31.12.15

2015 foi mesmo um ano ruim?

Tenho visto nos últimos dias muita gente reclamar sobre como 2015 foi um ano ruim. Outro agradecem, dizendo que foi um ano ótimo. Enquanto em certos aspectos da minha vida 2015 foi um ano péssimo, em outros eu cresci e aprendi muito (não vou entrar em detalhes, pois não gosto de falar de certos detalhes da minha vida privada na internet e absolutamente não falo nada sobre a minha empresa, além de informar quando temos alguma vaga em aberto).

A verdade é a seguinte: 2015 foi um ano de "nivelações" na minha vida. Foi quando aprendi de fato com quem posso contar e em quais pessoas eu não deveria depositar tantas esperanças. Minhas amizades estreitaram, mas aprendi muito. Apesar de não ter produzido muitos textos, ficando bem além das minhas metas, me inseri no contexto de hobbies sensacionais como o X-Wing Miniaturas, Krosmaster Arena e Cardfight! Vanguard, ganhando ótimos amigos nestes caminho. Além disso, realizei o sonho meio besta de virar juiz de Magic, o que também me rendeu bons amigos e algumas experiências excelentes em 2015.

Por outro lado, passei o ano inteiro vendo a intolerância e o ódio crescerem ao meu redor. Seja com a revolta quase non-sense da classe média brasileira contra o atual governo (justificada em certos pontos, insensata e perigosa em outros), a crise mundial (sim, mundial) que está afetando severamente os grandes centros urbanos brasileiros (pergunte se o exportador agropecuário está insatisfeito com o dólar a quase R$ 4), os atentados horrorosos e mortes injustificáveis que ocorreram ao longo do ano, seja na linda Paris ou na devastada Síria.

É impossível pensar apenas nas coisas boas, quando há tanta maldade e ruindade solta por aí. Então vou deixar aqui a minha lista de compromissos pessoais para 2016 - não é uma lista de promessas ou metas, são compromissos que eu vou cumprir ao longo do ano, tentando não apenas melhorar pessoalmente, mas também tentar fazer alguma diferença.


1) Perder 20 quilos

2) Escrever um artigo por semana para os sites onde colaboro

3) Terminar um livro (já está na metade, mas era segredo até hoje)

4) Montar uma banda nova (já tenho várias músicas, mas era segredo também)

5) Triplicar as doações para o Natal Nerd (este ano arrecadamos cerca de 100 brinquedos)


Bem, no fim das contas, parece uma lista mesmo. Tenham um ótimo 2016, daqui a um ano exatamente faço o balanço e prestação de contas no meu blog.

Ah. Vou entrar em 2016 de "cara limpa", mas não é nenhuma promessa de não fazer mais a barba não, ou só fazer a barba quando o ano acabar. Eu tenho noção do ridículo.

16.12.15

Requiém para o Chico


Era uma segunda-feira, 21 de Maio de 2012. A Clara estava fora de casa, mas já havia me avisado de tudo o que aconteceu durante o dia - sobre o filhote de gato que estava sendo agredido por bêbados na rua, sobre como nossa concunhada o salvou, que depois elas o levaram para o veterinário e que o bichinho estava muito malnutrido.

Ele estava separado dos outros gatos (na época a Pixie e o Fera) no atelier. Quando entrei no cômodo, se escondia na caixa de transporte. Era uma coisinha magra e pulguenta que parecia fadada a desaparecer. Mal conseguia ficar de pé, mas quando o coloquei em cima da mesa, foi tão doce e carinhoso. O filhote não tinha muitas forças, mas aceitou o carinho e ficou me fitando com aqueles olhos enormes e pidões. Naquele momento torci para que ele não estivesse doente, que pudesse passar a ser parte da nossa família.

