30.3.12

O nerd da informática

Muitas pessoas presumem que trabalho na área da informática porque, bem, vários do meus amigos são, ou porque acham que eu sou "nerd". O Jimmy Page também lia "O Senhor dos Anéis" e tocava guitarra, por isso o chamam até hoje de "nerd"? Não é, está na hora de rever os conceitos ou assumir, pessoal. Surpresa. Nem tudo é o que parece. Vamos lá: alguns dirão que na verdade o conceito "nerd" é sinônimo de inteligência, mas não concordo com isso - conheço alguns nerds que são burros de doer. Além do mais, estou para ver uma garota bonita dizer que "adora aquele cara porque ele é nerd." Ã-hã. O público em geral tem um esteriótipo que é seguido à risca, ser "nerd" é um pacote completo na visão da maioria das pessoas.

Agora gente, eu não sou da informática, nunca fui e nunca quis ser. Inclusive desmistificando uma imagem que alguns possam ter sobre mim, não entendo muita coisa sobre computadores ou sistemas. O lance é que eu gosto de aprender qualquer coisa, o faço rápido e normalmente não esqueço. Logo as pessoas tem uma impressão um pouco equivocada sobre mim. Eu sei tanto sobre computadores como sei sobre guitarras, livros de ficção fantástica ou sobre a anatomia dos ornitorrincos.

Por exemplo, ontem à noite aprendi a configurar um modem ADSL2 tanto em roteamento como em modo bridge. Também aprendi a configurar um roteador wireless em vários modos de segurança com portas diferenciadas.

Entretanto uma coisa que não aprendi até hoje é que, toda vez que tenho um problema com a Oi-Velox, não adianta ligar novamente para eles. A forma mais rápida de resolver um problema com eles é fazer a reclamação, esperar pacientemente o prazo da solicitação expirar e então ligar imediatamente para o telefone 1331 da Anatel, informar o protocolo inicial de atendimento e iniciar um novo protocolo de reclamação. Aí a Oi (Velox, fixo, celular, etc) resolve o problema no mesmo dia.

Vamos ver se daqui em diante eu lembro disso e aprendo de vez.

18.3.12

An Evening in Rio with Zak Stevens

O cantor norte-americano Zak Stevens (Circle II Circle e ex-Savatage, minha banda favorita) está no Brasil fazendo uma série de shows acústicos, acompanhado pelo Mitch Stewart (Circle II Circle) no violão e pelo Mauricio del Bianco (Soulspell) no teclado. Antes de tudo, eu quero (novamente) agradecer muito ao Mauricio e à produtora Overload, pois sem eles, esta turnê maravilhosa não teria sido possível. E é muito gratificante ver a paixão com a qual eles se dedicaram à ela.

Eu, Zak Stevens e Clara.
Realmente é difícil encontrar palavras para descrever o show. O Zak Stevens é um dos meus cantores favoritos e um dos motivos pelos quais eu tive qualquer motivação para um dia pegar um microfone e soltar a voz. A noite do dia 16 de Março de 2012 ficará para sempre gravada na minha memória não apenas por estar ali com minha esposa e amigos incríveis, mas também por ver um público tão apaixonado quanto eu, tão fascinado por aquela música sublime quanto eu. Quando finalmente fui conhecer um dos meus ídolos pessoalmente na sessão de fotos, pensei que a única coisa que não poderia dizer é "sou o maior fã do seu trabalho." Obviamente isso seria um desmerecimento incabível com todos os outros que estavam lá assim como eu, soltando a voz alto, se emocionando e se apegando àquele momento inesquecível.

Eu, Clara, Mitch Stewart, Takashi e Mauricio Del Bianco
Uma das coisas mais legais foi perceber que os caras (Zak e Mitch) são gente boa demais além da conta. Muito simpáticos, trataram todo mundo bem. Agora, a história engraçada da noite. Quase no fim do show, o Mauricio começou a tocar uma música instrumental do Savatage, "Storm", sozinho no piano. Aproveitei aquele momento para ir ao banheiro, pois as Guinness que tomei no Lapa Irish Pub antes do show e as Stella Artois do Rio Rock & Blues estavam começando a fazer efeito e a natureza chamava. Desci correndo, entrei no banheiro e estavam lá os dois, o Mitch e o Zak, nas cabines. Foi estranho, fiquei na minha e fazendo "meu negócio". O Zak falava alto: "Mitch, a gente não vai conseguir. Mitch, ele vai terminar de tocar antes de a gente voltar. Cara, por que eu estou mijando tanto hoje? Da próxima vez tenho que beber menos cerveja, Mitch. Cara, a gente não vai conseguir." Então o Mitch saiu correndo do banheiro, o Zak faz a mesma menção, dá de cara comigo. Eu abro a porta e digo: "eu posso não conseguir, mas você sim. VAI VAI VAI!!!" Ele gargalhou e saiu para terminar o show.

