24.2.11

A lambança dos nerds?

Todo mundo com o mínimo de senso de humor deve lembrar da clássica série de filmes cômicos "A Vingança dos Nerds." Naqueles filmes os nerds eram criaturas muito bizarras, mas por mais incrível que pareça, o mundo real está cheio de peças similares.

Ontem aconteceu uma coisa deplorável. Estava num bar, era aniversário de um amigo. Mesa cheia, um cara mais ou menos da minha idade senta à minha frente e pergunta: "Bartô?" Bem, só a minha família me chama assim... E as pessoas da minha época de escola. A escola escrota e cheia de playboys que frequentei entre 1993 e 1996.

Apesar de normalmente me gabar da minha pouco convencional memória visual, olhei pra ele e nada. Não conseguia reconhecê-lo. O cara não disse o nome dele, o que não ajudou muito. Minha cara de interrogação deve ter sido bizarra e ele ficou visivelmente chateado. Depois de alguns desconfortáveis minutos (falei que ele sentou na minha frente? E que tinha um sidekick, o qual aparentemente eu deveria reconhecer?) tomei coragem e perguntei de qual turma ele era. Nada. Puta merda. Aí ele disse seu nome, mas nada ainda... Então completou: "você deve lembrar de mim como Jamelão."

Claro. Jamelão. Ele era um dos caras mais gente fina daquela escola nojenta. Eu era um dos nerds estigmatizados, pisados e zoados por quase todo mundo. Ele era um dos caras "legais", que independente de qualquer coisa ou categorização, sempre falou com todos e sempre foi, acima de tudo, simpático. Então imaginem, esse cara bacana, encontrar com um dos caras que ele sempre tratou bem e não ser sequer reconhecido.

Tem gente que acha que alguns nerds amadurecem e viram pessoas melhores graças às experiências duras da vida. Outros que os nerds ficam melhor com o tempo, especialmente na questão física (Patrick Dempsey é um grande exemplo). Outros acham que nerds, ao invés de superararem as mazelas do passado, se tornam babacas vingativos e amargos.

Espero que eu não seja parte do último grupo. Deve ter sido a cerveja. Foi mal aí, Jamelão.

23.2.11

Por quê nós bebemos?

Ontem recebemos um informativo no trabalho com o título "Por quê nós ficamos bêbados?" Minha resposta imediata foi alardear: "por que nossa vida é uma merda." Rá rá rá, piadas toscas à parte, não posso falar por todos, mas no meu caso isso não é verdade.

Pra começar, sempre achei que beber quando você está deprimido ou se sentindo mal é o primeiro passo para o alcoolismo e talvez até drogas mais pesadas. Não se enganem, álcool é uma droga. Talvez a mais potente de todas, pois pode ser comprada em garrafas baratas num mercado qualquer.

Em segundo lugar, há muito tempo não fico bêbado. Até chego naquele estágio "alegrinho", com pouca sensibilidade, mas bêbado, de se arrastar, tropeçar e falar besteira, já perdi a conta de há quantos anos não fico assim. Ou melhor, eu lembro. Foi em 2004 ou 2005, mas mais do que isso, acho que nem quero saber.

Acho que não fiquei mais bêbado por que muita coisa rolou na minha vida desde lá para cá. Quando você ocupa sua mente com coisas mais importantes, a bebida vira uma companheira ocasional de bar, não é a sua melhor amiga.

Além disso nos últimos anos venho descobrindo o prazer de beber cervejas premium, algumas de marcas grandes e outras de cervejarias pequenas. O fato de que estas cervejas são meio caras incentiva a degustação e apreciação das mesmas em doses bastante moderadas.

Você que está aí fora. Lendo este texto. Você que acha que Bohemia é uma cerveja premium e que a Skol realmente desce redondo, ou que a Antarctica tem um algo a mais. Dê uma chance para uma Eisenbahn, Baden-Baden, Colorado, Dama, Dado Bier, entre muitas. Talvez assim você descubra por quê ficava bêbado e por quê eu bebo.

21.2.11

E se o frasco de perfume for muito pequeno?

Vou contar agora uma história um tanto o quanto constrangedora. Outro dia eu estava na fila de uma lanchonete de shopping, esperando para pegar o meu lanche e o da minha esposa, quando ouvi uma bela voz feminina atrás de mim perguntar: "o senhor está na fila?" Não é comum que as pessoas se refiram a mim como senhor, decidi ser educado. Virei pra trás e não vi ninguém. Então olhei para baixo.

Era uma mulher adulta, bem formada, até bonita. Mas não devia ter mais do que um metro e vinte de altura. É. 1,2 metro. Antes que me perguntem, não, ela não era anã ou tinha nanismo. A formação óssea dela, estrutura corpórea, tudo estava no lugar e muito direitinho. Ela era uma mulher de 1,2 metro de altura, adulta e era bonita.

Fiquei chocado. Respondi um tímido "não" e fiquei sem coragem de encará-la de novo. Assim que peguei nossos lanches (ok, era no McDonald's, tá?! Satisfeitos, admiti!) contei o que aconteceu pra minha mulher e pedi que ela olhasse pra garota, pra ver que eu não estava mentindo. Obviamente ela não conseguiu achae nada no meio da multidão e a distância.

Então fiquei pensando. Com aquela altura, aquela estrutura física... Ela era algo como poderíamos imaginar, uma HOBBIT. Sim, como se recém-tirada das páginas do Senhor dos Anéis ou the O Hobbit. Isto parou na minha cabeça por uns tempos, até que tomei a coragem de relatar aqui. Sei que algumas pessoas tem fetiche por anões e anãs, mas... Esse lance por Hobbits, será que é novo? Será que um dia a beleza élfica da Liv Tyler ou da Cate Blanchett será obfuscada pelas dimensões diminutas de uma bela mulher pouco mais alta que o meu fogão?