Dias depois vieram os resultados dos exames e sim. O Chico veio para ficar. Eventualmente ele cresceu e virou um bicho gorducho, muito feliz, brincalhão, companheiro e como diz o meu sobrinho: gentil. Não consigo contar as vezes na quais ele simplesmente ficava sentado ao meu lado no sofá, descansando feliz, ou quando colocava a pata em cima do meu braço ou perna para que eu não saísse dali. O Chico só queria companhia, só queria ser amado e durante quase quatro anos, foi isso que aconteceu, de maneira incondicional.

Semana passada percebemos que ele estava magro demais e chorando com frequência. O diagnóstico dos exames veterinários foi de doença renal que causou uma cistite severa e cálculos renais, que acumularam na bexiga. Este quadro o deixou com hipotermia e níveis péssimos de toxinas no organismo.

Quinta-feira, dia 3 de Dezembro, foi o último dia no qual vi o Chico com vida. Ele passou o fim-de-semana inteiro internado e faleceu na madrugada do dia 7 de Dezembro. Igualmente uma segunda-feira, o mesmo dia da semana no qual ele veio para nossa casa pela primeira vez.

Ir à clínica veterinária foi bastante difícil. Ver o corpo sem vida dele foi pior ainda. "Tadinho do Chico", eu pensava, enquanto segurava as lágrimas. Muitas pessoas não são capazes de entender o elo emocional que alguns tem com seus animais de estimação. Eles nos acompanham, nós nos acostumamos com a personalidade deles, evoluimos e aprendemos todos juntos. E eventualmente, depois de muito tempo, nos preparamos para que eles não estejam mais conosco; mas no caso do Chico, foi tudo muito repentino, rápido e triste. Doeu muito.

A verdade é que todos sofremos com a perda. O confrontamento com a morte é algo sempre inesperado e doloroso, especialmente quando é um parente querido ou amigo. Já perdi quase todos os meus avôs e avós, mas eles eram idosos, isso ajudou a lidar com a situação. Já perdi amigos e amigas jovens para doenças ou acidentes e em todos os casos foi algo horrível e muito lamentável.

Mas o Chico era minha responsabilidade. Eu e a Clara deveríamos cuidar dele. Sempre ficará o pensamento de que nós poderíamos ter feito algo diferente, ter percebido algo que não conseguíamos enxergar. Sinais, sintomas, qualquer coisa. A sensação de impotência de não ter sido capaz de salvar uma criatura viva que não é capaz de se comunicar perfeitamente contigo, porém ainda assim depende integralmente de você, para então vê-la sem vida, é horrível.

E a saudade dói. Mesmo lembrando de todos os momentos bons: quando o Chico se escondia embaixo da cortina, deixando o corpo todo do lado de fora. Quando ele rolava de barriga pra cima, pedindo carinho. Quando ele dormia do nosso lado, todo esticado e contente. Quando ele brincava com seus irmãos. De quando eu chamava "Chico Buxixo" e ele vinha andando todo tortinho, que era seu jeito normal. Da época na qual ele acolheu o Loki, ensinando o filhote surtado a "ser gato" e se acostumar com a nossa casa. Ou quando ele era simplesmente o gato mais doce e gentil do mundo.

Para sempre, saudades do nosso Chico.

31.10.15

A importância de pensar antes de escrever

Este blog aqui só existe desde Março de 2005, mas na verdade iniciei minha "vida" como blogueiro em Setembro de 2002 (chupa, Constantino!). Quando migrei o blog do blogger para uma hospedagem paga, não consegui fazer o upload do conteúdo antigo, ao contrário de quando voltei para o blogger. Ontem fiz uma pequena atualização aqui no layout e acabei achando os arquivos antigos. Este foi o primeiro post que escrevi:

Quarta-feira, Setembro 18, 2002 - 5:34 PM

Inauguro aqui meu segundo blog. Apesar do formato deste ser parecido com o do outro, "O Motejo", o cerne de ambos é totalmente diferente. Numa tentativa de afastar meus pensamentos e experiências individuais do anterior, criei este, para que todos possam saber o que penso e como me comporto. Na verdade estou pouco me importando com a opinião dos outros, mas lá vai. Hoje, por exemplo, eu gostaria de pedir que todos (apesar de saber que quase ninguém lerá isso aqui) se comportem direito e sejam educados com os outros, pois a cortesia é uma virtude. Afinal de contas, eu sou um gentleman, porra.

