30/01/2010

Reeducação da Atitude Global (parte III)

Hoje vou terminar a série de postagens sobre Reeducação da Atitude Global e o tema é bastante óbvio pela imagem ao lado: tempo.

Outro dia estava conversando com algumas pessoas no trabalho e o assunto "tempo" acabou surgindo. "Eu não tenho tempo para isso", ou "meu tempo é bastante contado" foram frases muito usadas para falar não de assunto profissional, mas para protelar nossas metas pessoais e vida privada. Então eu fiz uma conta por alto e voltando para casa com a ajuda do meu iPod, coloquei no "papel" (aplicativo Notes, na verdade) para me assustar:

Eu só tenho cinquenta horas por semana para cuidar da minha vida.

Por isso entenda-se: excluídas horas de sono, tempo para higiene pessoal, alimentação, trabalho e trânsito para o mesmo. Se eu não fizer hora extra e dormir seis horas por dia de semana e oito horas aos sábados e domingos, sobram-me apenas cinquenta horas por semana para cuidar da minha vida, me divertir com minha família e amigos, escrever, ouvir música, estudar, tocar guitarra, transar, qualquer coisa. A dramaticidade da coisa toma um contorno diferente depois que você lembra que uma semana tem apenas 168 horas. Menos de um terço disto é apenas meu. Então fica aprendida a lição:

OPTIMIZE SEU TEMPO

Eu já tinha tomado algumas decisões mas agora tenho embasamento empírico para alterar meus hábitos - o tempo está passando, não estou ficando mais novo e tudo é desperdiçado. Internet? Jogos eletrônicos? Televisão? Tudo é irrelevante e pode ser reduzido ao mínimo aceitável. Vou usar meu tempo para estudar mais, aprender mais, cuidar da minha saúde, ganhar mais qualidade de vida com a minha esposa. Recomendo para todos.

15/01/2010

Reeducação da Atitude Global (parte II)

Outro dia de manhã bateu uma ligação no meu celular de número estranho: (021) 94xx-xxxx (censurado por motivo de respeito à privacidade). Eram 09:20 horas e uma voz feminina se anunciou:

- Oi, bom dia. Meu nome é Daniela e eu falo da operadora Claro. Com quem eu falo?

Já começou mal. Eu nunca digo meu nome antes de saber quem está falando comigo ou de saber qual é o assunto. Hoje em dia, na era dos golpes virtuais e telefônicos, precisamos nos precaver. E se não for golpe é grosseria - se alguém liga para meu número e não sabe com quem quer falar, é porque tem algo errado.

- Desculpe Daniela, mas qual seria o assunto?
- É sobre uma promoção da Claro que gostaríamos de ofertar.
- Obrigado, mas eu tenho um plano Oi Conta Total, não estou interessado.
- *Tu tu tu tu tu*

A mulher bateu o telefone na minha cara! Apesar da grosseria da Daniela (sair perguntando meu nome), fui gentil. Tenho testemunhas que ouviram a ligação, não alterei meu tom de voz e fui educado, respondi calmamente como se estivesse falando com um colega no trabalho. E a tal Daniela da Claro simplesmente bateu o telefone na minha cara!

Os defensores do setor de telemarketing alegarão que a pessoa faz um milhão de ligações por dia, não tem tempo para nada. Que cada minuto que ela passa ao telefone é valioso pois ganha por comissão. Que suas palavras na verdade são um reflexo do manual ou treinamento que ela deve seguir. Mas na boa,

SEJA EDUCADO

É a dica de hoje. Quanto mais educado e polido você for, mais positivamente irá influenciar a atitude das pessoas que te cercam e consequentemente o seu ambiente. Ninguém gosta daquela pessoa que briga com a funcionária do mercado porque o preço da carne está alto demais. Ao contrário, deveríamos ser as pessoas que fazem todo o possível para tornar o dia da funcionária do mercado melhor.

Claro, não estou falando apenas de atitude, mas também de respeito básico aos nossos semelhantes e a si próprio. Pense duas vezes antes de soltar os cachorros em cima das pessoas e aos poucos sua vida ficará melhor.

