Bate que eu gosto

Hoje eu percebi uma coisa. Estava na barca Rio-Niterói, tentando voltar para casa rápido quando tive uma epifania. Todas aquelas pessoas apertadas, constritas, lutando por um espaço, suando e tremendo com a possibilidade do fim da viagem...

O transporte público no Estado do Rio de Janeiro é uma prática sado-masoquista.

Não é necessário conhecer as barcas Rio-Niterói para perceber isso. Imagine um ônibus qualquer, com suas emocionantes freadas bruscas, forçando as pessoas de pé a se agarrarem a qualquer coisa como se suas vidas dependessem disso. Os solavancos são chicotadas nas costas e lombos daqueles que viajam sentados, pura dor.

E o metrô e o trem? Estas práticas, comuns no Rio de Janeiro, talvez sejam proibidas em vários países. É uma catarse coletiva, um fluxo de pessoas em puro estado de selvageria, pouco se importando com o que acontece ao seu redor, apenas buscando se apertar mais um pouquinho, se espremer para cá e empurrar para lá. É como usar uma roupa de couro com correntes, sabendo que a qualquer deslize você será pisoteado sem piedade pela coletividade.

Claro, os usuários do transporte público são a metade masoquista desta prática safada e suja. Os sádicos, estes tenho certeza que manejam chicotes muito bem de seus escritórios. Fico imaginando, será que enquanto a população é subjugada diariamente a um esquema tão sórdido, estas dominatrix do imoral cartel do transporte tem orgasmos múltiplos e convulsões de prazer?
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