15/02/2012

E o humor brasileiro?

Já faz um bom tempo que o humor brasileiro apenas atinge as manchetes por motivos não tão engraçados. Uma piada politicamente incorreta ali, outra racista aqui. Talvez um comentário danado de infeliz, salpicado de malícia e um pouco de falta de noção. Enfim, o quê diabos está acontecendo de errado com o humor brasileiro?


Nada. Nós sempre fomos assim, a diferença é que com o mágico avanço da internet, a quantidade de multiplicadores e opinião e críticos aumentou avassaladoramente. Antes todo mundo só comentava sobre o esquete novo do “Zorra Total” ou o antigo de “A Praça É Nossa”. Voltando mais ainda no tempo, lembremos de esquetes do Chico Anysio, do Jô Soares, dos Trapalhões, as piadas do Ary Toledo, do Juca Chaves e do saudoso Costinha. Poderia ir além, mas vejam bem, eu nasci em 1978.

As piadas são as mesmas. Os humoristas são os mesmos. O povo brasileiro continua dando atenção para as mesmas piadas sexistas, racistas, violentas, de mau gosto. Entretanto hoje, ao invés delas serem coadjuvantes para o talento excepcional de poucos, são o prato principal da maioria. Quando criança, lembro com clareza das mordazes e corajosas piadas sobre políticos do Chico Anysio. Entretanto, para chamar a atenção de muita gente, ele precisava colocar em seu programa uma ou outra gostosona com roupas curtas e apertadas.

Antes alguém poderia dizer: “quer ver mulher pelada? Vai ler a Playboy!” Era verdade. Hoje a coisa é maior ainda. “Quer ver mulher pelada? Entre no Google.” O mercado de pornografia e nudez na internet é tão farto quanto gratuito. Então não ajuda muito que os comediantes usem o velho artifício da mulher gostosa pra chamar atenção, não é? O que sobra para eles?

Serem polêmicos.

Quando mais audiência damos para pessoas que usam a muleta da polêmica para sustentar suas carreiras, mais nos rebaixamos. E muitos destes humoristas descobriram seu grande filão e público justamente entre os internautas, que os amam à mesma velocidade que os odeiam, quando falam algo de seu desagrado.

Não sou contra esta estratégia, acho inclusive muito válida, para quebrar os paradigmas convencionais da ditadura da mídia vigente no Brasil. Isso não significa que eu admire estas pessoas e muito menos que apóie o que elas dizem. Mas há de se admirar que, com tanta gente batendo palmas ou vaiando cada um dos seus gracejos públicos, que poucos tenham percebido que eles usam a velha e boa estratégia do “bem ou mal, mas falem de mim”, dando a entender que não queriam isso em primeiro lugar.

14/02/2012

8 na fila e bola pra frente

Estava pensando hoje se estou realmente reconstruindo uma comunidade. Não, não é essa a palavra certa, na verdade é uma platéia. É claro que eu gosto de audiência. Todo mundo quer sentir o mínimo de importância e para isso hoje em dia temos números. Dos meus outrora 50 seguidores aqui no blog, não creio que um quinto realmente lesse o que escrevo, mas ainda assim, o número é reconfortante.

800 amigos no Facebook. 140 seguidores no Twitter. 420 amigos no Orkut. 50 seguidores no Blogger. 150 no Google Plus. UAU. Isso deve significar muita coisa, olha a quantidade de gente que presta atenção no que eu falo, em quem eu sou.

Não, isso não é verdade.

Há alguns meses atrás coloquei uma foto no Facebook uma foto da minha toalha molhada, pendurada após o banho e que parecia uma imagem do E.T. do Spielberg (é bom especificar, hoje em dia nosso imaginário tem mais alienígenas do que somos normalmente capazes de lidar). Não lembra? Não viu? Confira aqui:

Legal né? O próximo padre que achar uma imagem da virgem
Maria numa torrada vai ter que repensar seus conceitos.

29 pessoas curtiram isso, em Junho de 2011. Várias pessoas comentaram. Destas 29 que realmente clicaram num botão para expressar seu contentamento com a imagem sacra do E.T., apenas uma eu não conheço pessoalmente (mas acredito que pode ser realmente uma boa pessoa, pois é amiga de outra que o é com certeza). 5 dias depois ninguém mais comentou, ninguém mais lembrava da foto, da piada.

Nossas piadas, nossos humores hoje em dia são tão rápidos e descartáveis quanto um clique no mouse. Eu vejo, eu gosto, eu curto, eu compartilho e ponto final. Pode ser que encontre novamente este pedaço de informação, solto na web, numa linha temporal do Facebook, num tweet despretensioso ou numa comunidade do Orkut (há alguns que ainda tem estômago para aquele troço). Por quê não receber um e-mail, estilo corrente e com a ameaça veemente de que se você não compartilhar a imagem do E.T. para 10 amigos dentro de 15 minutos, 150 raios laser cairão dos céus na sua cabeça?

