Niterói e a (des)Ordem Social

Setembro está sendo um mês um tanto o quanto complexo, então escrevo este post mais para não deixar passar em branco do que qualquer coisa. A motivação é simples: paz de espírito.

Estou em casa, tentando cuidar da minha própria vida e sou martelado por bares nas esquinas tocando música alta. Todo fim-de-semana é assim. As pessoas que vem para os bares param seus carros de forma irregular e lotam as ruas com máquinas caras, possantes e desrespeitando a lei e o espaço comum, inclusive estacionando em cima de faixas de pedestres. Para piorar, hoje a cobertura de um prédio próximo está abrigando uma bateria de escola de samba.

São onze horas da noite e eu estou em Icaraí, zona sul de Niterói. Nosso IPTU é um dos mais caros do Estado do Rio de Janeiro mas ainda assim não temos uma série de benefícios. O bairro é inseguro, pois Niterói agora está infestada de bandidos que fugiram do Rio de Janeiro e suas geniais UPPs. Aparentemente a ordem geral da polícia local é continuar fazendo blitz para pegar motociclistas irregulares, muito raramente prendendo bandidos de verdade.

A profusão de novos prédios e outros em construção, alavancada pela especulação imobiliária imoral praticada em Niterói, faz com que o abastecimento de eletricidade e água seja deficiente. Aliás, falando em água, quando chove o bairro inteiro é alagado. A rede de esgotos simplesmente não comporta o "desenvolvimento" da região e de acordo com um amigo que é engenheiro civil, os rios subterrâneos e lençóis freáticos de Icaraí tem suas rotas constantemente alteradas e desviadas pela construção destes novos prédios, o que faz com que durante as chuvas eles não dêem vazão para todo o volume de água recebido, eis mais alagamentos.

Cansei de pagar o pato. O playboy continua comprando sua maconha e o seu pó, mas o traficante ameaça a segurança e as vidas da minha família. A classe média alta continua enchendo a cara nos barzinhos fajutos da moda com suas caras máquinas estacionadas irregularmente. Outro dia eu quase fui atropelado por um destes bêbados desgraçados que entrou na minha rua na contra-mão e subiu na calçada para entrar na garagem do seu prédio - o prédio ao lado do meu. A família do bicheiro ou do político (são ambos parte da mesma raça nojenta e desgraçada) continua fazendo uma festa que, literalmente, acorda todo o quarteirão.

Na boa, eu quero mais é que essa gente toda vá se foder. Sei que estou ficando mais rabugento à medida em que envelheço, mas ei, eu já sabia que isso aconteceria, conheço os genes da minha família. Estamos caminhando a passos largos em direção à completa desordem social em Niterói, mas estou preparado para me defender nesta situação. E estou pouco me fodendo para quem discorda de mim.