Uma Questão de Consciência

Quem me conhece bem sabe que tenho posições firmes sobre os mais diversos assuntos. Não gosto de simplesmente discutir com as pessoas, mas estes temas são tópicos, digamos, pelos quais sou apaixonado.

Sou contra o consumo de drogas ilícitas. Não me interessa qual seja, sou contra e ponto final. Não gosto que usem perto de mim. Quem quiser fazer o tipo de besteira aleatória que desejar, faça. Mas longe de mim. Para piorar as coisas, cada 1 Real gasto por um consumidor de drogas com traficantes equivale a 10 Reais de impostos gastos com a segurança pública. Ou seja, eu tenho que trabalhar honestamente que nem um corno para um cheirador qualquer se divertir e ainda pôr em risco a minha vida e da minha família?

"Reacionário", alguns dizem. "O usuário é a maior vítima", pode até ser. Na maioria dos casos não. O usuário é covarde, omisso, acomodado e sequer se interessa em iniciar um diálogo construtivo na sociedade para, por exemplo, apoiar a legalização de drogas leves. Dá trabalho, né? Mais fácil jogar a culpa nos outros, como o Marcelo D2, cruzar os braços, acender um bagulho e fazer uma pose de orgulho.

É mais ou menos assim que a sociedade tem encarado o assunto dos transgênicos. Todos nós somos os usuários de drogas que não nos importamos com o futuro, com aquilo que pode acontecer com o planeta e muito menos com nós mesmos. Cruzamos os braços e vivemos um dia após o outro no conforto, pois está tudo relativamente bem. Há problemas? Claro que sim. Eles devem ser discutidos? Com certeza. Então porquê não o fazemos?

Normalmente as desculpas são de que a população não está capacitada a entender termos científicos (linguajar é complexo demais), ou então a retórica idiota de que, se não há nenhum mal comprovado, porquê não usar? Esta última evasão da indústria pró-transgênicos é quase religiosa - se não é comprovado que não existe vida após a morte, porquê não deixar logo que um paciente terminal morra para reencarnar novamente ou ir pro paraíso logo?

Aí quando o governo finalmente prepara um documento realmente interessante para instruir a população sobre o assunto, voilá! Ele é proibído pelo poder dos advogados inescrupulosos e do dinheiro sujo. Concordo com o Movimento Mudança (informação enviada pelo sempre vigilante Moon), vamos iniciar a desobediência civil! Clique neste link para ler o post do Movimento Mudança sobre o assunto, e clique neste link para ler a "cartilha proibidona".

Compartilhem. Passem adiante. Não deixem que um assunto tão importante morra nos círculos de uma meia dúzia de cientistas e intelectuais, pois é algo mais do que pertinente para todos na nossa sociedade.

Histeria Suína

Está confirmado que 998 pessoas morreram por causa da gripe suína (vírus H1N1, influenza A, etc etc) no mundo inteiro. Enquanto isso, a epidemia de meningite que atinge desde janeiro deste ano APENAS PARTE da África sub-saariana já teve 931 mortes confirmadas.

Ontem à noite eu vi um jornal que entrevistou a mãe de uma menina gripada. Não, ela não tinha gripe suína, era uma gripe normal. O merda do jornalista somente entrevistou uma mulher histérica que não quer que a filha volte à escola porque tem medo que ela pegue uma gripe. Mas ela estava toda maquiada e com cara de que adorou aparecer na televisão, mesmo que por causa da sua filha com gripe.

Gripe. Você vai no médico, toma um remédio, descansa e pronto. Está novinho em folha. Gripe. Não é a peste bubônica.

Evitem a histeria. Como fazê-lo? Segue abaixo o meu guia anti-histeria:

1) Não use máscaras em locais públicos. As chances da máscara impedir que você contraia um vírus ou bactéria são muito baixas.

2) Não espalhe notícias sobre as mortes horríveis que estão acontecendo. Em sua maioria, são pessoas com estado de saúde frágil, baixa imunidade ou que se recusaram a buscar tratamento, as que morreram.

3) Não preste tanta atenção naquilo que os jornais dizem. A base do sensacionalismo é ter uma bela manchete para chamar a atenção e aumentar a audiência ou vendas.

4) Cuide da sua saúde. Alimente-se bem, tente ter hábitos razoavelmente saudáveis e compartilhe isso com o mundo.