Temos a tendência a nos apegar a estes números e à qualidade que eles trazem para nossas vidas como se fossem a coisa mais importante do mundo. Todos se interessam pelo que eu escrevo, veja, 5 já curtiram a nova imagem antiga que compartilhei. O blog, falem bem ou mal, é uma ferramenta para tornar mais estático o volátil e merda, eu gostei da piada do E.T. - não podia deixá-la morrer no mar de informações e estatística do Facebook.

Vamos lá gente, estou aguardando ofertas. 8 seguidores, quem dá mais?

12/02/2012

Chegou a hora da verdade para o blog

Então, agora eu realmente não sei o que fazer. Só percebi recentemente que o Google Friend Connect será desativado em 1º de Março e pra variar, a notícia já é antiga.

A opção apresentada pela Google é ridícula: criar uma página no Google Plus. Cacete, isto aqui é um blog pessoal, não é uma empresa. Eles realmente querem que eu pare de escrever aqui e passe a colocar minhas atualizações apenas no facebook? Que idéia estúpida, pois funciona apenas para quem tem websites de negócios, notícias, variedades. Eu sou uma pessoa que escreve num blog, nada além disso.

Por exemplo, eu tenho uma página no Google Plus. A minha página. A idéia deles é que eu criasse uma página do "Blog do Bart Rabelo" e gerenciasse isso no G+ pra manter contato com a "minha comunidade". Não vai acontecer. Eu até criei a página e coloquei aqui do lado o botão conforme as instruções deles, apenas para ver o quão inútil e estúpido isso é.

Até o fim do mês ninguém sabe direito o que vai acontecer. Estou pedindo às pessoas que seguem meu blog para se inscreverem novamente usando a nova área de seguidores (na barra da direita), pois esta "TALVEZ" não seja removida/cancelada pela Google. Só posso trabalhar em cima de presunções.

O que vai acontecer agora, é que uma das poucas ferramentas para interatividade entre bloggers, morrerá. E com isso, cada vez mais, os blogs pessoais também. Eu tenho apenas 50 seguidores, outras pessoas tem milhares. Tirem suas próprias conclusões.

07/02/2012

Virtude e Consciência

Eu gostaria de deixar algumas coisas bem claras.

A primeira é que sou apartidário. Não acredito em partidos, especialmente no atual sistema político do nosso país. Acho que é uma mentalidade burra e uma prática estúpida acatar tudo o que um partido representa simplesmente por querer fazer parte dele. Isto leva à intriga, manobras escusas e jogo de interesses. Por isso sou apartidário.

Outra coisa interessante: sou centrista. Não daqueles, como o PMDB, que mudam suas alianças conforme a dança das cadeiras vai sendo feita, eu sou centrista e ponto final. Concordo com muitas das idéias defendidas pela esquerda, com outro tanto de idéias defendidas pela direita. Não preciso abaixar a cabeça para tudo, nem bater de frente com todos.

Eu pratico aquilo que prego e prego aquilo que sou. Defendo o direito dos empreendedores de realizarem seus negócios sem uma carga tributária absurda, assim como o dos trabalhadores de receberem bons benefícios em troca da sua mão-de-obra. Acho que o socialista deveria pensar mais como um capitalista e que o capitalista deveria pensar mais como um socialista.

É por isso que venho falando tanto sobre Pinheirinho nos últimos dias. Muitos tem fechado os olhos para a situação das pessoas despossuídas por preconceitos políticos e sociais. Por outro lado tenho visto muitos comentários na internet relacionados a Pinheirinho envolvendo palavras como "anarquia", "socialismo", "direita", "esquerda", "reacionário", "ditadura", "sindicalista".

Você não precisa se enquadrar em nenhuma das categorias acima para se revoltar com a situação atual da Síria ou do Egito, para se enojar com o apedrejamento de mulheres em praça pública na Nigéria, para querer acabar com a corrupção da política no Brasil. Ou para ser contra o que aconteceu em Pinheirinho. Tudo o que você precisa é tentar se tornar um ser humano melhor, aplicar ao seu cotidiano virtudes permitam que você faça o melhor possível, dentro das suas limitações.

Muitas vezes, a verdade tem um preço. O caso do foto-jornalista Kevin Carter, que sofrendo de depressão se matou em 1994, é bastante conhecido. O seu suicídio ocorreu poucos meses após ele ganhar um Prêmio Pulitzer, mas o homem simplesmente não foi forte o suficiente para lidar com as memórias das guerras, das matanças, das coisas erradas que presenciou, impotente. Ele tinha a minha idade, 33 anos, quando se matou.

Ter virtude e lidar com sua consciência é difícil, exige uma força que poucos tem. Pessoas como eu, afastadas dos confrontos diretos e do sofrimento dos oprimidos, não precisam ser tão fortes. Pessoas como eu e talvez... Como você?

30/01/2012

Pinheirinho e as algemas do Brasil



Eu achei esta foto particularmente mais forte do que as outras (não divulgo aqui o nome da autora, pois recebi a foto pelo facebook e prefiro respeitar a privacidade da mesma). Vejam este senhor de idade, sem posses, dormindo num colchão que não lhe pertence, com um cobertor que não aplaca o frio da noite. Ele virou um marginal.

