29.8.10

Toda a verdade sobre as Barcas

Se preparem que o texto é longo e se estou avisando isso é porque é longo mesmo. Vamos começar pelo início. Para quem não sabe, o serviço de barcas realiza a travessia entre o Rio de Janeiro e Niterói diariamente há quase 160 anos. Durante muito tempo ele pertenceu à iniciativa privada, até que em 1967 foi estatizado.

Vamos chamar o primeiro período "pré-estatização" de "Caos 1". Nesta época, particularmente nos anos 50 e 60, quando o serviço era controlado por um consórcio chamado "Grupo Carreteiro", começaram as primeiras revoltas. A famosa "Revolta das Barcas" aconteceu em 1959, causada por um simples dia de atrasos, filas longas e desorganização total. Porém o serviço já vinha apresentando péssima qualidade há tempos. Sucedeu-se um levante geral, com a destruição parcial da Estação da Cantareira, de parte da frota e da mansão da família Carreteiro, no bairro do Ingá.

Mesmo com tanta bagunça e revolta, os problemas continuaram. A foto acima é de uma nova revolta, realizada em 1961, após um anúncio de aumento no valor das passagens. Desta vez a Estação da Cantareira não resistiu e sucumbiu definitivamente ao fogo, sendo então substituída por uma estação "temporária" no centro de Niterói. A tal estação "temporária", que serviria apenas como medida paliativa, é a atual estação que nós conhecemos.

Veio 1967, a estatização e a família Carreteiro se viu livre do "fardo" da Barcas. Pobres coitados, após tantos anos explorando os serviços e sugando o dinheiro do Estado, sempre alegando prejuízo, eles continuavam comprando propriedades e aumentando sua fortuna. Não sei como é na casa dos outros, mas aqui quando o dinheiro está curto, a gente costuma parar de gastar ao invés de sair comprando coisas aleatórias.

Em 1998 o tal consórcio "Barcas S/A" ganhou uma concessão de 25 anos para explorar os serviços das barcas. O que pouca gente sabe e que a Barcas S/A faz de tudo para que ninguém descubra, é que os acionistas deste consórcio são: Andrade Gutierrez (empreiteira), Viação 1001 (transporte rodoviário), Wilson Sons (empresa de logística e soluções navais) e RJ Administração e Participações (não sei que empresa é esta).

Peralá. A Viação 1001 a gente conhece, eles praticamente monopolizam o transporte rodoviário intermunicipal entre a Grande Rio e o resto do estado. Legal que eles também se interessem por transporte hidroviário, não? Mas vou contar outro segredo guardado a sete chaves. Sabem a Ponte Rio-Niterói, também conhecida como a "outra" forma de se atravessar com certa rapidez (hoje em dia isso é monstruosamente discutível) a Baía de Guanabara? Sabem quais são as empresas que formam o consórcio Ponte S/A? A Andrade Gutierrez e a Camargo Corrêa. Duas empreiteiras, cujo consórcio faz parte da CCR, também conhecida como a empresa que "está tapando buracos pelo Brasil inteiro, colocando pedágios e ganhando uma grana violenta com isso". E no nosso caso, a Andrade Gutierrez também manda nas barcas. Ou seja, esta idônea, sólida e poderosa empresa é uma das responsáveis por toda a merda que ocorre no transporte entre o Rio e Niterói, seja por terra (ponte) ou por mar.

Só pode ser sacanagem com a nossa cara, né? Podemos concluir que em 1998 iniciou-se o "Caos 2".

Então, no ano passado, em Abril de 2009, eu estava lá na Estação da Praça XV quando rolou um quebra-quebra generalizado, motivado por uma noite de atrasos, filas longas e desorganização total. Porém o serviço já vinha apresentando péssima qualidade há tempos. Sim, acabei de copiar o texto do segundo parágrafo, pois a situação é absolutamente idêntica à de 1959 e 1961. As pessoas estavam nervosas, era literalmente uma turba enraivecida. Consegui entrar na estação, pagando minha passagem como bom e honesto otário que sou, apesar de todos estarem pulando as catracas. Uma barca veio, o capitão sensatamente não abriu as portas e foi embora, pois provavelmente a embarcação seria invadida, pessoas se machucariam e a super-lotação poderia causar uma tragédia. Lá na rampa de embarque encontrei com um amigo sensato que me convenceu a procurarmos cerveja em um bar ao invés do caos instaurado lá nas barcas.