14/01/2010

Reeducação da Atitude Global (parte I)

O post anterior sobre aquecimento global me inspirou. Também fui particularmente inspirado pelos comentários do Bruno e da , ambos comprovadamente seres plenamente pensantes, tanto ao vivo como online. Então, a idéia geral é criar posts sobre atitudes amplas que podem ajudar a alterar ou reeducar a postura de uma ou mais pessoas sobre a forma como elas encaram e modificam o ambiente ao seu redor. Em suma, mostrar pequenos tópicos sobre como podemos praticar uma Reeducação da Atitude Global. E o primeiro R.A.G. é:


PRATIQUE MAIS E FALE MENOS


Vou usar como exemplo o site Click Arvore. Quando comecei a namorar a Clara ela descobriu este site, que é mantido por uma ONG (SOS Mata Atlântica) com base em patrocínio de empresas privadas. Resumindo, você entra lá todo dia e planta uma muda de árvore "virtual". Cada muda que você plantou "online" é enviada para uma fazenda ou reserva que participa do programa da ONG para reflorestar a Mata Atlântica. Muito bacana e tudo o que você precisa fazer é perder 30 segundos do seu tempo todo dia, entrar no site, dar uns três cliques e pronto.

A imagem acima é o perfil atual da minha "plantação virtual". Pelas contas da ONG, eu sozinho já contribuí para o reflorestamento de 4200 metros quadrados da Mata Atlântica. Quando tentei divulgar o site no Google Wave incluindo enquete, o resultado e feedback foram deprimentes. O mais triste foi ver pessoas que numa mesa de bar ou festinhas da vida advogam em prol do meio ambiente simplesmente se lixando para um projeto tão interessante, sem ao menos tentarem se informar melhor.

As pessoas deveriam praticar o que pregam com mais frequência. Não apenas reclame do aquecimento global, faça algo! Se você não pode separar lixo, ou replantar mudas de árvores numa fazenda, ou queimar menos gasolina ou usar menos produtos não-recicláveis, putz grila, pelo menos divulgue boas causas e não seja do contra. Você nem precisa levantar sua bunda gorda da cadeira para fazer algo, apenas altere o status da sua persona online para algo mais interessante: o das pessoas que não apenas se importam, mas agem também.

11/01/2010

Global Warning?

Sabem esta imagem impressionante aí do lado? É a Grã-Bretanha, completamente congelada. Literalmente, virou uma ilha de gelo por causa da loucura climática que está atingindo o mundo hoje em dia, seja com uma onda de calor horrível em todo o hemisfério sul como o congelamento rigoroso do hemisfério norte.

O mais incrível é ver que muita gente reclama, critica, bate pesado - especialmente quando tem a possibilidade de se esconder sob o manto do anonimato - mas raras são as pessoas que de fato se movem para tentar melhorar a situação. Claro, países e empresas adotam políticas e compromissos, mas e os indivíduos? Nós simplesmente cruzamos os braços e na maioria das vezes não fazemos nossa parte, nem sequer uma crítica construtiva.

Eu vou continuar tentando fazer a minha parte. Admito, sou "blogueiro", gosto do formato. Manterei minhas contas de orkut, facebook, twitter e outros do gênero como forma de levantar minha voz, mas sinceramente, quem acha comunicação é passar o dia inteiro resmungando que odeia trabalhar ou que constantemente falar mal de outras pessoas é algo divertido, fique à vontade para se tornar irrelevante.

No blog posso mostrar que penso. Não que todos tenham que concordar comigo, este é o princípio da discussão: gosto que me contrariem, quem sabe não aprendo algo novo ou mudo de opinião. Da mesma forma que com a questão do aquecimento global, chegou a hora das pessoas saírem do conforto e aconchego de seus cantinhos passivo-agressivos e encararem uma questão muito mais importante:

O quê vou fazer para melhorar as coisas?


P.S.: o trocadilho no título do post é o nome do último disco do Jon Oliva's Pain, o qual aqueles que curtem rock e metal devem obrigatoriamente conferir.

29/12/2009

O fim de mais uma década

Então chegamos a mais uma data significativa, o fim de uma década. Minha terceira década, para ser mais preciso e a década na qual vivi praticamente toda minha vida adulta.

Nasci no fim dos anos 70, obviamente não vi nada daquela época. Mas minha infância foi toda passada nos anos 80, quando eu achava que usar blasers com mangas levantadas como os atores de Miami Vice era provavelmente a roupa mais chique que um homem poderia vestir.

De repente vieram os anos 90 e com eles a adolescência. Sempre ouvi rock, mas ele era simplesmente isso, rock. Foi então que aprendi a rotular e ser rotulado. Grunge, punk, metal, metaleiro ou nerd. Estudei numa escola junto com uma grande massa de pessoas odiosas, mas hoje em dia a maioria delas vivem vidas medíocres, ao contrário do que posso falar sobre eu mesmo.

