empresa é esta).
Peralá. A Viação 1001 a gente conhece, eles praticamente monopolizam o transporte rodoviário intermunicipal entre a Grande Rio e o resto do estado. Legal que eles também se interessem por transporte hidroviário, não? Mas vou contar outro segredo guardado a sete chaves. Sabem a Ponte Rio-Niterói, também conhecida como a "outra" forma de se atravessar com certa rapidez (hoje em dia isso é monstruosamente discutível) a Baía de Guanabara? Sabem quais são as empresas que formam o consórcio Ponte S/A? A Andrade Gutierrez e a Camargo Corrêa. Duas empreiteiras, cujo consórcio faz parte da CCR, também conhecida como a empresa que "está tapando buracos pelo Brasil inteiro, colocando pedágios e ganhando uma grana violenta com isso". E no nosso caso, a Andrade Gutierrez também manda nas barcas. Ou seja, esta idônea, sólida e poderosa empresa é uma das responsáveis por toda a merda que ocorre no transporte entre o Rio e Niterói, seja por terra (ponte) ou por mar.
Só pode ser sacanagem com a nossa cara, né? Podemos concluir que em 1998 iniciou-se o "Caos 2".
Então, no ano passado, em Abril de 2009, eu estava lá na Estação da Praça XV quando rolou um quebra-quebra generalizado, motivado por uma noite de atrasos, filas longas e desorganização total. Porém o serviço já vinha apresentando péssima qualidade há tempos. Sim, acabei de copiar o texto do segundo parágrafo, pois a situação é absolutamente idêntica à de 1959 e 1961. As pessoas estavam nervosas, era literalmente uma turba enraivecida. Consegui entrar na estação, pagando minha passagem como bom e honesto otário que sou, apesar de todos estarem pulando as catracas. Uma barca veio, o capitão sensatamente não abriu as portas e foi embora, pois provavelmente a embarcação seria invadida, pessoas se machucariam e a super-lotação poderia causar uma tragédia. Lá na rampa de embarque encontrei com um amigo sensato que me convenceu a procurarmos cerveja em um bar ao invés do caos instaurado lá nas barcas.
Passou-se mais de um ano e na semana passada lá estava eu, dentro da estação das barcas em Niterói, esperando meu transporte de péssima qualidade para o Rio. A barca das 08:00 hrs veio em nossa direção, deu um belo "cavalo-de-pau" na água e seguiu reto em direção ao enrocamento de um shopping próximo dali. Bateu. Disseram que foi um "desvio", uma "ancoragem de emergência". Gente, a barca bateu. Simplesmente bateu, como mostra a foto acima, de 2010. E poderia ter sido pior, se o capitão da mesma não tivesse desviado de uma estação apinhada com mais de 2000 pessoas. Seguiu-se uma manhã de atrasos, filas longas e desorganização total. Porém o serviço já vinha apresentando péssima qualidade há tempos.
Foi mal. Copiei o mesmo texto de novo. O pior é que isto vai continuar acontecendo, pois o tal Grupo Barcas S/A ainda tem a concessão por mais 13 anos. Eles vivem pedindo ajuda financeira ao Governo do Estado, alegando prejuízos e falta e capital para investir no negócio. Caramba, coitadinhos, não? Nem parecem ser algumas das empresas mais poderosas do Estado que estão mendigando dinheiro para os cofres públicos. Meu dinheiro. Seu dinheiro. Nosso dinheiro, de otários que não apenas pagam um absurdo em impostos, mas também pagam para usar o serviço podre e desumano ao qual as Barcas S/A nos submetem.
Eles realmente precisam de dinheiro? É uma questão pública? Então que as contas das Barcas S/A sejam abertas para o público! Eu quero ver os números, quero ver o tal prejuízo que eles alegam ter. Está tão difícil assim a situação? É o mesmo com todo mundo, malandro. Aqui em casa também está. Eu bem queria ter uma televisão Full HD de 42 polegadas, mas agora não dá. Tenho que me contentar com a LCD de 22 polegadas, que aliás, ganhei num sorteio na festa de fim-de-ano da minha empresa.
A Barcas S/A que se prepare. Sábias são as pessoas que aprendem com a história e como nós já vimos, a diferença entre a Revolta de 1959 e a de 1961 é que a segunda foi motivada por um simples aumento no preço da passagem, para se ver o estado de nervos generalizado das pessoas que utilizavam o serviço. Do jeito que a coisa anda, é bem provável que o consórcio faça o mesmo a qualquer momento. Eles seriam tão corajosos? Eles realmente não tem medo do que a população é capaz de fazer?
Palavra de quem esteve literalmente presente nos piores dias das barcas nos últimos dois anos: já consigo sentir o cheio da gasolina e o som dos fósforos raspando nas suas caixas...
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