Passou-se mais de um ano e na semana passada lá estava eu, dentro da estação das barcas em Niterói, esperando meu transporte de péssima qualidade para o Rio. A barca das 08:00 hrs veio em nossa direção, deu um belo "cavalo-de-pau" na água e seguiu reto em direção ao enrocamento de um shopping próximo dali. Bateu. Disseram que foi um "desvio", uma "ancoragem de emergência". Gente, a barca bateu. Simplesmente bateu, como mostra a foto acima, de 2010. E poderia ter sido pior, se o capitão da mesma não tivesse desviado de uma estação apinhada com mais de 2000 pessoas. Seguiu-se uma manhã de atrasos, filas longas e desorganização total. Porém o serviço já vinha apresentando péssima qualidade há tempos.

Foi mal. Copiei o mesmo texto de novo. O pior é que isto vai continuar acontecendo, pois o tal Grupo Barcas S/A ainda tem a concessão por mais 13 anos. Eles vivem pedindo ajuda financeira ao Governo do Estado, alegando prejuízos e falta e capital para investir no negócio. Caramba, coitadinhos, não? Nem parecem ser algumas das empresas mais poderosas do Estado que estão mendigando dinheiro para os cofres públicos. Meu dinheiro. Seu dinheiro. Nosso dinheiro, de otários que não apenas pagam um absurdo em impostos, mas também pagam para usar o serviço podre e desumano ao qual as Barcas S/A nos submetem.

Eles realmente precisam de dinheiro? É uma questão pública? Então que as contas das Barcas S/A sejam abertas para o público! Eu quero ver os números, quero ver o tal prejuízo que eles alegam ter. Está tão difícil assim a situação? É o mesmo com todo mundo, malandro. Aqui em casa também está. Eu bem queria ter uma televisão Full HD de 42 polegadas, mas agora não dá. Tenho que me contentar com a LCD de 22 polegadas, que aliás, ganhei num sorteio na festa de fim-de-ano da minha empresa.

A Barcas S/A que se prepare. Sábias são as pessoas que aprendem com a história e como nós já vimos, a diferença entre a Revolta de 1959 e a de 1961 é que a segunda foi motivada por um simples aumento no preço da passagem, para se ver o estado de nervos generalizado das pessoas que utilizavam o serviço. Do jeito que a coisa anda, é bem provável que o consórcio faça o mesmo a qualquer momento. Eles seriam tão corajosos? Eles realmente não tem medo do que a população é capaz de fazer?

Palavra de quem esteve literalmente presente nos piores dias das barcas nos últimos dois anos: já consigo sentir o cheio da gasolina e o som dos fósforos raspando nas suas caixas...

Twitcam, A Nova Onda do Imperador

É, eu dei uma sumida. Após minhas férias e recuperação da apendicite as coisas andam meio corridas... Os finais dos dias tem sido passados, normalmente, deitado no sofá e quase apagando. Mas continuo tentando entender as coisas novas que vem aparecendo por aí. A febre da vez é o Twitcam.

Para quem não conhece o Twitcam (o que parece ser raro hoje em dia), trata-se de um site integrado com o Twitter no qual um usuário deste compartilha sua webcam com o mundo. A tela é minúscula e com definição horrorosa, mas logo ao lado aparece um campo com os comentários (que são replicados no Twitter) de quem estiver assistindo à pessoa em questão. E na barra inferior do vídeo aparece um contador mostrando quantas pessoas estão assistindo a transmissão ao vivo. Além disso, é possível gravar suas transmissões para que ou outros possam vê-las depois.