E este foi o segundo post que escrevi:

Quarta-feira, Setembro 18, 2002 - 5:39 PM

No post anterior eu disse que sou um gentleman. Na verdade, eu sou um gentleman britânico, quase inglês, daqueles que possuem sangue celta, com tradições e tudo, um pouco de galês, um tanto de escocês, pitadas de irlandês, mas britânico e quase inglês. Eu só não uso kilt, apesar de que seria muito legal ter um. E uma gaita de foles, talvez.

Como diabos eu fui capaz de escrever tanta merda em menos de cinco minutos?

Feliz Halloween para todos. Pelo visto eu ainda tenho meus próprios fantasmas para me assombrar.

30.10.15

Fera na TV Japonesa

Ludwig van Beethoven certa vez disse: "A música é a entrada incorpórea para um mundo de conhecimento que compreende a humanidade, mas o qual a humanidade não é capaz de compreender."

Obviamente, o velho e bom Ludwig não viveu o suficiente para presenciar o surgimento da televisão japonesa, outra coisa que a humanidade não é capaz de compreender. Diabos, duvido que os próprios japoneses consigam entender sua própria criação. Além de bizarra, tudo parece tão... Brega. Estranho. É como se fosse algo permanentemente deslocado do seu próprio tempo.

No início de Outubro o produtor de um programa de TV chamado "Sunday Japon" entrou em contato comigo, pedindo a liberação do uso dos vídeos do Fera no Youtube. Assenti, porém apenas hoje tive a curiosidade de ver se ele realmente foi ao ar.

E foi. E parece... Estranho.

Alguém aí fala japonês fluente pra traduzir o quê os caras falaram do Fera na TV? :D

25.9.15

Um Pequeno Gesto

Há alguns dias atrás parei na porta do super-mercado, esperando sua abertura, às sete horas da manhã. Uma senhora de idade avançada se aproximou, pedindo dinheiro para tomar um café. Revirei meus bolsos e carteira, não tinha nada - estava esperando o mercado abrir justamente para sacar dinheiro e comprar materiais de limpeza para a faxineira. Achei setenta centavos no bolso, pedi desculpas pois não tinha mais dinheiro do que aquilo e dei para ela. A senhora deu as costas para mim e jogou as moedas no chão. Eu fui lá e catei tudo, falando para um rapaz que presenciou a cena que a próxima pessoa que me pedisse dinheiro, ganharia mais.

Então hoje fui no mesmo super-mercado. Logo na entrada fui abordado por um rapaz com cerca de trinta anos de idade, que me pediu para comprar leite para ele. Meio atônito, confirmei o pedido. Ele só queria uma lata de leite em pó. Pedi que ele esperasse uns quinze minutos que voltaria com o leite. Fiz minhas compras, separei duas latas de leite em pó de boa qualidade, as quais me custaram onze reais cada. Após pagar no caixa, abri a carteira e vi que só tinha seis reais.

Voltei à entrada e achei o rapaz, sentado no chão tentando se proteger do calor na sombra da marquise. Entreguei as duas latas de leite em pó e os seis reais, pedindo desculpas por ser tudo o que eu tinha. Ele abriu um sorriso largo, agradecendo. Perguntou meu nome, respondi. Em seguida ele me disse seu nome. Apertamos as mãos. Na hora de me despedir, fiz um gesto que costumo fazer para pessoas com as quais me importo: bato duas vezes com o punho fechado no peito na altura do coração e depois estendo para a pessoa. Para mim isto é um sinal de respeito e uma lembrança de que temos que permanecer fortes e firmes, custe o que custar.

