15.8.14

Entre a raiva e a falta de empatia

Há alguns anos atrás eu "saí do armário" como ateu e hoje admito que passei um bom tempo sendo muito chato (na verdade ***muito*** chato). Só queria falar sobre isso o tempo todo e me irritava com facilidade - especialmente por querer levantar percepção para o preconceito que ateus recebem com regularidade. Eventualmente fiz minha paz comigo mesmo e parei com este proselitismo por dois motivos: (1) eu estava alienando pessoas das quais gosto e (2) a maioria das pessoas não se importa com o assunto, na verdade até prefere ignorar. Então era a mesma coisa que dar murro em ponta de faca: no fim das contas somente eu saía machucado.

Em meio à minha desnecessária raiva e indignação na época, um blogueiro anti-ateísmo marcou meu blog como alvo para suas vociferações. Deixou comentários no meu blog, fez printscreens, publicou no blog dele, disse coisas que não faziam nenhum sentido, foi extremamente agressivo e ofensivo por nenhum motivo. Ou seja, um típico troll da internet. Lidei com o assunto e a pessoa na época, conseguindo me livrar do estorvo. Nunca mais me importei, preocupei ou pensei nele.

Aí hoje eu estava procurando alguma coisa que já escrevi usando meu nome no Google, por acaso apareceu o blog do cara. Decidi entrar só por curiosidade, para ver se ele continuava com as mesmas implicâncias infantis e debilóides de anos atrás. Foi aí que percebi que ele encerrou as atividades em 2013, com a seguinte mensagem:
"Por último, a todos os sapienciais ateus de internet que não cansam de falar e escrever pérolas de burrice e que por ventura desconsiderem os conselhos acima (seja por birra, seja por ter certeza de que não é o caso), finalizo a meu típico modo: gostaria de mandar todos eles (e elas) tomarem no meio do olho do cu e desejar a essa gente a mais desgraçada vida possível - desejo que lido ou ouvido por quem de fato arcou com o ateísmo não faz um pingo de diferença ou escândalo."
Que lindo, não? Apenas para exemplificar, este é o tipo de tolerância, amor e carinho que ateus recebem com frequência.

A quem interessar possa: por favor, não seja assim. Mesmo que você não concorde ou aceite, pelo menos tente entender e ser tolerante com aquilo que você não é ou não vivencia. Desenvolver o mínimo de empatia só te ajudará na vida e asseguro, é muito satisfatório.

Um comentário:

Clara Edwiges disse...

True story :)