23.2.10

Meu centésimo post no blog

Sim, é verdade. Este é o meu centésimo post aqui neste blog, desde que ele migrou do horroroso serviço prestado pelo "blogger" da Globo para o Blogger original (Blogspot). Apesar disto não ser aparente, pois eu tenho um domínio registrado e webspace, sim, este blog é do Blogger.

Decidi que para um post tão pop deveria usar um assunto igualmente pop. E o que é mais pop hoje em dia do que falar sobre o Big Brother Brasil 10? Um programa polêmico, que está dando o que falar, reacendendo uma discussão acalorada na sociedade sobre vários assuntos importantes? Bem, a minha opinião sobre o BBB 10 é simples:

Estou pouco me fodendo para o BBB 10. Não assisti nenhum programa, não quero assistir e não vou perder meu tempo tentando entender o que acontece nele. Se há algum assunto realmente importante sendo discutido por causa dele, a culpa é da sociedade que nunca deu a devida atenção para algo latentemente ignorado. Ao invés de falar sobre o BBB 10, falarei sobre algo que considero mais importante que o programa da Vênus Platinada: xixi de gato.

Cheguei em casa hoje e fui recebido pelos nossos dois gatos, a Pixie e o Fera. O Fera, para quem não sabe, agora é só Fera e 1/2, porque foi castrado recentemente. A Pixie continua com todas suas partes intactas e para piorar está no cio, uma criatura insuportável até a raiz dos pêlos. Foi só eu ir pra cozinha que ela começou a mijar no tapete que fica em frente à bancada da pia. Imediatamente a retirei dali para dar um belo esporro, mas enquanto tirava o tapete e levava pra área de serviço onde ele seria lavado, ela não satisfeita com o serviço anterior continuou vertendo o líquido amarelo no mesmo lugar.

Basicamente, a Pixie fez uma poça enorme de xixi, não dava pra acreditar que aquilo tudo tinha saído dela. Nem preciso dizer o tamanho do esporro que a bichinha levou... Foi tão forte que até fiquei com peso na consciência. Então mais tarde voltei à cozinha e área (onde ela agora está "retida") para encontrar outra poça de mijo.

Será que ela não vai parar? Por mais que eu brigue, por mais que reclame e eventualmente limpe o xixi dela, a Pixie continuará a mijar, grandes poças amarelas e líquido vil pela minha casa? Viverei eu numa falsa esperança de nunca mais encontrar tal mancha de uréia no piso frio da cozinha, porém eternamente paranóico com o fato de que mais cedo ou mais tarde ela acontecerá novamente? Apenas para ser limpada e ignorada novamente?

Então, é isso que eu penso sobre xixi de gato. E sobre o BBB 10.

21.2.10

Um jogo para equilibrar

Pequenas coisas do cotidiano. Estava falando ao telefone com uma amiga agora há pouco e eventualmente ela falou algo interessante: falávamos sobre coisas boas que acontecerão em 2010 e ela me lembrou que estamos em ano de eleições e Copa do Mundo. Então eu disse, "já isso não é bom, são grandes as chances de que o Brasil se dê mal em ambas as situações!"

Sentei no computador e decidi fazer uma conta, pensando naquilo que falei. Já foram disputadas 18 edições da Copa do Mundo de Futebol até hoje, sendo a primeira em 1930. O Brasil disputou todas as edições e ganhou 5 vezes, o que representa um aproveitamento de 27,77%. Nada mau, não?

De 1930 até hoje, o Brasil teve 27 Presidentes, contando os vice-Presidentes que eventualmente assumiram o cargo e as duas juntas militares (Revolução de 1930 e a Provisória de 1969). Não vou julgar os méritos individuais de cada governo, mas considerarei para o efeito estatístico apenas aqueles que foram eleitos diretamente pelo povo e excluindo alguns casos especiais: O Getúlio Vargas (que era um ditador), o Gaspar Dutra (que entrou com o "apoio" dos militares), o Jânio Quadros (que era meio doido) e o Fernando Collor (dispensa explicações). Logo, chegamos ao número de apenas 8 Presidentes eleitos de forma direta cujo mandato não terminou em escândalo ou tragédia (contei o Jango porque, convenhamos, o golpe de 64 não foi exatamente culpa dele). Chegamos a um aproveitamento de 25,92% no quesito de "Presidentes que não foram uma catástrofe total ou que pelo menos tentaram fazer alguma coisa".

