7.2.12

Virtude e Consciência

Eu gostaria de deixar algumas coisas bem claras.

A primeira é que sou apartidário. Não acredito em partidos, especialmente no atual sistema político do nosso país. Acho que é uma mentalidade burra e uma prática estúpida acatar tudo o que um partido representa simplesmente por querer fazer parte dele. Isto leva à intriga, manobras escusas e jogo de interesses. Por isso sou apartidário.

Outra coisa interessante: sou centrista. Não daqueles, como o PMDB, que mudam suas alianças conforme a dança das cadeiras vai sendo feita, eu sou centrista e ponto final. Concordo com muitas das idéias defendidas pela esquerda, com outro tanto de idéias defendidas pela direita. Não preciso abaixar a cabeça para tudo, nem bater de frente com todos.

Eu pratico aquilo que prego e prego aquilo que sou. Defendo o direito dos empreendedores de realizarem seus negócios sem uma carga tributária absurda, assim como o dos trabalhadores de receberem bons benefícios em troca da sua mão-de-obra. Acho que o socialista deveria pensar mais como um capitalista e que o capitalista deveria pensar mais como um socialista.

É por isso que venho falando tanto sobre Pinheirinho nos últimos dias. Muitos tem fechado os olhos para a situação das pessoas despossuídas por preconceitos políticos e sociais. Por outro lado tenho visto muitos comentários na internet relacionados a Pinheirinho envolvendo palavras como "anarquia", "socialismo", "direita", "esquerda", "reacionário", "ditadura", "sindicalista".

Você não precisa se enquadrar em nenhuma das categorias acima para se revoltar com a situação atual da Síria ou do Egito, para se enojar com o apedrejamento de mulheres em praça pública na Nigéria, para querer acabar com a corrupção da política no Brasil. Ou para ser contra o que aconteceu em Pinheirinho. Tudo o que você precisa é tentar se tornar um ser humano melhor, aplicar ao seu cotidiano virtudes permitam que você faça o melhor possível, dentro das suas limitações.

Muitas vezes, a verdade tem um preço. O caso do foto-jornalista Kevin Carter, que sofrendo de depressão se matou em 1994, é bastante conhecido. O seu suicídio ocorreu poucos meses após ele ganhar um Prêmio Pulitzer, mas o homem simplesmente não foi forte o suficiente para lidar com as memórias das guerras, das matanças, das coisas erradas que presenciou, impotente. Ele tinha a minha idade, 33 anos, quando se matou.

Ter virtude e lidar com sua consciência é difícil, exige uma força que poucos tem. Pessoas como eu, afastadas dos confrontos diretos e do sofrimento dos oprimidos, não precisam ser tão fortes. Pessoas como eu e talvez... Como você?

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