18.11.05

Equador: Segundo Dia

Não quero ser chato, mas vou começar hoje, e me desculpem o palavrão, falando de "política". A situação aqui no Equador é verdadeiramente tensa. Eles ainda não tem presidente, e existe uma vontade geral de toda a população em escolher novos representantes em 2006 que limpem toda a corrupção do país. Outro problema daqui é que os empresários querem que o país entre para a ALCA, e a população faz manifestações anti-ALCA e anti-EUA quase todo dia. Esta era uma das impressões equivocadas que eu mesmo tinha deste país, pois aqui as pessoas são bastante argutas e pouco alienadas. Todos se preocupam com o estado da nação e em conservar a cidade. Um bom exemplo é que a Universidad Central de Quito é a terceira melhor de toda a américa latina.

Agora sem chatices. Não vou mencionar os detalhes do trabalho pois considero isso bastante anti-ético. Posso dizer que são todos muito simpáticos, me tratam muito bem e fazem perguntas sobre o Rio de Janeiro e o Brasil o tempo todo. Os equatorianos são tão fanáticos por futebol quanto os brasileiros, e estão muito empolgados com o fatos de que vão jogar sua segunda Copa do Mundo. Ontem na hora do almoço fui ao shopping com o Rafa, que é o meu ciccerone por essas bandas. Acabei comprando um agasalho para o frio danado que está fazendo e uma camisa do Nacional de Quito, um dos maiores times do país - só perde em torcida para o Barcelona de Guayaquil, que é uma espécie de Flamengo equatoriano.

A comida continua muito boa. Praticamente tudo o que eles fazem aqui é acompanhado de milho e batatas, o que não é de se surpreender, visto que a cultura Inca é a base do país. Eles adoram frutos do mar, e os mariscos, peixes e camarões daqui são deliciosos. A maior parte da população é composta por mestiços, mas ainda há muitas tribos de índios espalhadas pelo país. Amanhã visitarei a cidade onde fica o marco da linha do Equador, e é também onde vive uma tribo que faz artesanato tradicional.

Ontem, depois do trabalho, fui jogar sinuca com o pessoal. Bem, na verdade não era "sinuca", e sim um jogo chamado "Bajas y Altas". Na mesa são postas bolas numeradas de um a quinze - uma das duplas tem que matar as bolas de um a sete, a outra as bolas de nove a quinze. Quem limpar suas respectivas bolas pode matar a oito, e então ganhar o jogo. Mas se você mata a oito antes de limpar suas bolas, perde o jogo.

O fato é, e eu nunca pensei que diria isso, aqui no Equador virei um "super-jogador" de sinuca. Minha grande deficiência no jogo sempre foi matar as bolas, e minha especialidade sair de situações complicadas e colocar o adversário nelas. Mas ontem, quando dei minha primeira tacada, matei uma bola que poderia ser considerada difícil. Achei estranho e inspecionei as caçapas - suas bocas eram cerca de cinco centímetros mais largas que as bocas de caçapas de mesas do Brasil! Então entendi que seria fácil matar as bolas, e portanto joguei muito bem, sem falsas modéstias. Eu a Rafa ganhamos onze partidas, e a outra dupla apenas uma. Acho que nunca mais vou conseguir jogar sinuca no Brasil, eu quero uma mesa equatoriana!

Depois descobri outra paixão dos Equatorianos - karaokê. Cantei "Bohemian Rhapsody" e "You Give Love a Bad Name", foi legal. Mas aparentemente todo mundo aqui gosta de música brega. Todas as músicas são canções de amor, de dor-de-cotovelo, dor-de-corno, e coisas do gênero, do tipo que você espreme e saem lágrimas. Eles adoram. Eles cantam a plenos pulmões e se divertem com isso, independente de idade - jovens e velhos. Realmente impressionante.

Além disso, descobri que aqui praticamente só se bebe duas cervejas: Pilsener e Brahma! Fala sério, eu não vim ao Equador para beber Brahma. O resto do pessoal achou engraçado que eu falasse tão mal da Brahma, eles achavam que era a melhor cerveja do Brasil. Todavia, me recomendaram fortemente a Pilsener, e eu aceitei. É uma das melhores cervejas que já provei, leve e encorpada, lembra bastante a minha favorita Miller.

Ontem foi tudo. Hoje a amanhã tenho muitas coisas programadas, mas não vou ficar adiantando aqui pois não sou bobo. O grande segredo da boa estória é manter o leitor preso, querendo saber o próximo passo. Hasta luego.

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