Tudo isso é muito bacana. Excelente ferramenta de comunicação, permite que você faça um "videolog" com muito mais facilidade, mobilidade e liberdade que no YouTube, além de divulgar para listas monstruosas de seguidores no Twitter. Vi alguns jornalistas e famosos aleatórios (a maioria não tão famosos assim) realizando transmissões na Twitcam, o que é bacana, mantém o contato com os fãs ou com aqueles que se importam com suas opiniões e pensamentos. Admito, eu bem queria que caras como o Neil Gaiman e o Zakk Wylde, que são bastante ativos no Twitter, usassem o Twitcam de vez em quando.

Obviamente, não levou nem dez segundos para que começasse a sacanagem. Um exibicionista aqui, outra ali, atriz pornô mostrando making off de vídeo, webcam girl dando amostra de performance, casal swinger na tela para o mundo. Ok, admito, isso não é novidade, existe há mais de dez anos (sério, dez anos mesmo). Mas o que é novidade é que agora qualquer um pode ter uma câmera e acesso à internet, o que já dez anos era "exclusividade" de uma minoria avant-garde (para não dizer "nerd") ou de gente com razoável poder aquisitivo. Sem contar que as conexões ma-ra-vi-lho-sas que 33,6 Kbps da época não ajudavam nada. Imaginem só: tá rolando "aquele" striptease online de uma atriz pornô alemã e quando ela vai tirar o sutiã, a sua conexão cai e começa o barulho do modem rediscando (relembre aqui). Broxante, não?

Tá, ok, até aí tudo bem. Todo mundo que entra no Twitcam concorda com os termos do site, dizendo que tem mais de 18 anos. Nós sabemos que não é bem assim. Logo, assim como no Twitter, o Twitcam está infestado de menores de idade. O problema é que alguns deles, em particular meninas com idades entre 13 e 16 anos, não se satisfazem em manter transmissões regulares contando para o mundo qual é o ator da Globo favorito delas ou se vão sair no fim-de-semana pra festa da fulaninha. Os egos inflados pelas centenas de usuários que as assistem, elas vão "além" e realmente fazem shows para as pessoas, se exibindo, dançando de forma provocativa, mostrando roupas íntimas e até tirando a roupa.

Cara, quando se é maior de idade, tá valendo. Mas as garotas tem 14, 15 anos. Quem me conhece sabe que não sou puritano ou conservador, mas aí já estamos cruzando uma linha perigosa. O Twitcam está repleto de predadores que ficam de tocaia, esperando as exibições das menores de idade para então gravar as imagens e divulgar na internet. Ela acabou tornando-se não mais um ferramenta para melhor a comunicação, mas sim a pedofilia.

Daqui a pouco a Polícia Federal vai cair matando e algum espertinho do Ministério Público vai pedir o fechamento do site. Mais uma vez o instrumento será questionado e crucificado, não a vontade por trás do mesmo. É culpa do orkut ou do Twitcam este tipo de exibição que leva ao crime? Claro que não, é culpa da sociedade. Não haveriam vídeos de meninas de 14 anos fazendo striptease de madrugada se elas próprias não o fizessem, pois não são forçadas a nada!

Toda a culpa é desta nossa hipócrita sociedade predominantemente cristã e conservadora, que reprime os adolescentes e seus desejos naturais, levando-os naturalmente à subversão para contestar o poder constituído dos pais, os quais não delegam responsabilidades, meramente dão direitos temporários e depois os tiram como medidas punitivas.

Vamos sim pegar os pedófilos que encorajam este tipo de comportamento. Mas não devemos nos esquecer de também pegar os pais e mães negligentes que permitem que este tipo de coisa aconteça debaixo dos seus próprios narizes. A maioria de nós se surpreenderia ao ver que estes pais e seus filhos e filhas que fazem shows noturnos dentro de casa, são na verdade nossos vizinhos, colegas de trabalho e amigos.

6.8.10

Bootleg em Niterói

Aqui está uma boa pedida para os embalos de sábado à noite em Niterói. A experiente banda Bootleg tocará no Bar Itália amanhã, o show deve começar pontualmente às 20:00 hrs.

Não sei quanto a vocês, mas eu quero ir. Eles tocam músicas de autoria própria e vários clássicos do rock e blues de arrepiar. Segue abaixo o serviço e um clipe de tira-gosto:


Bar Itália
Praia de Charitas, 651, Niterói
Tel: 2619-8634