Ele é uma pessoa de verdade, é um cara comum. Um cantor fenomenal, incrível, com certeza. Mas é uma pessoa "real", não tem estrelismos e é de uma simpatia ímpar. Certa vez eu vi o Chris Caffery (guitarrista, ex-Savatage) dizer que quando era novo foi pegar um autógrafo com um dos seus ídolos e o cara o esnobou completamente. Por causa disso ele decidiu que se ficasse famoso, sempre trataria seus fãs bem, com carinho e atenção, pois assim todos se sentiriam bem e ficariam felizes. Eu já tinha o Zak Stevens num pedestal alto graças à sua música e técnica vocal, mas depois de anteontem ele subiu mais alguns degraus.

Outro fato interessante é que eu assisti o show com a mesma camisa que usei no primeiro show do Savatage no Brasil, em 1998. 14 anos depois, não é apenas incrível que a minha camisa esteja inteira, mas que o sentimento com relação à música não tenha diminuído nem um pouco. Para os fãs, segue abaixo o setlist do show. E mesmo para quem não é fã, seguem os videos feitos pelo Tiago. Em particular, o último ("Alone You Breathe") será para sempre uma memória maravilhosa e mágica, assim como todo o resto do show.


The Ocean
Welcome
Take Back Yesterday
Watching You Fall
Believe
All That I Bleed
Edge of Thorns
Handful of Rain
Into The Wind
Watching in Silence
Desirée
Alone You Breathe
Gutter Ballet
Sleep
Sarajevo
This is the Time
Storm
If I Go Away



WELCOME (Savatage):



TAKE BACK YESTERDAY (Circle II Circle):



WATCHING YOU FALL (Savatage):



BELIEVE (Savatage):



EDGE OF THORNS (Savatage):



EDGE OF THORNS (final da música):



HANDFUL OF RAIN (Savatage):



ALONE YOU BREATHE (Savatage):



GUTTER BALLET (Savatage):



SLEEP (Savatage):

12.3.12

Kindle? Mas o quê diabos é isso?

O Kindle é um aparelho impressionante. Trata-se de um leitor de livros em formato eletrônico, vendido pela Amazon (famosa loja virtual originária dos EUA). Eu era muito reativo com relação a ele, as pessoas que me falavam sobre como era prático, bom e fácil de usar, mas sempre me recusava a testá-lo. Meu apego aos livros de papel, empilhados na estante da parede sempre foi notório. Quem me conhece bem sabe que eu tenho muito cuidado com minhas coisas, especialmente meus livros e cartas. Capas danificadas, páginas com orelhas, rabiscos e rasuras são totalmente inaceitáveis.

Um amigo estava vendendo o Kindle dele e percebi que seria uma ótima oportunidade de investimento para a Clara, que começou no ano passado a estudar Letras-Francês e por este motivo tivemos que gastar uma pequena fortuna em livros. A minha idéia de dar o Kindle para ela seria investir na a compra de livros de referência mais baratos (livros em formato virtual na Amazon são cerca de 20% a 30% mais baratos que as versões impressas) e com maior facilidade, assim como ter acesso à literatura em domínio público, a qual nas línguas francesa e inglesa tem ampla divulgação e distribuição, ao contrário da língua portuguesa.

O assunto do domínio público, por si só, é muito interessante. Poucas pessoas costumam saber que no Brasil uma obra se torna domínio público 70 anos após o falecimento do(s) seu(s) autor(es). Mas isso fica para depois, o negócio agora é o Kindle.

Vendo a Clara se divertir com o aparelho dela começou a mexer comigo, então no ano passado uma oportunidade apareceu por um ótimo preço e comprei um para mim, igual ao dela. Neste meio tempo, eu já estava lendo o terceiro livro da série "A Song of Ice and Fire", do George R.R. Martin... Vulgarmente conhecida no Brasil como a série "Guerra dos Tronos". Mudei imediatamente do "papel" para a "tela" e não me arrependo nem um pouco.