E de repente, pow. Veio o ano 2000, o novo milênio. "Fim do mundo" alguns diziam, hoje podemos ter certeza de que estavam errados. Nos últimos dez anos aconteceram coisas bastante peculiares na minha vida, dentre as mais relevantes o fato de que abandonei uma faculdade que odiava, fui expulso de casa (com motivos bastante justos), encontrei uma carreira que realmente gosto, perdi um avô muito querido e me tornei uma pessoa independente. O motivo mais relevante de todos merece uma frase separada: encontrei o amor da minha vida e casei com ela.

Neste novo fim dos tempos, neste novo marco, do término dos anos "00", comecei a reavaliar algumas coisas que mudaram bastante em mim. Para início de conversa, estou mais cínico. Não consigo me envolver com a mesma paixão em toda e qualquer discussão, quando vejo alguém falando besteira normalmente nem me dou ao trabalho de argumentar, simplesmente deixo a idiotia passar batida, às vezes com uma simpática anuência pálida, a qual normalmente não significa nada.

Uma coisa muito interessante é que quanto mais velho fico, mais antigo fica meu gosto musical também. Eu só tenho ouvido "velharias" como Secos e Molhados, Grand Funk Railroad, Blue Öyster Cult, Iron Butterfly, Blue Cheer, Grateful Dead. Enquanto alguns de meus amigos sempre conhecem todas as bandas novas dos subgêneros mais cabulosos do metal (coisas quase poéticas como bandas de "splatter-death-grindcore-swedish-stoner-metal"), me contento com o rock dos clássicos, com as guitarras eternas de Iommi, Page, Blackmore e companhia.

Também passei a dar mais valor às amizades, priorizando qualidade em detrimento de quantidade. Creio que isto seja normal, apesar de que alguns amigos e amigas com os quais eu realmente gostaria de ter mantido contato por uma série de motivos aleatórios estão um pouco distantes. Adicionalmente entendi o valor que a família tem para uma pessoa, tanto nos bons como nos maus momentos. Estas são as pessoas que sempre estarão ao seu lado, independente do que aconteça, evite criar mágoas duradouras com sua família, seja ela pequena, grande ou na medida certa.

Resumindo este desabafo, desejo sinceramente que todos tenham uma ótima década pela frente, com um número reduzido de esteriótipos, rótulos, mazelas e uma quantidade generosamente maior de amor, carinho e felicidade.

E claro, não poderia esquecer: muito sexo.

24/12/2009

Presentão de Natal

Então, hoje abro meus e-mails e descubro que a Haloscan não oferecerá mais seus serviços gratuitos. Me foi oferecida a opção de migrar os serviços para um servidor pago. Bem, eu já pago webspace e domínio, não preciso de mais uma conta... Então vou começar a usar os comentários do blogger mesmo. Uma pena isso, desde 2002 (com meu blog antigo) eu usava o sistema de comentários da Haloscan. Pelo menos eles permitiram que eu salvasse todos os comentários do meu blog para o computador.

Como meu blog é hospedado no meu próprio webspace, não pude usar os novos templates com widgets do Blogger, logo, fiz algumas mudanças na mão mesmo, "old fashion style", com o velho e bom Notepad. Comentários antigos não aparecerão mais aqui, portanto, comentem (bastante) no sistema novo.

Feliz Natal e Ano Novo para todos, ou como eu diria em sindarin, geliren aerinor a penninor!

13/12/2009

Eu tive um sonho...

Então, hoje eu tive um sonho, vou compartilhar com vocês. Foi uma experiência e tanto. No sonho eu estava em casa, mas não era exatamente a minha casa. Como em todo sonho estranho, era um lugar completamente alienígena mas que eu reconhecia como sendo a minha casa.

De repente a campainha toca e um homem vestido com roupas de chauffer está me esperando à porta. Eu mal posso me vestir e acabo parando dentro de uma limousine muito chique. O chauffer arranca enquanto eu abro uma garrafa de champagne francesa, o que combina perfeitamente com palavras como limousine e chauffer.

Paramos em frente a um prédio de luxo. Pego elevador até a cobertura onde me deparo com um apartamente regiamente decorado com o melhor que há no mundo. Uma música ambiente está tocando, algo como slow jazz, já é noite e o apartamento só é iluminado por algumas velas espalhadas estrategicamente pela grande sala.