Para minha surpresa, o rapaz fez o mesmo gesto, simultaneamente. Ele não estava me imitando, parecia ser algo natural para ele. Foi uma saudação absolutamente recíproca e espontânea de ambos, ao mesmo tempo. Neste momento percebi que eu e o Rogério somos iguais. Nós dois nos preocupamos com pequenos gestos. Nós dois nascemos com os mesmos pares de braços, pernas, olhos e tudo mais. Falamos a mesma língua, estamos na mesma cidade, estado, país, continente e planeta.

Entretanto não poderíamos ser mais diferentes. Ao contrário do Rogério, nasci branco e numa família de classe média, que me educou com cuidado e permitiu que eu tivesse acesso a boas escolas e ensino de qualidade por toda a minha vida. Me orgulho de ter conquistado tudo o que tenho na vida com o suor do meu próprio trabalho, porém estou constantemente ciente de que as oportunidades para mim foram maiores, ou menos difíceis de aparecer.

Eu nunca passei fome de verdade. Apenas uma vez recebi dura da polícia e com certeza não foi devido à forma como me visto ou pela cor da minha pele. Já fugi de bala e de bandidos, mas eles não eram meus vizinhos e os tiroteiros não eram na porta da minha casa. Já lutei contra o "sistema" e as injustiças, porém sem jamais estar na ponta mais fraca da corda - aquela mesma que sempre arrebenta, independente dos nossos esforços.

Voltei para casa segurando algumas lágrimas, pensando no Rogério. A percepção de que nós somos essencialmente iguais e também tão diferentes quase me paralisou, como uma verdade incômoda que fica enjaulada por anos, até que quando se solta, rasga o mundo com uma fúria implacável.

Desejo e espero que de hoje em diante o Rogério fique bem, assim como todas as pessoas com as quais ele se importa. Pois podemos ou não ser iguais, mas de certa forma, batendo com nossos punhos no peito e na altura do coração, somos irmãos.

17.9.15

Eu sou escritor

Eu sou escritor.

Tenho visto muitas pessoas, amigos e amigas, clamando títulos recentemente. Atletas, dançarinos, lutadores, músicos, poetas, que o valha. Cada um tem sua especialidade, tem sua própria paixão. Isto me fez refletir sobre quem eu sou, o quê me define essencialmente. A resposta é que eu sou escritor.

Nunca fiz segredo que amo a música e sempre me envolvi profundamente com ela. Talvez seja uma herança indireta do meu bisavô que era músico, compositor e tinha amigos próximos ilustres como o Noel Rosa e o Lamartine Babo, entre outros. Mas eu sempre cantei, sempre gostei de cantar e é algo com o qual tenho certa facilidade. Sou tenor com alcance C3-C6. Uma coisa que tenho certeza - não sou cantor.

Vejo amigos e amigas que treinam, estudam, se dedicam e são realmente, genuinamente, cantores profissionais. Assim como arranho um pouco de violão e guitarra, também vejo muita gente boa por aí com muito mais talento nas seis cordas que eu. Isso por que não sou guitarrista.

Pensei se seria então um jogador, sempre gostei de um "certamen". Adoro jogos de tabuleiro, jogo Magic: The Gathering há vinte anos e sempre tive uma grande paixão pelo universo rico e criativo de possibilidades infinitas que é o RPG, com o qual tenho contato ávido há vinte e dois anos. Apesar de ter realizado este ano o "sonho" de virar juiz certificado de Magic, não, eu não sou um jogador. Este papel reservo para aqueles que realmente treinam, se dedicam, estudam cada aspecto do jogo competitivo e as melhores técnicas para sobrepujar seus oponentes.

Apenas os mais loucos poderiam imaginar que eu sou um atleta. Nunca fui bom em qualquer tipo de esporte, até batia um pouco de bola no vôlei e basquete, mas sempre tive um profundo terror de jogar handbol e o futebol é uma paixão apenas no nível teórico - sempre disse que entre eu e o futebol existe um abismo de separação. Dizer que sou ruim de bola é bondade, ou como outro dia um amigo reforçou, nem pra jogar no pior time da última divisão do futebol escocês eu sirvo (olha que um dia posso acabar sendo alvo dos olheiros do Montrose F.C., hein). Atleta é quem treina, se dedica, aplica-se ao rigor de dietas e sofrimentos diversos, levando seu corpo a punições que são recompensas.

