Melhor ser ateu do que um católico hipócrita?

Hoje tive uma discussão desagradável, obviamente no Facebook. Um amigo, católico, postou este artigo onde Papa Francisco sugere que "é melhor ser ateu do que católico hipócrita." Obviamente, um amigo dele veio em cima dizer que era mentira, que ele não havia falado nada daquilo.

Muitos comentários depois, basta dizer que eu cheguei ao site do Vaticano, onde há transcrições de tudo o que os papas falam (isso me surpreendeu mesmo). Eis o que o Chicão disse, com suas próprias palavras, na manhã do dia 23 de Fevereiro de 2017:



Ma cosa è lo scandalo? Lo scandalo è dire una cosa e farne un’altra; è la doppia vita. Un esempio? Io sono molto cattolico, io vado sempre a messa, appartengo a questa associazione e a un’altra; ma la mia vita non è cristiana, non pago il giusto ai miei dipendenti, sfrutto la gente, sono sporco negli affari, faccio riciclaggio del denaro. Questa è una doppia vita. Tanti cattolici sono così, E questi scandalizzano. Quante volte abbiamo sentito, nel quartiere e in altre parti: "Ma per essere cattolico come quello, meglio essere ateo".

Bem, eu não falo italiano, mas creio que a tradução abaixo não esteja completamente equivocada:

Mas qual é o escândalo? O escândalo é dizer uma coisa e fazer outra; é a vida dupla. Um exemplo? Eu sou muito católico, sempre vou à missa, eu pertenço a esta associação e a outra; mas a minha vida não é cristã, eu não pago o direito aos meus empregados, eu exploro pessoas, sou sujo no meu negócio, faço lavagem de dinheiro. Esta é uma vida dupla. Tantos católicos são assim, e estes escandalizam. Quantas vezes ouvimos, no bairro e em outras partes: "Mas para ser católico assim, melhor ser ateu".

Vamos lá. O tal amigo do amigo em questão veio dizer que eu não sei interpretar texto, mas gosto de achar que essa é uma das poucas coisas que faço bem na vida.

O que o Papa Francisco disse, como todas as letras, é que é melhor ser um ateu do que um católico desonesto. Talvez hipócrita não seja aplique corretamente. Claro, ele em seu discurso usou recursos de narrativa para se aproximar do interlocutor, por isso disse: "ouvimos, no bairro e em outras partes".

Este é um recurso para criar empatia e vínculo com quem ouve ou lê. "Não sou EU quem está falando, você ouve isso por aí", é o que ele está dizendo. E mais ainda: ele está concordando. Lembremos que este é um sermão do Papa, ele está tentando repassar sua opinião, condenando a atitude de católicos que agem da forma acima descrita.

Logo, sim, o papa acha que é melhor ser ateu do que um católico desonesto/hipócrita. E foi necessário um ateu como eu "desenhar" isso pois pelo visto há muitos cristãos tão desonestos e hipócritas por aí quanto o Papa Francisco acusou.
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