Mal termino de sentar num sofá de couro escuro, aparece-me uma mulher. Era uma balzaquiana, provavelmente no fim da casa dos trinta, porém muito conservada e muito bonita. Ela parecia ser o tipo de mulher capaz de pagar pelos melhores tratamentos de beleza do mundo, então talvez fosse muito provável que sua idade real fosse bem maior do que eu imaginava. Mas dane-se, ela parecia com a Monica Bellucci e estava usando um vestido com uma quantidade ridiculamente mínima de tecido.

"Você está confortável, Bart?" ela perguntou com uma voz rouca, sedutora e cheia de confiança. Eu fiquei um pouco atordoado.

"Sim, a champagne estava boa. Mas quem é você?"

"Você é um homem inteligente, com certeza é capaz de descobrir com apenas algumas dicas a mais. Me acompanhe até a varanda, querido". Então ela se dirigiu a um portal que por sua vez levava a uma varanda com ampla visão para toda a cidade. Parecia que estávamos no topo do mundo.

"Você vê aquela rua ali embaixo?" e apontou para uma avenida larga, com metade das faixas em obra.

"Sim, aquela avenida está fechada há quase um ano. A obra nunca termina." Em seguida ela apontou para um edifício velho, quase do outro lado da cidade.

"E aquele prédio, sabe do que se trata?"

"É um hospital público que saiu nas manchetes há algumas semanas atrás. Parece que morreram treze bebês recém-nascidos ali em menos de um mês."

Ela olhou para mim com algo parecido como júbilo nos olhos. Depois apontou novamente para outra área da cidade. "E aquela coisa feia ali, sabe o que é?"

"Aquela é considerada a favela mais violenta da América Latina." Naquele momento eu tive a certeza do que estava acontecendo, ou pelo menos de quem estava na minha frente. Ainda assim decidi confirmar. "Tudo isto que você me mostrou, é tudo obra sua, não?" Ao invés de responder com palavras, ela firmou um sorriso de canto de boca e acenou positivamente com a cabeça. Neste momento não tive mais dúvidas.

"Você é a Política."

Vamos lá, não é como se ela fosse uma política específica, ou uma personalidade individual. Ela era a personificação completa da Política que se pratica hoje em dia no Brasil. E estava ali, na minha frente. Eu não poderia ficar mais enojado.

"O quê você quer comigo?"

"Meu querido Bart, tente entender... Recentemente chegou ao meu conhecimento que você anda meio decepcionado comigo. Até é compreensível, com tudo o que está acontecendo no país nos últimos anos ou décadas, bem... Eu entendo. Mas eu também quero que você veja o meu lado. Eu gosto de você. Na verdade, eu te amo. Você é o tipo de pessoa que me enxerga como eu realmente sou, que pode me abraçar, que pode me possuir. Basta apenas ceder aos meus encantos."

Neste momento perdi as estribeiras. "Nunca, sua puta suja." Ao pronunciar estas palavras, a Política pareceu sentir um tremor, um lampejo de prazer. "Continue," ela disse. "Continue falando assim, eu adoro sujeita, adoro sacanagem."

"Você não passa de uma puta suja que gosta de foder com o povo." Ela pareceu gostar mais ainda, chegou a se retorcer. Então a Política soltou as alças do vestido na altura dos ombros, deixando seus fartos seios à mostra. "Vem pra mim, fica comigo. Fala sujo que eu gosto, eu sou sua, seja meu." Olhei aquela bela visão, languidamente oferecida como um banquete numa única bandeja. Agarrei sua cintura com minha mão esquerda e ergui sua perna com minha mão direita, empurrando-a junto ao meu corpo para nos encostarmos no parapeito. Sua pele era mais suave do que imaginava, o toque sedutor e macio. Seus belos olhos mesmerizavam e ao mesmo tempo me cativavam.

"Desgraçada, ceifadora de vidas, vadia dos mercadores da morte e da violência. Meretriz da injustiça, vagabunda da infelicidade alheia." Cada vez mais ela parecia crescer e se entregar à delícia do próprio prazer, do orgulho e do reconhecimento de seu caráter sujo. Ergui sua perna esquerda junto com a direita e pressionei seus quadris contra os meus, erguendo-a do chão. Ela me envolvia, me contaminava, me dominava.

"Vai, continua, não para." Ela realmente queria mais. Eu poderia dar, eu a tinha em meus braços, sentia sua pele quente, seu corpo ardente de prazer. Então decidi que era hora e disse: "Política, puta suja, isto é o que você merece". Com apenas um movimento ergui suas pernas mais alto e com isso ela caiu do parepeito. Parecia gritar enquanto caía em direção ao concreto, mas eu não ouvi nada. Apenas observei com grande deleite sua expressão atônita, incrédula, que se encerrou com um forte estalo rubro na calçada. Neste mesmo instante a obra na avenida se completou, o hospital recebeu verbas e os bebês pararam de morrer e os moradores da favela passaram a viver num lugar mais justo e com menos desigualdade.