Refletindo sobre isso tudo, percebi que a minha "coisa" são as palavras mesmo. Escrever não é fácil, não é algo que nasce contigo. Exige treinamento regular, sempre lendo e sempre aplicando tudo o que é novo e também antigo. Você tem que ser capaz de envolver cada palavra e cada frase com um veludo de intenções e promessas, de modo que o leitor queira, ou melhor, precise continuar. Querendo mais. Temendo que acabe.

Escrever é algo que você aprimora conforme cresce e envelhece. Sua experiência te acompanha e acaba se traduzindo em palavras, em técnicas novas. Além de tudo, escrever é uma das formas de arte mais sublimes, através da qual os sonhos e fantasias mais loucos e impossíveis podem se tornar realidade. Tudo depende da forma como você ordena as letras, palavras, frases e parágrafos. É algo como uma forma de Mágica, através da qual a sua força de vontade é capaz de moldar a realidade.

E se você leu este artigo até o fim, tem o meu agradecimento mais sincero. O alimento do escritor são os seus olhos e a impressão que este deixa na sua mente.

Espero que você tenha gostado. Pois acho que eu gosto de ser quem eu sou.

10.8.15

O Fera está virando um superstar?!

Então... Há dois anos atrás eu postei no YouTube um vídeo do Fera, mostrando a forma como eu o ensinei a pedir carinho. As imagens mostram mais do que palavras:


Bem, o vídeo "não bombou". Na semana passada o mostrei para uma amiga e ela ficou bolada, pois tinha 5 mil visualizações. Eu achei estranho, pois a minha média de visualizações de vídeos no YouTube é de 100 a 300 por vídeo. Quase nada. Mas deixei estar.

Aí durante o fim-de-semana começou a receber notificações de comentários no vídeo e quando abro para dar uma olhada, ele já está com mais de 125 mil visualizações!!! Isso tudo em menos de dois dias!!!

Os "culpados" por tal movimento foram dois sites para amantes e fãs de gatos, que compilam vídeos da internet para sua audiência. Os redatores de conteúdo foram até bem simpáticos nos textos:

Fera the Cat Gets What He Wants, the Face He Makes Says It All

He Does This All The Time, So His Owner Decided To Grab The Camera… Simply PRICELESS.

Apesar de ser um vídeo inocente de um dos meus gatos pedindo atenção e carinho, esta situação é um excelente aviso sobre a forma como a internet funciona hoje em dia. Tudo aquilo que nós publicamos na rede está à disposição do mundo inteiro - inclusive aberto a críticas e comentários maldosos.

Claro, o Fera não se importa com nada disso. Ele só quer carinho, atenção, amor, comida, uma caixa de areia limpa e um lugar tranquilo pra dormir. O Fera pouco se importa com a opinião dos outros. Mas toda vez que publicamos algo sobre nossa família, nossas crianças, nossa vida profissional, estamos colocando em risco informações muito valiosas que deveriam ser protegidas, ou pelo menos repensadas com mais cuidado.

O Fera pode ter ganho seus 15 minutos de "fama" na internet, mas ele não sabe. Ele é um gato. Nós sabemos, nós nos importamos; lembrem disso.

8.6.15

Guia de Sobrevivência pós-episódio de Game of Thrones


Chegou "aquele" dia no qual todo mundo vem falar contigo, ansioso para compartilhar o que assistiu no último episódio de Game of Thrones. E aí vem spoilers. A maioria sem querer, muitos de propósito. O episódio de ontem (S05E09, 07/06/2015) eu ainda não assisti, mas isso não importa: daqui a pouco começa o papo e uma coisa leva à outra. Como lidar com isso especialmente num ambiente de trabalho?

SEUS PROBLEMAS ACABARAM!

