A chuva caía forte na floresta próxima e Jack apenas observava, o coração repleto de desalento, pois tinha perdido o dia inteiro de trabalho. Para o jovem e honesto lenhador, somente restava uma breve visita à taverna do Urso Dançante, visto que a tempestade repentina encharcou toda a lenha que ele levara um dia inteiro cortando com esmero.
As vielas enlameadas do pequeno feudo, constantemente atormendado pela ameaça da guerra entre os grandes reinos do Norte e do Oeste, contribuiram para que a aparência se Jack se tornasse mais selvagem. O grande machado que carregava às costas, herança de seu falecido pai, um dia fora usado para cortar cabeças no campo de batalha, porém agora era uma ferramenta para o ganha-pão do esforçado lenhador.
"Jack meu rapaz, venha se secar perto do fogo!" exclamou o velho Willy, dono da taverna do Urso Dançante, quando viu o jovem molhado entrar no seu salão principal. Ele se sentou num banco de madeira próximo à lenha em brasa e bebeu com prazer a caneca de vinho quente que foi posta em suas mãos geladas. Willy era um bom homem e sabia agradecer os práticos serviços que Jack normalmente prestava para sua taverna, com o rústico conhecimento que possuía de marcenaria.
Ele olhou ao redor e viu a mesma escória de sempre que frequentava a taverna. Viajantes, aventureiros, soldados da fortuna e mercenários. Em suma, arruaceiros que de vez em quando bebiam mais do que deveriam e causavam problemas ao povo pacífico do vilarejo. Jack não se surpreendeu quando um senhor já de idade avançada, com longos cabelos brancos e uma saudável barriga grande e roliça apontando na sua direção, chamava-o com assobios curtos.
Por mera curiosidade, ele se levantou e foi ter com o velho, que estava sentado numa mesa pequena e acompanhado por três tipos estranhos. Um era tão magro quanto jovem, mas parecia ter saído da puberdade, e ficava brincando com uma adaga, passando-a entre os dedos. O outro vestia uma armadura pesada e portava no peito um símbolo sagrado que o marcava como clérigo da Sacra Ordem do Deus Misericordioso. Estranho, Jack pensava, como um Deus poderia ser tão bondoso e belicoso ao mesmo tempo. A terceira pessoa foi a que mais chamou sua atenção, pois era uma mulher muito bonita, com feições finas, delicadas e para sua surpresa, orelhas pontiagudas e um cabelos negro-esverdeado. Era uma elfa, uma criatura mágica pertencente a um povo muito antigo que raramente se aventurava para longe das entranhas mais profundas da floresta, lugar que nem Jack tinha coragem de se aproximar.
"Então meu bom jovem. Você parece ser forte e hábil com seu machado. Está interessado em ouvir uma proposta bastante lucrativa?" disse o velho enquando destrinchava um frango assado com os dedos engordurados. Jack fez que sim com a cabeça, tentando evitar que seus olhos se fixassem no decote do vestido da elfa por muito tempo.
"Estou reunindo um grupo de jovens aventureiros para buscar um tesouro nas montanhas do leste. Eu mesmo gostaria de ir, mas meus dias de invadir masmorras e labirintos subterrâneos ficaram há muito para trás. Tenho este mapa, que foi recuperado das mãos de um soldado inescrupuloso há poucos dias atrás, que mostra onde se encontra o tesouro perdido do Rei do Leste. Darei o mapa para vocês em troca de um décimo de tudo o que encontrarem. Os dois cavalheiros aqui e a linda senhorita já aceitaram, o que me diz?"
"Não, obrigado."
O velho manteve a expressão atônita por alguns instantes. "Acho que você não me entendeu. Gostaria de participar desta busca? Já temos um ladino ardiloso, um clérigo de admirável fé e uma habilidosa feiticeira do povo élfico. Só falta um guerreiro forte e capaz para liderar o grupo à glória. Você aceita a minha oferta?"
"Mais uma vez, não. Não, obrigado."
"Jovem rapaz, você me confunde. Não quer glória e fortuna? Ter todas as mulheres do mundo aos seus pés? Por acaso teria algo mais interessante para fazer neste pedaço de fim-de-mundo?"
"Amanhã vai parar de chover e tenho lenha para cortar. Adeus e boa sorte." Jack deus as costas para o pequeno grupo, todos o encarando com os olhos arregalados. Ele pensou, realmente tinha muito trabalho para fazer amanhã caso o sol abrisse. Se chovesse, tentaria terminar a mesa que prometera para sua mãe. E de noite entraria às encondidas nas terras do fazendeiro Jesse para encontrar-se com sua bela filha Rosie no celeiro. Aliás, era isso que ele pretendia fazer todas as noites pelas próximas duas luas e nada mais ocupava seus pensamentos que não fosse a pacata, honesta e prazerosa vida que ele tinha ali, naquele fim-de-mundo.