Esse lance de sexo interracial em mundos de fantasia não deve funcionar bem.

15.2.11

Biscoitos da sorte... Na cama (versão 2.0)

Recordar é viver. Minhas irmãs me mostraram essa brincadeira há tempos atrás, não sei quem foi que inventou, se é mania na internet, mas é realmente divertido. Ontem pedimos China in Box lá em casa e a coisa foi retomada.

Sempre que você pede comida chinesa, ganha um daqueles deliciosos biscoitinhos doces com uma mensagem bonitinha no meio (e números pra apostar na Mega Sena). Você lê a mensagem e das duas uma: ou pensa "puxa, que profundo isso, vou aplicar imediatamente na minha vida" ou então "que droga de filosofia de boteco é essa?" Mas existe uma forma completamente diferente de observar tais mensagens agora! Basta adicionar as palavras "na cama" após o final da mensagem, o que normalmente dá um novo sentido cômico à coisa toda. Às vezes você fica com uma frase que não tem nada a ver, mas em outros momentos, pode acabar colhendo versões hilárias (as quatro primeiras são novas e foram "tiradas" em biscoitos da sorte ontem de noite):


"Compreenda o valor da experiência, não aceite facilidades para progredir na cama."

"É importante manter uma atitude conscienciosa e firme na cama."

"Espere com paciência, aja com rapidez na cama."

"O progresso calmo e constante, livre de precipitação, conduz ao objetivo na cama."

"A velhice é o auge da experiência de vida na cama."

"Elimine o que é velho para trazer o novo à vida na cama."

"Não são os objetivos particulares mas os comuns que criam uma comunidade duradoura na cama."

"O pensamento positivo encaminha à alegria na cama."

"Estagnação não dura para sempre, entretanto, ela não acaba por si mesma na cama."

"Você é um poço de energia, sempre em movimento, na cama."

"Mesmo os piores momentos têm intervalos de paz na cama."

"Ao se progredir é importante não se deixar embriagar pelo êxito na cama."

"Só o tempo e o esforço trazem a competência na cama."

"Tudo o que está recomeçando merece cuidado e suavidade para que o retorno venha a florescer na cama."

"A graciosidade é necessária a toda união para que esta se realize de forma agradável e não caótica na cama."

"Os grandes espíritos dominam os revezes na cama."

"Ao beber na nascente, agradeça à fonte, na cama."

"Lute constantemente para o auto-aperfeiçoamento na cama."

"Seja orgulhoso, porém tolerante e generoso na cama."

"Aplicar as forças criativas para perseverar no bem é o melhor caminho para um sucesso pleno na cama."


E a melhor por último:


"O seu negócio assumirá amplas proporções na cama."


Agora tente você também. Na cama.

10.2.11

A miopia funcional de Macaé

Passei os últimos dois dias em Macaé, onde pude fazer algumas ocisas e também não fazer outras. Mas isso não importa, pois envolvem o estado de saúde de terceira parte, à qual desejo pronta recuperação. O importante é a percepção da miopia funcional que impera em Macaé.

Antes que macaenses e outros defensores da "Houston Brasileira" venham me criticar, afirmo que esta mesma miopia se encontra presente no país inteiro e em outras indústrias. Na verdade, não é necessário ser muito esperto para entender que Macaé só é um exemplo muito vívido e recente na minha memória.

Encontrei com uma querida amiga e comentei o assunto, pois ela experimenta isso no dia-a-dia e também já sofreu com o mesmo na sua vida pessoal. O que aconteceu foi que eu estava almoçando sozinho anteontem e ouvi duas pessoas na mesa ao lado, conversando animadamente:

"...Então eu respondi o e-mail dele com cópia para deus e o mundo: 'eu não vou realizar o procedimento sem o formulário preenchido corretamente, pense duas vezes antes de fazer esse tipo de solicitação.' Que babaca! Assim ele vai aprender!"

"Pois é, ele tem que preencher direito o formulário pra conseguir a manutenção, assim ele se queima à toa."

Peraí. "Ele" se queima à toa? E a pessoa que escreveu a resposta grosseira e reativa? Ela não poderia ter sido mais pró-ativa e indicado com educação o caminho correto? Mas não. Esse tipo de pessoa gosta de latir desnecessariamente poeque acredita com todas suas forças que o seu trabalho, que o seu mundinho é a coisa mais importante do universo.

No meu emprego antigo era assim. Uma empresa pequena, que para regra geral apenas participava de parte de uma etapa da exploração de petróleo e gás natural. Um dia você dá alguns passos mais distantes e tenta ver o cenário completo, mas eis a surpresa: a coisa é muito maior. Você é uma pequena, diminuta engrenagem.

As pessoas odeiam ser desvalorizadas, mas é a verdade. Não interessa seu status local, seja supervisor, coordenador, gerente, direto. Você pode acreditar que é um semideus, mas às vezes simplesmente é um tôlo enganado por Zeus.

"A vida passa rápido demais" é um clichê verdadeiro. Esses míopes um dia vão perceber que passaram a vida lutando para serem os melhores em objeto inócuo. Ao olhar para trás, ninguém aprendeu as coisas com as quais sonhava na juventude, como surfar, tocar guitarra, conhecer o mundo (e por conhecer, eu digo de verdade, não apenas tirar fotos nos lugares mais famosos pra dizer que esteve lá).

Podemos dizer que alcançar nossa própria estrela é um objetivo comum a todos. O problema é que alguns giram em torno de sóis nutritivos e inspiradores, enquanto outros estão às voltas com moribundos gigantes vermelhos, à beira da destruição.