Imprima o "Guia de Sobrevivência pós-episódio de Game of Thrones", marque as caixinhas de "sim" ou "não" conforme suas preferências e seja feliz!






29.5.15

A Teoria da Direita Margarina

 

Eu vou falar rapidamente sobre o Rodrigo Constantino. O blogueiro que foi promovido a ícone intelectual (sic) da direita brasileira pra mim é um tabu; sempre me recusei a falar sobre ele, pois assim acredito estar dando audiência gratuita para o cara. Entretanto um evento recente chamou minha atenção: fiquei sabendo que ele se mudou para Miami. E isto muda completamente a "nossa" dinâmica. Por isso preciso desabafar sobre um tópico importante.

O Sr. Constantino se orgulha de ter cunhado o termo "esquerda caviar", que utiliza para agredir recorrentemente pessoas de classe média ou alta que defendam ou apoiem princípios esquerdistas. O termo é regularmente usado pelo próprio e seu séquito de seguidores de forma jocosa e tentando desqualificar o discurso de seus oponentes sem que estes tenham chance de defesa.

Mas aí o herói da direita brasileira mete o pé e vai pros States. Ao contrário dos imigrantes cubanos, presumo que o tenha feito de avião, não com balsas e lanchas clandestinas. E aí eu pensei com afinco em como ele não representa o oposto do "esquerda caviar". Este seria um direitista pobre e humilde, e estas últimas duas características não combinam com o colega blogueiro.

Não, é algo diferente. Há algum tempo que chamam pessoas como o Constantino de "coxinhas". Por mais engraçado que seja, sempre tive a impressão de que o termo não é o melhor do mundo. Não soa tão bem, não tem a mesma harmonia. E uma coisa tenho que admitir, o "esquerda caviar" tem um certo charme em si.

Então pensei: essas pessoas da nova e renovada direita brasileira são tão desinteressantes, intelectualmente estéreis, rançosas. E ao mesmo tempo, comuns. Estão por todos os lados, em milhares de lares. Do alto de seu pedestal de classe média e alta, elas se consideram uma elite, mas não passam de um simulacro pobre do homem verdadeiramente comum e real, aquele que tem o poder de engrandecer o nosso país, independente se é esquerda, centro ou direita.

Eles são a Direita Margarina.

A margarina é mole. Quando pressionada, não apresenta muita resistência, ou apenas se espalha naturalmente. Adapta-se com facilidade à "faca" da vez. E é sem graça, sem sabor, uma versão pobre que tenta imitar com gordura hidrogenada a verdadeiramente saborosa manteiga. A margarina é um dos alimentos mais comuns na mesa do brasileiro, entretanto é praticamente desprovida de qualquer valor nutricional relevante.

A Direita Margarina está presente nas escolas, nas faculdades, no mercado privado e no serviço público. Ela anda ao nosso lado, está misturada a todos os tipos de cidadãos e pães brasileiros. Ela vocifera na internet e veste a camisa da CBF na manifestação anti-corrupção. A Direita Margarina incentiva e lidera os panelaços. A Direita Margarina acredita ser o instrumento e a voz da justiça e da razão, quando na verdade não passa de um subproduto popular sendo usado pelas facas de terceiros.

Nem toda a direita é Margarina. Claro que existem intelectuais, empreendedores, acadêmicos e trabalhadores de direita que representam os melhores aspectos de uma discussão política e ideológica saudável. Mas o que pessoas como o Rodrigo Constantino precisam entender é que nesta cadeia alimentar brasileira, enquanto existir a Esquerda Caviar cozinhando na panela deles, haverá a Direita Margarina espalhada no nosso pão e alimentando o nosso circo.

Sobre o autor: Bart Rabelo é blogueiro há quase quinze anos, músico amador e escritor auto-publicado com tendências a escrever ficção cômica fantástica e contemporânea, assim como Rodrigo Constantino.

13.5.15

A Vida na Floresta

Texto e arte originais do Grant Snider, do Incidental Comics. Sugiro a leitura do site dele e talvez uma visita em sua loja.

