Era uma vez um reino que não tinha início e nem fim - vasto como a imaginação é capaz de torná-lo, e ao mesmo tempo tão insignificante como o nada. Neste reino havia uma princesa, que vivia escondida com medo da luz que brilhava além de seus domínios, e reconfortando-se com a escuridão que minguava no centro de tudo que existia.
Todos os dias a princesa recebia a visita de seus dois melhores súditos: um deles era uma andorinha, e o outro era um corvo. A andorinha era capaz de passar horas a fio contando histórias de suas viagens e peregrinações para os quatro cantos do mundo - relatava com detalhes vívidos as cores em todos os seus espectros, do céu azul-puro até as montanhas marrom-forte. Já o corvo, este sempre ouvia, pacientemente, sem nada dizer.
A princesa passou a nutrir no coração o desejo de conhecer o mundo que a andorinha descrevia, mas com suas frágeis e mirradas perninhas não seria capaz de ir muito longe. Comovida pelo desejo da princesa, a andorinha ficou muito triste quando percebeu que era leve demais para poder carregar a sua pequena majestade, e permití-la conhecer as mil maravilhas ao alcance de suas asas. Grande foi a surpresa de ambas quando o forte, robusto e ardilmente silencioso corvo ofereceu-se para levar a princesa a conhecer os outros reinos.
Uma vez agarrada às penas negras como a noite, os dois alçaram vôo, tendo um bom vento como aliado. O corvo levou primeiro a princesa para um país muito cinzento, onde castelos jaziam inertes, com paredes destruídas e muralhas cheias de rombos. De repente um sentimento de enorme solidão e arrependimento tomou o coração da princesa, e o corvo explicou que aquele era o Reino da Guerra, no qual eternamente exércitos se degladiavam por prêmios tão valiosos quanto as penas se suas asas. Não se surpreendeu quando a princesa exigiu que saíseem dali.
Voaram para uma terra repleta de areia, tão vasta que se perdia no horizonte. Por todos os lados havia dunas, algumas da altura de montanhas milenares. Este reino era cortado por um rio bastante caudaloso, de água vermelho-escura como uma cereja madura. Foi quando o corvo deu um rasante audacioso que a princesa conseguiu ver os rostos na água, com as mais diversas expressões de dor e sofrimento. Era aquele o Reino da Morte, disse o corvo, uma terra ruim para os que respiram, ou que não sabem nadar. Rindo do próprio chiste, mas com um calafrio na espinha, subiu o mais alto que pôde antes mesmo da sua companheira de viagem protestar contra a repugnante visão.
Poucos instantes depois chegaram a um reino de terras planas, com uma multidão de pessoas espalhada por todos os lados. Estavam todas acorrentadas pelos pés ao chão, logo ninguém conseguia sair do lugar. Estranho mesmo, constatou a princesa, era que todos olhavam para o alto, na direção de uma nuvem solitária, que vagava lentamente em círculos sobre o solo. Chegando lá os dois viram um pequeno grupo, composto por cerca de meia-dúzia de pessoas desacorrentadas, todas brincando, correndo e fartando-se de comer. O corvo sussurou que estavam no Reino da Injustiça, onde muitos eram forçados a assistirem, impotentes, à fortuna de poucos.
Com lágrimas nos olhos, a jovem implorou que o corvo a levasse de volta para seu próprio reino, e num piscar de olhos chegaram em casa. À medida que a tristeza dominava seu coração, a princesa indagou ao corvo por quê ele não a levou para os belos reinos descritos pela andorinha, e apenas para terras áridas, estéreis e ruins. Foi então que o corvo, com apenas um grito, disse à sua pequena soberana: "vossa majestade viu aquilo que deveria ver, e aqueles que é destinada a conhecer, quando um dia crescer em seu pleno poder. Vosso reino é tudo e é nada, o mais próximo e o mais distante, o maior e o menor ao mesmo tempo. Apenas aos que residem nas terras escuras e sombrias, como os reinos da Guerra, Morte e Injustiça, deve ser concedida a graça do Reino da Esperança."