As vielas enlameadas do pequeno feudo, constantemente atormendado pela ameaça da guerra entre os grandes reinos do Norte e do Oeste, contribuiram para que a aparência se Jack se tornasse mais selvagem. O grande machado que carregava às costas, herança de seu falecido pai, um dia fora usado para cortar cabeças no campo de batalha, porém agora era uma ferramenta para o ganha-pão do esforçado lenhador.
"Jack meu rapaz, venha se secar perto do fogo!" exclamou o velho Willy, dono da taverna do Urso Dançante, quando viu o jovem molhado entrar no seu salão principal. Ele se sentou num banco de madeira próximo à lenha em brasa e bebeu com prazer a caneca de vinho quente que foi posta em suas mãos geladas. Willy era um bom homem e sabia agradecer os práticos serviços que Jack normalmente prestava para sua taverna, com o rústico conhecimento que possuía de marcenaria.
Ele olhou ao redor e viu a mesma escória de sempre que frequentava a taverna. Viajantes, aventureiros, soldados da fortuna e mercenários. Em suma, arruaceiros que de vez em quando bebiam mais do que deveriam e causavam problemas ao povo pacífico do vilarejo. Jack não se surpreendeu quando um senhor já de idade avançada, com longos cabelos brancos e uma saudável barriga grande e roliça apontando na sua direção, chamava-o com assobios curtos.
Por mera curiosidade, ele se levantou e foi ter com o velho, que estava sentado numa mesa pequena e acompanhado por três tipos estranhos. Um era tão magro quanto jovem, mas parecia ter saído da puberdade, e ficava brincando com uma adaga, passando-a entre os dedos. O outro vestia uma armadura pesada e portava no peito um símbolo sagrado que o marcava como clérigo da Sacra Ordem do Deus Misericordioso. Estranho, Jack pensava, como um Deus poderia ser tão bondoso e belicoso ao mesmo tempo. A terceira pessoa foi a que mais chamou sua atenção, pois era uma mulher muito bonita, com feições finas, delicadas e para sua surpresa, orelhas pontiagudas e um cabelos negro-esverdeado. Era uma elfa, uma criatura mágica pertencente a um povo muito antigo que raramente se aventurava para longe das entranhas mais profundas da floresta, lugar que nem Jack tinha coragem de se aproximar.
"Então meu bom jovem. Você parece ser forte e hábil com seu machado. Está interessado em ouvir uma proposta bastante lucrativa?" disse o velho enquando destrinchava um frango assado com os dedos engordurados. Jack fez que sim com a cabeça, tentando evitar que seus olhos se fixassem no decote do vestido da elfa por muito tempo.
"Estou reunindo um grupo de jovens aventureiros para buscar um tesouro nas montanhas do leste. Eu mesmo gostaria de ir, mas meus dias de invadir masmorras e labirintos subterrâneos ficaram há muito para trás. Tenho este mapa, que foi recuperado das mãos de um soldado inescrupuloso há poucos dias atrás, que mostra onde se encontra o tesouro perdido do Rei do Leste. Darei o mapa para vocês em troca de um décimo de tudo o que encontrarem. Os dois cavalheiros aqui e a linda senhorita já aceitaram, o que me diz?"
"Não, obrigado."
O velho manteve a expressão atônita por alguns instantes. "Acho que você não me entendeu. Gostaria de participar desta busca? Já temos um ladino ardiloso, um clérigo de admirável fé e uma habilidosa feiticeira do povo élfico. Só falta um guerreiro forte e capaz para liderar o grupo à glória. Você aceita a minha oferta?"
"Mais uma vez, não. Não, obrigado."
"Jovem rapaz, você me confunde. Não quer glória e fortuna? Ter todas as mulheres do mundo aos seus pés? Por acaso teria algo mais interessante para fazer neste pedaço de fim-de-mundo?"
"Amanhã vai parar de chover e tenho lenha para cortar. Adeus e boa sorte." Jack deus as costas para o pequeno grupo, todos o encarando com os olhos arregalados. Ele pensou, realmente tinha muito trabalho para fazer amanhã caso o sol abrisse. Se chovesse, tentaria terminar a mesa que prometera para sua mãe. E de noite entraria às encondidas nas terras do fazendeiro Jesse para encontrar-se com sua bela filha Rosie no celeiro. Aliás, era isso que ele pretendia fazer todas as noites pelas próximas duas luas e nada mais ocupava seus pensamentos que não fosse a pacata, honesta e prazerosa vida que ele tinha ali, naquele fim-de-mundo.
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