31.12.15

2015 foi mesmo um ano ruim?

Tenho visto nos últimos dias muita gente reclamar sobre como 2015 foi um ano ruim. Outro agradecem, dizendo que foi um ano ótimo. Enquanto em certos aspectos da minha vida 2015 foi um ano péssimo, em outros eu cresci e aprendi muito (não vou entrar em detalhes, pois não gosto de falar de certos detalhes da minha vida privada na internet e absolutamente não falo nada sobre a minha empresa, além de informar quando temos alguma vaga em aberto).

A verdade é a seguinte: 2015 foi um ano de "nivelações" na minha vida. Foi quando aprendi de fato com quem posso contar e em quais pessoas eu não deveria depositar tantas esperanças. Minhas amizades estreitaram, mas aprendi muito. Apesar de não ter produzido muitos textos, ficando bem além das minhas metas, me inseri no contexto de hobbies sensacionais como o X-Wing Miniaturas, Krosmaster Arena e Cardfight! Vanguard, ganhando ótimos amigos nestes caminho. Além disso, realizei o sonho meio besta de virar juiz de Magic, o que também me rendeu bons amigos e algumas experiências excelentes em 2015.

Por outro lado, passei o ano inteiro vendo a intolerância e o ódio crescerem ao meu redor. Seja com a revolta quase non-sense da classe média brasileira contra o atual governo (justificada em certos pontos, insensata e perigosa em outros), a crise mundial (sim, mundial) que está afetando severamente os grandes centros urbanos brasileiros (pergunte se o exportador agropecuário está insatisfeito com o dólar a quase R$ 4), os atentados horrorosos e mortes injustificáveis que ocorreram ao longo do ano, seja na linda Paris ou na devastada Síria.

É impossível pensar apenas nas coisas boas, quando há tanta maldade e ruindade solta por aí. Então vou deixar aqui a minha lista de compromissos pessoais para 2016 - não é uma lista de promessas ou metas, são compromissos que eu vou cumprir ao longo do ano, tentando não apenas melhorar pessoalmente, mas também tentar fazer alguma diferença.


1) Perder 20 quilos

2) Escrever um artigo por semana para os sites onde colaboro

3) Terminar um livro (já está na metade, mas era segredo até hoje)

4) Montar uma banda nova (já tenho várias músicas, mas era segredo também)

5) Triplicar as doações para o Natal Nerd (este ano arrecadamos cerca de 100 brinquedos)


Bem, no fim das contas, parece uma lista mesmo. Tenham um ótimo 2016, daqui a um ano exatamente faço o balanço e prestação de contas no meu blog.

Ah. Vou entrar em 2016 de "cara limpa", mas não é nenhuma promessa de não fazer mais a barba não, ou só fazer a barba quando o ano acabar. Eu tenho noção do ridículo.

16.12.15

Requiém para o Chico


Era uma segunda-feira, 21 de Maio de 2012. A Clara estava fora de casa, mas já havia me avisado de tudo o que aconteceu durante o dia - sobre o filhote de gato que estava sendo agredido por bêbados na rua, sobre como nossa concunhada o salvou, que depois elas o levaram para o veterinário e que o bichinho estava muito malnutrido.

Ele estava separado dos outros gatos (na época a Pixie e o Fera) no atelier. Quando entrei no cômodo, se escondia na caixa de transporte. Era uma coisinha magra e pulguenta que parecia fadada a desaparecer. Mal conseguia ficar de pé, mas quando o coloquei em cima da mesa, foi tão doce e carinhoso. O filhote não tinha muitas forças, mas aceitou o carinho e ficou me fitando com aqueles olhos enormes e pidões. Naquele momento torci para que ele não estivesse doente, que pudesse passar a ser parte da nossa família.

Dias depois vieram os resultados dos exames e sim. O Chico veio para ficar. Eventualmente ele cresceu e virou um bicho gorducho, muito feliz, brincalhão, companheiro e como diz o meu sobrinho: gentil. Não consigo contar as vezes na quais ele simplesmente ficava sentado ao meu lado no sofá, descansando feliz, ou quando colocava a pata em cima do meu braço ou perna para que eu não saísse dali. O Chico só queria companhia, só queria ser amado e durante quase quatro anos, foi isso que aconteceu, de maneira incondicional.

Semana passada percebemos que ele estava magro demais e chorando com frequência. O diagnóstico dos exames veterinários foi de doença renal que causou uma cistite severa e cálculos renais, que acumularam na bexiga. Este quadro o deixou com hipotermia e níveis péssimos de toxinas no organismo.

Quinta-feira, dia 3 de Dezembro, foi o último dia no qual vi o Chico com vida. Ele passou o fim-de-semana inteiro internado e faleceu na madrugada do dia 7 de Dezembro. Igualmente uma segunda-feira, o mesmo dia da semana no qual ele veio para nossa casa pela primeira vez.

Ir à clínica veterinária foi bastante difícil. Ver o corpo sem vida dele foi pior ainda. "Tadinho do Chico", eu pensava, enquanto segurava as lágrimas. Muitas pessoas não são capazes de entender o elo emocional que alguns tem com seus animais de estimação. Eles nos acompanham, nós nos acostumamos com a personalidade deles, evoluimos e aprendemos todos juntos. E eventualmente, depois de muito tempo, nos preparamos para que eles não estejam mais conosco; mas no caso do Chico, foi tudo muito repentino, rápido e triste. Doeu muito.

A verdade é que todos sofremos com a perda. O confrontamento com a morte é algo sempre inesperado e doloroso, especialmente quando é um parente querido ou amigo. Já perdi quase todos os meus avôs e avós, mas eles eram idosos, isso ajudou a lidar com a situação. Já perdi amigos e amigas jovens para doenças ou acidentes e em todos os casos foi algo horrível e muito lamentável.

Mas o Chico era minha responsabilidade. Eu e a Clara deveríamos cuidar dele. Sempre ficará o pensamento de que nós poderíamos ter feito algo diferente, ter percebido algo que não conseguíamos enxergar. Sinais, sintomas, qualquer coisa. A sensação de impotência de não ter sido capaz de salvar uma criatura viva que não é capaz de se comunicar perfeitamente contigo, porém ainda assim depende integralmente de você, para então vê-la sem vida, é horrível.

E a saudade dói. Mesmo lembrando de todos os momentos bons: quando o Chico se escondia embaixo da cortina, deixando o corpo todo do lado de fora. Quando ele rolava de barriga pra cima, pedindo carinho. Quando ele dormia do nosso lado, todo esticado e contente. Quando ele brincava com seus irmãos. De quando eu chamava "Chico Buxixo" e ele vinha andando todo tortinho, que era seu jeito normal. Da época na qual ele acolheu o Loki, ensinando o filhote surtado a "ser gato" e se acostumar com a nossa casa. Ou quando ele era simplesmente o gato mais doce e gentil do mundo.

Para sempre, saudades do nosso Chico.