Nosso país está criando marginais aos montes: as vítimas das chuvas em Niterói, na região serrana do Rio e Brasil afora. Os moradores de rua, que não tem abrigos, que não tem uma mão amiga. Os doentes que não conseguem lugar ao sol no SUS.

Eles são todos marginais. Foram todos colocado de lado pela sociedade, largados à sua própria sorte e à caridade de poucos. O Estado não se importa com eles. A classe média perde o interesse em suas histórias tristes com facilidade. Nós doamos uma muda de roupas, alguns quilos de comida e fazemos nossa parte.

Enquanto isso, as pessoas que realmente deveriam estar fazendo algo, protelam. Se não for de seu próprio interesse, jamais tomarão qualquer tipo de atitude para acabar com essa miséria, com essa dor. Inclusive continuarão alimentando os problemas, enfraquecendo os alicerces e fomentando a ignorância da população.

Nas eleições este ano, só vote em candidatos de ficha limpa. Vigie aqueles nos quais você votou. Exija que eles cumpram suas promessas de campanha, controlem seus gastos públicos e de gabinete. Interrompa o fluxo da desgraça humana na sua fonte: os nossos opressores, que acreditam que através da vida política, poderão enriquecer às custas da maioria. Ajude a libertar o país destas nefastas algemas, que nos prendem à dura realidade de ter que aceitar as coisas como elas são, simplesmente porque lutar contra o moinho-de-vento é impossível.

Mas por favor, faça alguma coisa, por menor que seja. Outros estão fazendo.

28/01/2012

Pinheirinho

Prova da noite no Big Brother Brasil: 30 minutos
Capítulo da novela das 9: 60 minutos
Jogo de futebol no domingo: 90 minutos

Descobrir a verdade que a imprensa e o governo querem esconder: não tem preço

Por favor, gastem 18 minutos das suas vidas assistindo este video feito pelo meu amigo Pedro Rios Leão. Conversem sobre o video, critiquem, compartilhem. Mas façam alguma coisa! Se você, que está lendo isto aqui, ao final da transmissão estiver tão enojado(a) como eu, tenho certeza que ira fazer tudo ao seu alcance para se livrar deste véu de falsa liberdade que a internet nos dá. Nós temos que parar de aceitar placidamente tudo o que é jogado nas nossas caras, sem sequer pensar no contexto de tudo o que está acontecendo.

Eu sou um cidadão da República Federativa do Brasil. Eu me importo. O massacre de Pinheirinho é uma afronta à nossa cidadania, à nossa liberdade civil, à nossa república, ao nosso amado Brasil.



Não faz sentido?


Quanto menos conhecidas e quanto mais excêntricas forem as fontes, maiores as chances de todo mundo acreditar, não é verdade?

Imagine na Roma antiga. Um amigo teu chega e fala:

- Você ouviu falar dessa nova religião, os "cristãos"?
- Não... O quê são eles?
- Ah, eles acreditam em um deus só e que ele mandou seu filho pra Judéia pra salvar a humanidade.
- WTF?

19/01/2012

Gordon Duncan

Sempre é bom relembrar. Conheci o trabalho deste gênio através do meu amigo Bruno Trece.

Gordon Duncan, um cara tão cheio de talento, músico brilhante, lutou durante sua breve vida contra duas doenças: o alcoolismo e a depressão. Foi considerado um dos maiores músicos no instrumento em todos os tempos, mas ainda assim jamais conseguiu um emprego qualificado, trabalhando como faxineiro e até gari. As doenças o levaram ao suicídio com apenas 41 anos de idade.

Ouça o que o cara era capaz de fazer. E da próxima vez que você esbarrar com uma pessoa desfavorecida e doente, imagine do que ela não seria capaz, se tivesse ajuda.



11/01/2012

O novo poder da internet

Sei que o assunto já é meio "antigo", mas aqui está um exemplo do novo poder que a internet exerce junto à opinião pública. Creio que a tendência atual seja que este tipo de denúncia se torne mais comum, pois tamanha exposição pública acaba praticamente forçando que o ministério público e a polícia façam algo. E dá-lhe playboy admitindo que bebe e dirige depois da balada, agressões em boite filmadas, gente racista e preconceituosa falando asneiras no twitter e no facebook.

Agora, e que tal se tamanha comoção pública também englobasse a corrupção? Não quero incorrer em falácia, mas é fato que as pessoas comuns não denunciam corrupção - talvez por medo, talvez por nem saberem direito o que é um ato corrupto quando o enxergam. Se pelo menos a gente reclamasse e gritasse tanto na internet quanto nestas outras "causas perdidas", talvez o cenário global fosse um pouco diferente.

Novamente, não quero dizer que "a minha causa é mais importante que a outra". Isto aqui é apenas um desabafo, sobre como a "minha causa" tem tão poucos adeptos realmente leais.