Vamos lá, Copa do Mundo, 27,77% de aproveitamento. Um presidente que não seja um lixo total, ficamos com 25,92%. Não é à toa que somos o país do futebol e da corrupção desvairada.

18.2.10

Bate que eu gosto

Hoje eu percebi uma coisa. Estava na barca Rio-Niterói, tentando voltar para casa rápido quando tive uma epifania. Todas aquelas pessoas apertadas, constritas, lutando por um espaço, suando e tremendo com a possibilidade do fim da viagem...

O transporte público no Estado do Rio de Janeiro é uma prática sado-masoquista.

Não é necessário conhecer as barcas Rio-Niterói para perceber isso. Imagine um ônibus qualquer, com suas emocionantes freadas bruscas, forçando as pessoas de pé a se agarrarem a qualquer coisa como se suas vidas dependessem disso. Os solavancos são chicotadas nas costas e lombos daqueles que viajam sentados, pura dor.

E o metrô e o trem? Estas práticas, comuns no Rio de Janeiro, talvez sejam proibidas em vários países. É uma catarse coletiva, um fluxo de pessoas em puro estado de selvageria, pouco se importando com o que acontece ao seu redor, apenas buscando se apertar mais um pouquinho, se espremer para cá e empurrar para lá. É como usar uma roupa de couro com correntes, sabendo que a qualquer deslize você será pisoteado sem piedade pela coletividade.

Claro, os usuários do transporte público são a metade masoquista desta prática safada e suja. Os sádicos, estes tenho certeza que manejam chicotes muito bem de seus escritórios. Fico imaginando, será que enquanto a população é subjugada diariamente a um esquema tão sórdido, estas dominatrix do imoral cartel do transporte tem orgasmos múltiplos e convulsões de prazer?

Uma Nota Rápida

Vou colocar em palavras aquilo que já venho explicando pessoalmente para amigos e conhecidos aleatórios há anos. Sim, eu nasci em bom berço e fui criado por uma mãe flamenguista, fã do Zico e rubro-negra até a raiz da alma. Apesar de gostar bastante de futebol desde pequeno, digamos que nunca aprendi o jogo na prática muito bem, normalmente ficava apenas na teoria. Em suma, eu sou aquilo que todos costumam chamar carinhosamente de "ruim de bola", "pereba" ou "perna-de-pau".

Por algum tempo cheguei a pensar que, por conhecer futebol bem na teoria e na prática ser um lixo, que eu poderia virar jornalista esportivo, mas eventualmente desisti desta opção de carreira. Mas o que realmente importa é que ao longo dos anos verdadeiramente passei a gostar de futebol, ao ponto de não conseguir mais assistir a jogos do meu próprio time com emoção. Tudo o que restava era uma análise fria, sem gritos, sem chiliques, ser "torcedorismos". Ao mesmo tempo quando isso começou a acontecer, também tive contato com uma instituição chamada "Manchester United", sem saber o que isto representaria no meu futuro.

Lembrem-se que estamos falando do ano de 1996, quando eu tinha apenas dezoito para dezenove anos de idade. Aos poucos fui me aproximando do tal Manchester United, na época capitaneado pelos grandes Roy Keane e Eric Cantona. Com o passar dos anos vi o futebol tetra-campeão do Brasil entrar em franca decadência. Falem o que quiserem, mas nunca mais o futebol regional do nosso amado país foi o mesmo, dando espaço apenas a treinadores com times botinudos, acostumados a gramados ruins e partidas sofríveis em campeonatos regionais que podem até elevar a paixão do torcedor, mas que no fim das contas não valem nada.

Ao longo dos anos, assistir a uma partida do futebol brasileiro virou o equivalente a beber uma cachaça barata, daquelas que você nem tem coragem de admitir que ingeriu e no dia seguinte alega amnésia alcóolica. Assistir aos jogos do Manchester United, pelo outro lado, era beber uma pint de cerveja artesanal.

São quase quatorze anos de contato com o United, os quais viraram paixão e quando percebi estava gritando, torcendo, berrando com os jogadores através de uma tela de TV como se eles pudessem me ouvir. Não me importo com aquilo que as pessoas podem pensar ou falar, estou pouco me lixando - sou torcedor do Manchester United, com o qual ganhei vários títulos neste tempo todo em que estamos juntos.

Só queria deixar meus motivos claros, por uma simples razão: não vou mais explicar isso pessoalmente. Se alguém me perguntar ou tentar discutir futebol brasileiro comigo, solicitarei educadamente que entre no meu blog e pesquise por este post, porque as pessoas simplesmente se recusam a entender. Então agora é oficial, me recuso a explicar.

