29.8.10

Twitcam, A Nova Onda do Imperador

É, eu dei uma sumida. Após minhas férias e recuperação da apendicite as coisas andam meio corridas... Os finais dos dias tem sido passados, normalmente, deitado no sofá e quase apagando. Mas continuo tentando entender as coisas novas que vem aparecendo por aí. A febre da vez é o Twitcam.

Para quem não conhece o Twitcam (o que parece ser raro hoje em dia), trata-se de um site integrado com o Twitter no qual um usuário deste compartilha sua webcam com o mundo. A tela é minúscula e com definição horrorosa, mas logo ao lado aparece um campo com os comentários (que são replicados no Twitter) de quem estiver assistindo à pessoa em questão. E na barra inferior do vídeo aparece um contador mostrando quantas pessoas estão assistindo a transmissão ao vivo. Além disso, é possível gravar suas transmissões para que ou outros possam vê-las depois.

Tudo isso é muito bacana. Excelente ferramenta de comunicação, permite que você faça um "videolog" com muito mais facilidade, mobilidade e liberdade que no YouTube, além de divulgar para listas monstruosas de seguidores no Twitter. Vi alguns jornalistas e famosos aleatórios (a maioria não tão famosos assim) realizando transmissões na Twitcam, o que é bacana, mantém o contato com os fãs ou com aqueles que se importam com suas opiniões e pensamentos. Admito, eu bem queria que caras como o Neil Gaiman e o Zakk Wylde, que são bastante ativos no Twitter, usassem o Twitcam de vez em quando.

Obviamente, não levou nem dez segundos para que começasse a sacanagem. Um exibicionista aqui, outra ali, atriz pornô mostrando making off de vídeo, webcam girl dando amostra de performance, casal swinger na tela para o mundo. Ok, admito, isso não é novidade, existe há mais de dez anos (sério, dez anos mesmo). Mas o que é novidade é que agora qualquer um pode ter uma câmera e acesso à internet, o que já dez anos era "exclusividade" de uma minoria avant-garde (para não dizer "nerd") ou de gente com razoável poder aquisitivo. Sem contar que as conexões ma-ra-vi-lho-sas que 33,6 Kbps da época não ajudavam nada. Imaginem só: tá rolando "aquele" striptease online de uma atriz pornô alemã e quando ela vai tirar o sutiã, a sua conexão cai e começa o barulho do modem rediscando (relembre aqui). Broxante, não?

Tá, ok, até aí tudo bem. Todo mundo que entra no Twitcam concorda com os termos do site, dizendo que tem mais de 18 anos. Nós sabemos que não é bem assim. Logo, assim como no Twitter, o Twitcam está infestado de menores de idade. O problema é que alguns deles, em particular meninas com idades entre 13 e 16 anos, não se satisfazem em manter transmissões regulares contando para o mundo qual é o ator da Globo favorito delas ou se vão sair no fim-de-semana pra festa da fulaninha. Os egos inflados pelas centenas de usuários que as assistem, elas vão "além" e realmente fazem shows para as pessoas, se exibindo, dançando de forma provocativa, mostrando roupas íntimas e até tirando a roupa.

Cara, quando se é maior de idade, tá valendo. Mas as garotas tem 14, 15 anos. Quem me conhece sabe que não sou puritano ou conservador, mas aí já estamos cruzando uma linha perigosa. O Twitcam está repleto de predadores que ficam de tocaia, esperando as exibições das menores de idade para então gravar as imagens e divulgar na internet. Ela acabou tornando-se não mais um ferramenta para melhor a comunicação, mas sim a pedofilia.

Daqui a pouco a Polícia Federal vai cair matando e algum espertinho do Ministério Público vai pedir o fechamento do site. Mais uma vez o instrumento será questionado e crucificado, não a vontade por trás do mesmo. É culpa do orkut ou do Twitcam este tipo de exibição que leva ao crime? Claro que não, é culpa da sociedade. Não haveriam vídeos de meninas de 14 anos fazendo striptease de madrugada se elas próprias não o fizessem, pois não são forçadas a nada!

Toda a culpa é desta nossa hipócrita sociedade predominantemente cristã e conservadora, que reprime os adolescentes e seus desejos naturais, levando-os naturalmente à subversão para contestar o poder constituído dos pais, os quais não delegam responsabilidades, meramente dão direitos temporários e depois os tiram como medidas punitivas.

Vamos sim pegar os pedófilos que encorajam este tipo de comportamento. Mas não devemos nos esquecer de também pegar os pais e mães negligentes que permitem que este tipo de coisa aconteça debaixo dos seus próprios narizes. A maioria de nós se surpreenderia ao ver que estes pais e seus filhos e filhas que fazem shows noturnos dentro de casa, são na verdade nossos vizinhos, colegas de trabalho e amigos.

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