Agora, correndo o risco de ser presunçoso e chato:

5) Preste atenção no mundo ao seu redor. Informe-se, não leia apenas aquilo que passam para você através de um feed ou tweet. Observe. Pense. Perceba os factóides que são empurrados em sua direção todos os dias, com o objetivo de esconderem coisas mais importantes, como o estado completo de vergonha e corrupção que cercam o "parlamento" Brasileiro ou as pessoas que morrem todo dia vítimas da violência e ineficiência do Estado.

6) Se por acaso você espirrar, tenha sua toalha à mão e NÃO ENTRE EM PÂNICO.

A intolerância do dia-a-dia

Algo mais sobre inclusão virtual. Por mero acaso hoje de manhã me interessei em pesquisar algumas coisas no orkut, partindo do perfil de um homem que estava tentando ajudar com algumas dúvidas numa comunidade sobre futebol. Coisa boba, simples. Mas o português do cara era simplesmente sofrível. Ao ver seu perfil, descobri que ele é um fundamentalista cristão, ou seja, um fanático religioso revestido de fobias para se defender de tudo aquilo que não compreende.

Enganamo-nos ao achar que os fundamentalistas são árabes raivosos que vivem quase do outro lado do mundo. Eles estão entre nós. Eles caminham lado a lado conosco, nas mesmas ruas, pegam os mesmos ônibus e conduções. Você olha para um fundamentalista e pode até achar que ele é uma pessoa normal, mas não - seu coração está cheio de ódio e intolerância, mesmo que não seja capaz de admitir isso. Ele tem teorias ridículas e nojentas, como a que diz que Rosacruzes buscam de aproximar de Lúcifer, que todos os muçulmanos são guiados pelo ódio e satanismo ou que Barack Obama é o anti-cristo. Esta última teoria, acredite se quiser, tem adeptos pelo mundo inteiro (que não são necessariamente Republicanos).

Uma mensagem para os intolerantes: não sou nem nunca fui religioso. Não acredito em religiões e creio que estas são o mecanismo de controle mais antigo utilizado pela humanidade. Mas se você é um fanático ou fundamentalista, fique sabendo que eu conheço segredos Maçônicos e Rosacruzes, inclusive o real significado de Baphomet. Para piorar ainda sou ferrenho defensor da teoria do Mito de Cristo, ou seja, que Jesus nunca existiu. Se você, fundamentalista ou fanático, ainda assim quiser torrar minha paciência, sugiro pensar duas vezes e talvez ignorar completamente a minha existência, assim como eu posso ignorar a sua. Se para piorar você realmente pensou duas vezes e ainda deseja me incomodar, te digo que minha única fé reside em mim mesmo, logo, assuntos de fé não podem ser discutidos; ninguém tem o direito de questionar a fé de terceiros, não é verdade?

Ouro ou pirita, você escolhe

Um dia você levanta e liga a TV. Aí vê deputados e senadores alardeando uma cruzada em prol da moral, da ética e da honestidade. Como eles fazem isso? Criando uma CPI. Na verdade, estes são os mesmos parlamentares que nas outras mil CPIs ao invés de atacarem, se defendem, protegem seus colegas. Ou são acusados. Mas todo mundo esquece das CPIs rapidinho, afinal, de contas, elas só são úteis para movimentar recursos e influência num determinado momento, a curto prazo, não?

Cansado da TV, chega a hora de ler o jornal. Mas qual jornal? Aquele mesmo folhetim de distribuição nacional que num dia luta pela liberdade de imprensa mas no dia seguinte omite todos os erros e falhas noticiadas com má fé pelos seus jornalistas? Um jornal tendencioso, omisso, covarde e que apenas serve para cumprir com os interesses de uma elite que na verdade nem tanta influência tem mais, afinal de contas, o povão prefere ler sobre a vida privada do Romário e saber se ele pagou ou não pagou a pensão alimentícia?

Aí você lembra que existe uma válvula de escape. Chama-se "social networking". Bonito, não? Orkut, Facebook, Twitter, Digg.it, MySpace, entre outros. Você decide se interar sobre o que seus amigos estão dizendo. Aí percebe que todo mundo num dia reclama ou louva certas coisas, e no outro está praticando exatamente o contrário daquilo.