Hoje estou lendo mais rápido e com mais conforto. O Kindle permite que você ajuste o tamanho e tipografia da fonte, o espaçamento das linhas, as margens. Você não precisa mais ficar segurando o livro em posições desconfortáveis que mudam a cada virada de página, apenas uma posição, fixa (a melhor possível) já basta. Virar páginas? Coisa do passado. Com um simples clique as páginas vão voando à sua frente, não mais contadas individualmente, mas sim na porcentagem total da leitura realizada do livro. Como bem disse um amigo certa vez, com o Kindle a gente não pergunta mais para os outros "em qual página você está?", mas sim "em qual porcentagem do livro você já chegou?" Isso para não mencionar que a tela com tecnologia e-Ink, que simula uma folha de papel impressa, realmente funciona que é uma maravilha - você lê à vontade, pode bater luz, sol, sombra, sem estresse. Mas se estiver escuro, você precisará acender uma luz de leitura.

Desde o ano passado rumores indicam que a Amazon pretende abrir sua loja virtual no Brasil, para vender aparelhos Kindle localmente e difundir ainda mais o formato de livros eletrônicos entre o nosso mercado consumidor com bom poder aquisitivo, empreitada que a Saraiva ainda não conseguiu com sucesso. O prego no caixão das lojas que não conseguirem se adaptar seriam os rumores cada vez mais fortes de que a partir de agosto a Amazon não apenas venderá os seus modelos de Kindle no Brasil, mas também o fará a preços bastante próximos daqueles praticados nos EUA, graças a uma estratégia de mercado agressiva, aliada à perspectiva de eventual produção dos aparelhos por aqui, graças à isenção de alguns impostos para a fabricação de tablets que foi concedida pelo governo brasileiro no ano passado.

Meu veredito final? Se você gosta de ler muito, o Kindle vai melhorar sua experiência. Na verdade, depois de se acostumar com o dispositivo, é difícil viver sem ele.

6.3.12

Já que as coisas são ditas por aqui...

Eu me recuso a discutir com quem eu não conheço, não tem nome e sobrenome, não tem cara. Se você é uma pessoa com este perfil e está me seguindo ou me assediando, fique ciente que a Google eventualmente pode liberar acesso aos seus dados, seguindo certos mecanismos burocráticos.

Mas isso é apenas uma hipótese. Caso ela fosse verdadeira, gostaria que parassem de me encher o saco. Não tenho que dar atenção ou ter respeito por anônimos e gente sem identidade.

2.3.12

Dançando na chuva social

Uma das discussões mais interessantes da internet é sobre a forma como as pessoas divulgam e compartilham seus dados pessoais; idade, sexo, opção sexual, região geográfica, classe social, etc. Sempre surgem dúvidas sobre como "bloquear" seus dados, ou restringí-los a um determinado grupo de pessoas. Mas agora vou contar um segredo: não há como restringir isto, uma vez que você entra no jogo.

A verdadeira idéia das redes sociais é adquirir dados e estatística em massa dos usuários para marketing, mídia e planejamento de vendas. Ocasionalmente, elas permitem que você mantenha contato com algumas pessoas.

Por exemplo, estatísticamente, o facebook "sabe" que eu sou homem, tenho 33 anos, moro na região do Rio de Janeiro e sou fã de algumas bandas, como o Savatage e o Black Sabbath. Meu perfil isolado é insignificante, mas somado ao perfil de milhares, não, de milhões de pessoas, vira um produto de grande valor. Quando você cria uma página no facebook, recebe a opção de realizar um "upgrade" (pago, obviamente) para ter acesso a estatísticas e dados mais detalhados dos usuários que acessam e curtem sua página.

Há alguns meses atrás li um artigo muito interessante (infelizmente não achei o link agora, para referenciar) que dizia que "curtir" a página de um artista no facebook é o "novo CD": astros da música mundial estão progressivamente abandonando a estratégia de vender CDs para divulgar seus trabalhos e focando em divulgação nas redes sociais, distribuindo suas músicas por streaming no facebook, Sound Cloud, YouTube e até para download gratuito. Desta forma um cara como o Kayne West sabe quantos fãs tem no Equador, a reação deles para seu disco novo, quantos vivem na região de Quito e se seria viável fazer um show por lá (ou se seria furada). E assim por diante.

Novamente, quem decide o que "venderá" de informação para as redes sociais em troca desta ferramenta de interação ocasional somos nós mesmos. Só não é legal ouvir pessoas com a postura de "ame-o ou deixe-o" com relação a este assunto. Não é bem assim que a banda toca. O velho e bom "tá na chuva é pra se molhar" não é verdadeiro se você tiver um guarda-chuva e capa.