Aí meu despertador tocou. Eu acordei, levantei e tive um ótimo dia. Poucas coisas na vida são tão boas como acordar de bom humor após ter-se um sonho com final tão feliz, realmente é uma forma maravilhosa de se começar o dia.

06/12/2009

Sal, o Vilão Anti-Gatos

Já faz algum tempo que eu pensei em colocar esta pesquisa aqui. Eu e minha esposa, Clara Edwiges, cuidamos da nossa gata persa pet, a Pixie, desde Dezembro de 2007, quando ela tinha apenas dois meses de idade. Agora a família cresceu com seu filho Fera, que acabou de completar três meses. Ao longo desses dois anos que a Pixie está conosco, nos cercamos de cuidados para que ela tivesse uma boa vida, se alimentando bem e de forma saudável.

Neste três anos a Pixie também teve três lares diferentes: meu antigo apartamento em Macaé (RJ), o apartamento onde a Clara morava aqui em Santa Rosa (Niterói, RJ) e finalmente o apartamento onde moramos hoje em Icaraí (Niterói, RJ). Desde que ela nasceu, a levamos a cerca de quatro veterinários diferentes e um comentário comum a todos os profissionais que a atenderam nos assustou: "não dê uma ração com muita quantidade de sal para seu gato, isso pode causar problemas graves no futuro".

A ingestão de sal em excesso é um problema grave para nós, humanos, então imaginem para gatos, que tem tendência muito maior a doenças renais. Um artigo muito bom é encontrado neste site e escrito pelo Dr. Luiz Carlos Garcia. Outro bastante didático é o escrito pela equipe do Renalvet e postado num blog (aparentemente o site da Renalvet está passando por mudanças, por isso o artigo original foi removido). Outro texto muito interessante é este artigo apresentado pelas Dras. Eliane Toledo-Pinto, Fernanda Nakasato e Pauyra Rennó.

Então, o sal é o grande vilão das doenças renais. Ele facilita as mesmas, agrava sua evolução, é realmente algo a ser evitado. E eu sempre ouvi um burburinho de que "certas" rações para gatos tem sal em excesso, o que prejudica a saúde dos bichanos, porém faz com que a comida seja mais atraente para os mesmos, pois o sal adiciona sabor e faz com que eles amem a ração. Seria isto verdade? Decidi investigar o assunto.

Entrei em contato através da internet com as três maiores produtoras de rações de gatos no Brasil: a Nestlé Purina (Cat Chow e Friskas), a Royal Canin e a Masterfoods (Whiskas). Para equalizar apropriadamente a pesquisa, decidi perguntar qual é a concrentação de cloreto de sódio (NaCl, "sal comum") para cada 100 gramas de ração destas marcas, considerando apenas uma ração sabor carne para gatos adultos ou similar.

A Nestlé Purina e a Royal Canin entraram em contato comigo após 48 horas da minha mensagem ter sido emitida, informando prontamente a informação que eu desejava. A Masterfoods ignorou três mensagens minhas enviadas pelo site de atendimento a clientes deles. Enviei uma quarta mensagem solicitando a informação, caso contrário eu buscaria tal dado através do orgão de defesa do consumidor apropriado. Aí eles enviaram um e-mail para mim após 24 horas da minha mensagem. Prestativos, não?

Em suma, vejam o resultado da minha pesquisa:

Marca: Nestlé Purina, Cat Chow
Ração: para gatos de 1 a 7 anos
Concentração de sal: 0,48g / 100g

Marca: Royal Canin
Ração: Indoor 27
Concentração de sal: 0,60g / 100g

Marca: Masterfoods, Whiskas
Ração: Seco carne (adulto)
Concentração de sal: 1,52g / 100g

Como se pode ver, a ração Whiskas tem aproximadamente três vezes mais sal que outras rações no mercado. O que será que o meu médico me diria se eu dissesse que vou triplicar a quantidade de sal que como diariamente? Não sei. Provavelmente eu levaria uma bronca, mas quem manda é o médico. Neste caso, o veterinário.