Juro, eu entendo pessoas que mudem de opinião com rapidez. Já aconteceu comigo um milhão de vezes. Mas se há algo que eu abomino são psicoses maníaco-depressivas entrando na minha vida através de um leitor de feeds. Talvez seja por isso que estou cada vez mais desistindo de escrever crônicas e colocá-las aqui no meu site. Faço isso para quem? Eu mesmo? Para apenas minha mulher ler e mais uma meia dúzia de pessoas? Isso porque ainda existe a chance que daqui a alguns anos algum dos meus textos circule a internet sob a autoria do Luis Fernando Verissimo, mas sinceramente não quero que isso aconteça.

Tudo o que escrevo, seja uma crônica, uma piada, uma crítica, resenha, sátira ou farsa, o faço porque genuinamente gostaria que as pessoas lessem. Porém vivemos a época na qual uma opinião pode ser melhor exprimida mediante cento e quarenta caracteres (bem abreviados) ou um auto-retrato feito com câmera digital à frente do espelho. Vamos encarar a realidade: as pessoas nunca quiseram "a verdade nua e crua". Todas as personas que admiramos e amamos, construídas com suor árduo e criatividade ao longo de séculos estão sendo comprimidos e resumidos a poucas palavras e imagens de beleza efêmera.

Nunca mais teremos uma Betty Page, sensual, linda e provocante, porque sua mística se devia boa parte ao fato de que ela virou uma pessoa reclusa. Desapareceu das manchetes como um mágico em meio a fumaça artificial. Hoje em dia, Ms. Page seria rapidamente substituída por outra bimbo qualquer, muito menos interessante, mas disposta a aparecer. Sua imagem? Seria deturpada por uma série de adolescentes panacas, munidas de conjuntos de maquiagem e máquinas com megapixels contados já às dezenas.

Nunca mais teremos um Ernest Hemingway. Suas aventuras e indagações, o horror e alegrias pelos quais passou, hoje seriam tema de um blog com não mais do que cem ou duzentos seguidores fiéis. Seu suicídio seria acompanhado por milhares de mensagens e scraps no orkut, mas no dia seguinte, outro blogueiro mais interessante apareceria falando sobre as mesmas coisas, com menor intensidade. Este, porém, vivo.

Talvez John Lennon fosse a favor do download ilegal de músicas. Talvez fosse contra. Coco Chanel não criaria e renovaria tendências, apenas as seguiria? Lima Barreto ao invés de alcoólatra seria cocainômano e teria morrido de overdose e não se suicidado?

Eu quero escrever, quero tocar guitarra, quero aprender uma nova receita na cozinha, quero ir ao cinema com a minha esposa e quero conversar com uma saudosa amiga no bar. Quero também aos poucos me afastar de uma vida virtual, pois na Nova Califórnia da internet as ossadas dos mortos são transformadas em ouro com celeridade, o ouro perde o brilho da noite para o dia e as opiniões, idéias, imagens e conceitos não tem mais nenhum valor. Eis o niilismo desta maldita inclusão virtual.

Seremos nós a faxineira global?

Imaginem o seguinte esquema: um camarada monta uma empresa de "reciclagem" num certo país lá fora. Sabendo que as convenções internacionais exigem que cada país cuide do seu próprio lixo, é um bom negócio investir neste tipo de empresa para disposição de resíduos - você recolhe o lixo dos outros e ainda é pago por isso.

Claro, os Ministérios do Meio Ambiente por todo o mundo exigem que a sua empresa dê um destino ao lixo recolhido. Incineração, reciclagem, não interessa. Algo tem que ser feito. Então o "gênio" decide mandar todo o lixo para o Brasil, onde alguma pessoa previamente subornada o encaminha para algum lixão, desses que existem aos montes no país, normalmente ao céu aberto e próximo a comunidades carentes.

O mais engraçado de tudo é o camarada que abriu a empresa de "reciclagem" tentar jogar a culpa nos seus clientes (dizendo que são "fornecedores"), ou seja, as mesmas pessoas que pagaram para que ele desse um jeito no lixo. Sinceramente, que a beleza da mulher brasileira tenha fama mundial, isso já é conhecimento comum. Agora, além disso, nós sermos a faxineira gostosa que aceita tudo o que o patrão mandar, já está virando roteiro de um filme pornô de muito mau gosto.

Metallica vs. Megadeth

Acabei de ler uma resenha interessante (clique aqui para ler o link) do Dom Lawson (da revista Metal Hammer) para, na opinião dele, encerrar de uma vez por todas a velha dúvida sobre quem é melhor: Metallica ou Megadeth. Bem, li a versão traduzida pelo fã-clube brasileiro do Megadeth, então dá para perceber que a conclusão à qual o escritor chegou.