E rumo ao duplo tetra: quatro vezes seguidas no campeonato inglês e o quatro título da Copa dos Campeões.

15.2.10

Não gostei do Rock Band Beatles

Eu estava com este post entalado na garganta há algumas semanas, preciso desabafar - e nada como o ócio carnavalesco para transbordar pensamentos para o teclado. Então, eu não gostei do Rock Band Beatles. Antes de explicar os motivos precisos, vou explicar um breve histórico pessoal.

Quando criança um dos meu lugares preferidos da casa para brincar era o escritório. Era um quarto em anexo à cozinha da casa onde cresci no Rio de Janeiro, no qual ficavam quatro estantes grandes recheadas de enciclopédias, livros e os discos e fitas K7 dos meus pais. Na coleção deles fundamentei meu gosto musical desde pequeno, ouvindo gravações antológicas de bandas como Led Zeppelin, The Who e The Jimi Hendrix Experience. Havia clássicos também, como Vivaldi, Mozart, Beethoven, Bach e Wagner. Também havia The Beatles.

Passei boa parte da minha infância ouvindo as cantigas do Quarteto de Liverpool e simultaneamente ouvindo meu pais contarem as histórias sobre como eles foram o maior grupo de rock de toda a história, de quando o John Lennon disse que eles eram mais populares que Jesus Cristo, ou simplesmente de como eles eram uns rapazes pobres de uma cidade onde a vida era dura e acabaram virando músicos milionários e mundialmente famosos. Obviamente eu escutava os discos de forma frenética, desde que me entendo por gente, o que inclusive me levou a rabiscar hediondamente a capas dos vinis-coletênea "Vermelho" e "Azul", colocando os nomes dos membros do grupo acima de seus rostos (o que me leva a pensar que quando tiver um filho preciso esconder os encartes dos meus CDs).

A segunda parte do histórico é a minha opinião sobre Rock Band e Guitar Hero: eu gosto dos jogos. Não os teria em casa, pois com certeza não tenho paciência para jogar estes dois estensivamente e provavelmente estaria jogando dinheiro fora. Mas acredito que ambos são os dois melhores "jogos de festa" de todos os tempos. São interativos, são dinâmicos, são divertidos... São karaokê. É isso mesmo, é um karaokê, ou melhor, videokê. A diferença é que ao invés de tocar uma música pela-saco do Só Pra Contrariar, você pode cantar clássicos como "Livin' On A Prayer", "Don't Stop Believing" ou "Aces High". Cara, isso é muito, mas muito legal, diversão pura. E Rock Band Beatles, que teoricamente junta algo que eu amo com algo que eu acho muito legal?

O jogo é chato. Muito chato.

As músicas do Rock Band Beatles são tão fiéis às originais e os "vídeos" com a banda na tela são tão fidedignos que o jogo é chato. Você não consegue se colocar no lugar do "rock star", no máximo você interpreta o Ringo Starr (desculpem, não podia deixar de passar essa). Uma das coisas mais legais do Rock Band / Guitar Hero é a capacidade de sair zoando tudo e dane-se, este é o princípio básico da diversão. Mas com as músicas dos Beatles parece um sacrilégio, um pecado mortal, o assassinato de algumas das cantigas mais perfeitas de toda a história.

O jogo é lento. Muito lento. A maior parte das músicas não tem muita pegada, ou são bobinhas demais (fase "Iê Iê Iê") ou são viajadas demais (fase "Ácida"). O jogo é tão fiel às gravações mestre que ele fica travado, tudo é esquematizado, tudo é certinho demais, chatinho demais, fechadinho demais, igualzinho demais, boboca demais, pleonástico demais, repetitivo demais.

Conclusão: vamos tocar músicas dos Beatles numa banda? Com certeza. Eu posso pegar o violão agora mesmo para tocar "Norwegian Wood" ou "Across The Universe" que será muito divertido, mesmo sendo duas músicas lentas, baladinhas. Os Beatles não saem do meu iPod, desde que eu tenho um iPod (eu já mudei de modelo uma vez), são presença obrigatória e normalmente embalam meus Natais em família. Estou certo que meus amigos que são fãs do jogo me perdoarão pela heresia, pois sabem que não sou um radical ou purista fundamentalista, mas por mim o Rock Band Beatles nunca teria saído do papel. E quem for Beatlesmaníaco a ponto de não aceitar a opinião alheia, bem, dane-se. Continue com o joguinho eletrônico que eu vou fazer coisa melhor.