18.2.15

Quanto riso, oh, quanta alegria

Como o carnaval já terminou oficialmente (passamos de meio-dia da quarta-feira de cinzas), já posso anunciar oficialmente: foi o primeiro carnaval em anos no qual não fui às redes sociais reclamar de nada. Acho que ninguém deve ter percebido. Também, não é algo tão relevante para ninguém além de mim mesmo. Faz parte do meu processo de ser mais tolerante com terceiros e com o mundo ao meu redor.

Não se enganem, continuei detestando e odiando tudo o que vi e ouvi. Os blocos passando na esquina da minha casa. A música alta quase que ininterruptamente. A bagunça constante. A sujeira na rua que os foliões porcos deixam por onde passam. Além disso, continuo rejeitando esta cultura de que o carnaval dá permissividade para ser feliz, como se não pudéssemos sê-lo em qualquer época do ano.

Parei de reclamar do carnaval pois as pessoas não me entendem e sinceramente, nem querem entender. Eu não fico feliz com um bloco. Não fico animado com música que não gosto. Troco isso tudo por um show de heavy metal sem pensar. "Ah, mas aí não tem tanta mulher, você não vai pegar ninguém." Me desculpem, mas mesmo quando eu era solteiro, sabia onde encontrar mulheres sem obrigatoriamente ter que nadar contra a corrente como um salmão fadado a morrer rio acima.

A quantidade enorme de fotos de pessoas alegres nas minhas timelines, seja no facebook ou no instagram, revelam como todos devem ser felizes, bonitos e realizados por 5 míseros dias.

Já para mim, o carnaval representa estes mesmos 5 dias de reclusão e alienação. Prefiro tentar ser feliz e realizado nos outros 360 dias do ano, obrigado.

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