Meu trecho favorito é: "Dave Mustaine inventou o thrash. Não concordam. Uma pena. Dave Mustaine inventou o thrash." Vale a pena ler. Apesar de ser um texto muito longo, concordo com praticamente tudo o que é dito nele, o que só me deixa mais ansioso aguardando o disco novo do Megadeth.

"A opinião pública é volúvel"

Disse o excelentíssimo senador da República, o senhor Paulo Duque. "Não estou preocupado com isso (sobre os movimentos populares anti-Sarney). A opinião pública é muito volúvel. Ela flutua." Veja a matéria do Globo aqui, na íntegra.

Alguns devem se perguntar o que pensei quando li tais declarações. Ora, nada foi além do óbvio ululante: que há mais de 200 anos atrás a opinião pública foi capaz de mudar as cabeças dos poderosos e donos do poder de um país, pessoas parecidas com o Sr. Paulo Duque. A mudança em suas cabeças foi da posição "acima do pescoço" para "dentro da cesta, separada do resto do corpo".

Ou será que sou só eu que quando lê algo assim tem vontade de mandar instalar uma guilhotina na porta do Congresso Nacional?

Meu ídolo, Michael

O assunto mais batido do momento é com certeza o falecimento do Michael. Recentemente levei uma boa lição de uma amiga por fazer um julgamento prematuro demais da vida conturbada dele sem antes me informar melhor. No mesmo dia magoei um amigo que, não sabia, tinha Michael como seu maior ídolo. Desde então decidi que não faria mais piadas ambíguas e sarcásticas, nem reclamaria de toda a exposição oportunista que sua morte teve, muito menos das pessoas que de repente "lembraram" que gostavam dele. Mas hoje, no almoço, vi parte do seu funeral e não pude deixar de pensar em algumas coisas.

Sinto falta do outro Michael. Ele era um músico criativo, inovador e fiel aos seus princípios. Nunca se vendeu, sempre fez aquilo que amava e como era bom nisso! Sempre lutava com todas as forças do corpo. Tinha uma legião de fãs fiéis que o amavam, respeitavam e dão valor ao legado musical que deixou. Na verdade mais do que isso, Michael tinha uma crença ferrenha em seus princípios e ética pessoal, o que era realmente contagiante. Todos nós, seus fãs, acompanhamos com esperança sua luta contra o câncer no cérebro.

Outro Michael que inspira minha vida está longe de nós há algum tempo. Ele era muito talentoso e sensível, um virtuoso de rara estirpe e que se fez sozinho. Amado e apreciado por todos que o conheciam, posso dizer que ele é a razão principal para que hoje em dia eu tenha guitarras em casa. Sua genialidade e carreira brilhante foram violentamente interrompidas por um motorista bêbado.

O Michael do Primeiro parágrafo é Chuck Schuldiner (Charles Michael Schuldiner), guitarrista e cantor fundador do Death. O segundo Michael é Criss Oliva (Christopher Michael Oliva), guitarrista e membro fundador do Savatage. São dois músicos que tocaram minha vida de uma forma completamente singular, sendo o segundo postumamente. Eles ajudaram a dar forma com notas, melodias, harmonias e palavras, a coisas que eu só conseguia visualizar abstratamente.

Chuck Schuldiner perdeu a luta contra o câncer em 13 de Dezembro de 2001. Fiquei chocado com a notícia, foi horrível. Na época todos os fãs haviam se mobilizado para conseguir dinheiro para seu tratamento, seja com arrecadação de renda em eventos ou venda de pôsteres. Mas não deu certo. Criss Oliva foi arrancado de nós em 17 de Outubro de 1993, mesma data na qual em sua memória eu não bebo nada que seja alcóolico. Não que isso não seja difícil, mas na minha cabeça se um dia eu conseguir reunir bastante gente para fazer o mesmo em sua memória, já será um ato digno. Também é um dia para se divulgar com mais forças campanhas anti-consumo de álcool entre motoristas.

Os Michaels que são meus ídolos morreram quando estavam no auge de suas carreiras, em suas melhores formas. Criando, trabalhando, produzindo como nunca. Suas vidas foram ceifadas de forma drástica e nós, fãs, privados para sempre do privilégio de ao menos saber que eles estavam em seus lares, com suas famílias, prontos para nos trazerem mais alegrias com novos discos e turnês. Já sobre o Michael que voltou à moda e ao topo somente porque morreu, não tenho mais nada a dizer. Que todos descansem em paz.