Kindle? Mas o quê diabos é isso?

O Kindle é um aparelho impressionante. Trata-se de um leitor de livros em formato eletrônico, vendido pela Amazon (famosa loja virtual originária dos EUA). Eu era muito reativo com relação a ele, as pessoas que me falavam sobre como era prático, bom e fácil de usar, mas sempre me recusava a testá-lo. Meu apego aos livros de papel, empilhados na estante da parede sempre foi notório. Quem me conhece bem sabe que eu tenho muito cuidado com minhas coisas, especialmente meus livros e cartas. Capas danificadas, páginas com orelhas, rabiscos e rasuras são totalmente inaceitáveis.

Um amigo estava vendendo o Kindle dele e percebi que seria uma ótima oportunidade de investimento para a Clara, que começou no ano passado a estudar Letras-Francês e por este motivo tivemos que gastar uma pequena fortuna em livros. A minha idéia de dar o Kindle para ela seria investir na a compra de livros de referência mais baratos (livros em formato virtual na Amazon são cerca de 20% a 30% mais baratos que as versões impressas) e com maior facilidade, assim como ter acesso à literatura em domínio público, a qual nas línguas francesa e inglesa tem ampla divulgação e distribuição, ao contrário da língua portuguesa.

O assunto do domínio público, por si só, é muito interessante. Poucas pessoas costumam saber que no Brasil uma obra se torna domínio público 70 anos após o falecimento do(s) seu(s) autor(es). Mas isso fica para depois, o negócio agora é o Kindle.

Vendo a Clara se divertir com o aparelho dela começou a mexer comigo, então no ano passado uma oportunidade apareceu por um ótimo preço e comprei um para mim, igual ao dela. Neste meio tempo, eu já estava lendo o terceiro livro da série "A Song of Ice and Fire", do George R.R. Martin... Vulgarmente conhecida no Brasil como a série "Guerra dos Tronos". Mudei imediatamente do "papel" para a "tela" e não me arrependo nem um pouco.

Hoje estou lendo mais rápido e com mais conforto. O Kindle permite que você ajuste o tamanho e tipografia da fonte, o espaçamento das linhas, as margens. Você não precisa mais ficar segurando o livro em posições desconfortáveis que mudam a cada virada de página, apenas uma posição, fixa (a melhor possível) já basta. Virar páginas? Coisa do passado. Com um simples clique as páginas vão voando à sua frente, não mais contadas individualmente, mas sim na porcentagem total da leitura realizada do livro. Como bem disse um amigo certa vez, com o Kindle a gente não pergunta mais para os outros "em qual página você está?", mas sim "em qual porcentagem do livro você já chegou?" Isso para não mencionar que a tela com tecnologia e-Ink, que simula uma folha de papel impressa, realmente funciona que é uma maravilha - você lê à vontade, pode bater luz, sol, sombra, sem estresse. Mas se estiver escuro, você precisará acender uma luz de leitura.

Desde o ano passado rumores indicam que a Amazon pretende abrir sua loja virtual no Brasil, para vender aparelhos Kindle localmente e difundir ainda mais o formato de livros eletrônicos entre o nosso mercado consumidor com bom poder aquisitivo, empreitada que a Saraiva ainda não conseguiu com sucesso. O prego no caixão das lojas que não conseguirem se adaptar seriam os rumores cada vez mais fortes de que a partir de agosto a Amazon não apenas venderá os seus modelos de Kindle no Brasil, mas também o fará a preços bastante próximos daqueles praticados nos EUA, graças a uma estratégia de mercado agressiva, aliada à perspectiva de eventual produção dos aparelhos por aqui, graças à isenção de alguns impostos para a fabricação de tablets que foi concedida pelo governo brasileiro no ano passado.

Meu veredito final? Se você gosta de ler muito, o Kindle vai melhorar sua experiência. Na verdade, depois de se acostumar com o dispositivo, é difícil viver sem ele.
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