Se você tem um gato em casa, leve a informação acima para o veterinário que trata o seu bichano. Pergunte para ele se estes níveis e concentrações de sal são aceitáveis para seu gato. Mas sempre procure um profissional responsável e qualificado, ele é a melhor pessoa para aconselhar e prescrever uma boa dieta para seu gato. Além disso, ajude a divulgar este texto do meu blog, se você realmente ama seu gato e quer o melhor para ele.


UPDATE: contradição da Masterfoods (Whiskas). Na época não atentei para os detalhes, mas vejam que primeiro recebi esta informação por e-mail do SAC deles:

"Informamos que, o produto Whiskas® adulto contém: máximo 1,52g de sódio a cada 100g de produto."

Duas semanas depois (e após a publicação deste post na internet) recebi outro e-mail, desta vez da Gerência de Marketing do Whiskas:

"De acordo com os parâmetros estabelecidos pelo Centro de Pesquisa de Waltham, os alimentos para gatos podem ter no mínimo 0,8g e no máximo 1,5g de Sódio em 100g de produto. WHISKAS® tem, em média, 0,9g de Sódio e o intervalo aceito pelo nosso controle de qualidade para os nossos alimentos é o mesmo estabelecido por Waltham (0,8g-1,5g/100g), ou seja, está dentro dos níveis seguros para a saúde dos gatos."

Peraí, Whiskas tem 1,52g/100g de sódio, ou tem 0,90g/100g de sódio? Ah, vale lembrar uma coisa... A Masterfoods (MARS Inc.) é a dona do Centro Waltham. E o que é mais engraçado ainda, é que eu não sabia, mas a Royal Canin também pertence à Masterfoods. O quê isso significa? Que eles fazem uma ração mais barata e agressiva para competir no mercado com seus pares de preço baixo e para quem pode pagar, fazem uma ração saudável? Por quê o SAC e a gerência de marketing da Whiskas entram em contradição?

A minha intenção é dar informações e questionar. Espero que todos possam cuidar dos seus gatos da melhor forma possível com o conhecimento dos dados acima.


UPDATE (04/01/2017): Entre 2009 e 2016, além da Pixie e do Fera, nós aumentamos a família felina, adotando o Chico, o Loki e a Jessie. Infelizmente o Chiquinho faleceu no dia 07/12/2015 com falência renal. Nós sempre demos a melhor ração possível para ele e todo o acompanhamento e carinho, mas ainda assim, as doenças renais em gatos são silenciosas e quando os sintomas aparecem, pode já ser tarde demais para tratar. Cuidem dos seus bichanos com a maior atenção possível e sempre pensem em qual é a melhor ração para dar para eles.

11/11/2009

Update dos gatinhos

Oi pessoal. Me desculpem por não ter avisado antes, mas é que as últimas semanas tem sido muito, mas muito corridas mesmo. Vou frisar o mesmo com negrito, para ficar mais verdadeiro. Então, o anúncio para adoção do Chorão e do Nariz Peludo foi postado na segunda-feira e no dia seguinte os dois já tinham novos pais! Na quarta-feira, há exatamente uma semana atrás, ambos saíram daqui, deixando para trás bastante saudosos a mãe Pixie e o irmão Fera.

Ambos encontraram duas famílias boas, com gente atenciosa, carinhosa e que, temos certeza, cuidarão muito bem dos bichinhos. Peço desculpas se não pude (ou não consegui) falar com todos que entraram em contato comigo ou com a Clara, mas é que tudo aconteceu muito rápido mesmo. Eu mal cheguei em casa na terça-feira de noite e os meninos já tinham donos - dois lares que os farão muito felizes.

Novamente, me desculpem se não foi possível avisar a todos em tempo hábil. Em breve, fotos das travessuras do Fera aqui. Foi só ficar sozinho que o rapaz começou a surtar de correr pela casa inteira e atacar todas as bolas que vê pela frente - porém apenas as feitas de plástico.

02/11/2009

Me leva pra casa!

Então, dois filhotinhos da Pixie estão procurando um lar com pessoas carinhosas, companheiras e que gostem de cuidar de gatinhos terrivelmente fofos, caseiros e brincalhões. Os nomes provisórios das duas peças são "Chorão" e "Nariz Peludo". Quem estiver interessado na adoção, por favor entre em contato comigo (bartrabelo@gmail.com) ou com a Clara (claraedwiges@gmail.com). Tem duas fotos de "brinde" ali embaixo, mas também segue o link para um álbum online com mais fotos dos dois bebês. Agora, quem estiver interessado tem que ser rápido!

Album de Fotos: Me leva pra casa!