Todos os dias a princesa recebia a visita de seus dois melhores súditos: um deles era uma andorinha, e o outro era um corvo. A andorinha era capaz de passar horas a fio contando histórias de suas viagens e peregrinações para os quatro cantos do mundo - relatava com detalhes vívidos as cores em todos os seus espectros, do céu azul-puro até as montanhas marrom-forte. Já o corvo, este sempre ouvia, pacientemente, sem nada dizer.
A princesa passou a nutrir no coração o desejo de conhecer o mundo que a andorinha descrevia, mas com suas frágeis e mirradas perninhas não seria capaz de ir muito longe. Comovida pelo desejo da princesa, a andorinha ficou muito triste quando percebeu que era leve demais para poder carregar a sua pequena majestade, e permití-la conhecer as mil maravilhas ao alcance de suas asas. Grande foi a surpresa de ambas quando o forte, robusto e ardilmente silencioso corvo ofereceu-se para levar a princesa a conhecer os outros reinos.
Uma vez agarrada às penas negras como a noite, os dois alçaram vôo, tendo um bom vento como aliado. O corvo levou primeiro a princesa para um país muito cinzento, onde castelos jaziam inertes, com paredes destruídas e muralhas cheias de rombos. De repente um sentimento de enorme solidão e arrependimento tomou o coração da princesa, e o corvo explicou que aquele era o Reino da Guerra, no qual eternamente exércitos se degladiavam por prêmios tão valiosos quanto as penas se suas asas. Não se surpreendeu quando a princesa exigiu que saíseem dali.
Voaram para uma terra repleta de areia, tão vasta que se perdia no horizonte. Por todos os lados havia dunas, algumas da altura de montanhas milenares. Este reino era cortado por um rio bastante caudaloso, de água vermelho-escura como uma cereja madura. Foi quando o corvo deu um rasante audacioso que a princesa conseguiu ver os rostos na água, com as mais diversas expressões de dor e sofrimento. Era aquele o Reino da Morte, disse o corvo, uma terra ruim para os que respiram, ou que não sabem nadar. Rindo do próprio chiste, mas com um calafrio na espinha, subiu o mais alto que pôde antes mesmo da sua companheira de viagem protestar contra a repugnante visão.
Poucos instantes depois chegaram a um reino de terras planas, com uma multidão de pessoas espalhada por todos os lados. Estavam todas acorrentadas pelos pés ao chão, logo ninguém conseguia sair do lugar. Estranho mesmo, constatou a princesa, era que todos olhavam para o alto, na direção de uma nuvem solitária, que vagava lentamente em círculos sobre o solo. Chegando lá os dois viram um pequeno grupo, composto por cerca de meia-dúzia de pessoas desacorrentadas, todas brincando, correndo e fartando-se de comer. O corvo sussurou que estavam no Reino da Injustiça, onde muitos eram forçados a assistirem, impotentes, à fortuna de poucos.
Com lágrimas nos olhos, a jovem implorou que o corvo a levasse de volta para seu próprio reino, e num piscar de olhos chegaram em casa. À medida que a tristeza dominava seu coração, a princesa indagou ao corvo por quê ele não a levou para os belos reinos descritos pela andorinha, e apenas para terras áridas, estéreis e ruins. Foi então que o corvo, com apenas um grito, disse à sua pequena soberana: "vossa majestade viu aquilo que deveria ver, e aqueles que é destinada a conhecer, quando um dia crescer em seu pleno poder. Vosso reino é tudo e é nada, o mais próximo e o mais distante, o maior e o menor ao mesmo tempo. Apenas aos que residem nas terras escuras e sombrias, como os reinos da Guerra, Morte e Injustiça, deve ser concedida a graça do Reino da Esperança."
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