O tipo de coisa que nos faz refletir.


13.4.15

Le Voleur des Mobiles

Normalmente eu me orgulho de viajar mantendo um "perfil discreto", o que me ajuda a evitar confusões e problemas. Ontem, no aeroporto em Paris, eu estava indo muito bem neste sentido: saí em tempo recorde do avião, saquei dinheiro, peguei minha mala em segundos. Tudo estava funcionando muito bem. Até que comprei um chip SIM temporário para meu celular.
 
Quando fui trocar o chip, descobri que o sistema anti-roubo que eu tinha instalado é mais eficiente do que imagina. Era tão silencioso e eficiente que eu até havia esquecido que ele existia. Vou além: inclusive esqueci qual era a senha dele, visto que nunca precisei usá-lo.
 
Isto fez com que o meu celular passasse cerca de 20 minutos com a tela travada e apitando um alarme em volume máximo dizendo: "ATTENTION! THIS PHONE HAS BEEN STOLEN!" Yeap. Em inglês. De forma que todo mundo ao meu redor conseguisse escutar.
 
Para quem não entende a seriedade deste tipo de situação, imaginem o seguinte: a França é um país que leva a segurança pública muito a sério. Sua polícia não deixa espaço para brincadeira e militares fazem rondas regulares nos aeroportos.
 
Desliguei o telefone para colocar de volta no chip da Oi, mas foi inútil: o dano já estava causado. O sistema anti-roubo pelo visto era mais esperto que eu e continuava achando que foi roubado. O jeito foi colocar novamente o chip temporário francês, tapar a saída de som com um dedão e torcer para que múltiplas tentativas de senha não travassem de vez meu telefone. Este foi o momento:
 
"USE A FORÇA, LUKE!"
 
Fechei os olhos, me concentrei. Acessei áreas da minha memória perdidas há muito tempo. Lembrei de coisas que talvez não devessem ter sido desencavadas, mas no final, veio o lampejo: sim, a senha apareceu queimando na minha mente.
 
Digitei.
 
O alarme parou.
 
Respirei aliviado. O pesadelo havia acabado.
 
O lado bom é que estou vivo e inteiro, nenhum policial ou militar me jogou de cara no chão achando que eu era um ladrão de celulares.

18.2.15

Quanto riso, oh, quanta alegria

Como o carnaval já terminou oficialmente (passamos de meio-dia da quarta-feira de cinzas), já posso anunciar oficialmente: foi o primeiro carnaval em anos no qual não fui às redes sociais reclamar de nada. Acho que ninguém deve ter percebido. Também, não é algo tão relevante para ninguém além de mim mesmo. Faz parte do meu processo de ser mais tolerante com terceiros e com o mundo ao meu redor.

Não se enganem, continuei detestando e odiando tudo o que vi e ouvi. Os blocos passando na esquina da minha casa. A música alta quase que ininterruptamente. A bagunça constante. A sujeira na rua que os foliões porcos deixam por onde passam. Além disso, continuo rejeitando esta cultura de que o carnaval dá permissividade para ser feliz, como se não pudéssemos sê-lo em qualquer época do ano.

Parei de reclamar do carnaval pois as pessoas não me entendem e sinceramente, nem querem entender. Eu não fico feliz com um bloco. Não fico animado com música que não gosto. Troco isso tudo por um show de heavy metal sem pensar. "Ah, mas aí não tem tanta mulher, você não vai pegar ninguém." Me desculpem, mas mesmo quando eu era solteiro, sabia onde encontrar mulheres sem obrigatoriamente ter que nadar contra a corrente como um salmão fadado a morrer rio acima.

A quantidade enorme de fotos de pessoas alegres nas minhas timelines, seja no facebook ou no instagram, revelam como todos devem ser felizes, bonitos e realizados por 5 míseros dias.

Já para mim, o carnaval representa estes mesmos 5 dias de reclusão e alienação. Prefiro tentar ser feliz e realizado nos outros 360 dias do ano, obrigado.