Resenhas Musicais - Inauguração!

Decidi postar aqui minhas brevíssimas resenhas dos discos que escuto. Não é nada muito complicado, nem vou fazer profundas análises musicais ou um "faixa-por-faixa" - simplesmente, como o título diz, a resenha é uma "impressão musical". O feeling que o disco me passa, o tipo de música que ele contém, a qualidade geral da gravação e das composições. À frente do título do álbum, vou utilizar uma classificação geral que varia conforme abaixo:

= Nem se dê ao trabalho de ouvir.
= Fraco, poderia ter sido melhor.
= Razoável, não fede nem cheira.
= Bom disco, vale a pena comprar.
= Ouça. Agora. Você não sabe o que está perdendo.

Começo com cinco petardos de uma vez só, os lançamentos mais dignos de nota deste ano:




- Black Ice (AC/DC) [2008]

Está aí um disco digno de nota. O AC/DC surgiu das trevas de várias décadas de acomodação e conforto, escrevendo ocasionais músicas interessantes, porém nada com o mesmo ímpeto roqueiro da década de 70. "Black Ice" é uma lição de rock'n'roll para esta imensidão de bandas novas que "acham" saberem tudo sobre música. O disco é excelente do início ao fim, e o melhor: AC/DC style. Eles não fogem da antiga fórmula que consagrou a banda e talvez seja isto que deu um toque especial à gravação: o retorno às raízes, sem frescuras modistas. Obrigatório ouvir este disco e aproveitar pois está sendo vendido por um preço bastante acessível em todas as lojas do país. 28 anos após "Back in Black", o AC/DC prova que é capaz de voltar em grande estilo.









- The Formation of Damnation (Testament) [2008]

O quê dizer sobre o Testament? Eles sempre foram uma das melhoras bandas de thrash metal do mundo e com certeza uma das minhas favoritas. Este é o primeiro disco com o retorno da formação "clássica" (com Chuck Billy, Eric Peterson, Alex Skolnick e Greg Christian, porém sem Louis Clemente devido à sua enfermidade). O álbum é um petardo que equilibra com perfeição peso e melodia, no melhor estilo do início do Testament - porém os músicos estão mais maduros e experientes. A banda mostra que está mais viva e enérgica do que nunca, com todos os músicos apresentando performances magistrais e o melhor de tudo - vontade para continuar os trabalhos. Sim, o Testament voltou pra valer, na minha opinião, a melhor banda de thrash metal da atualidade.









- Global Warning (Jon Oliva's Pain) [2008]

Quem me conhece, sabe que sou um grande fã do Savatage. Daquele tipo de fã que tem todos os CDs, vai em todos os shows, etc etc. O Jon Oliva's Pain, conforme anunciado pelo próprio, é a banda que continua com o legado do Savatage, colocado no freezer por tempo indeterminado. O que temos neste disco vai além da música do Savatage - Jon Oliva conseguiu evoluir sua música para algo mais grandioso. Ainda usando riffs e licks recém-descobertos do seu irmão Criss, ele eleva sua música à capacidade de equilibrar momentos de forte vigor e rispidez com melodias e baladas suaves. Parece-me que todo o trabalho dos dois discos anteriores do JOP estava destinado a culminar nesta excelente gravação, que comprova algo que eu já sabia há tempos: o Sr. Jonathan Nicholas Oliva é um gênio - infelizmente, sem o devido reconhecimento.









- Death Magnetic (Metallica) [2008]

Havia muita expectativa em torno do lançamento do "Death Magnetic", especialmente após o fiasco total que foi o "St. Anger". Graças a todo o pessimismo dos fãs no mundo inteiro, o Metallica nos surpreende com o melhor lançamento da banda desde o multi-platinado "Black Album". Obviamente o disco não está no mesmo nível que os maiores clássicos da banda, mas pelo menos eles mostraram que estão dispostos a fazer boa música novamente. Riffs poderosos de guitarra, ricas linhas de baixo, vocais precisos, composições cativantes e pasmem: solos. O Metallica está jogando na nossa cara que eles ainda tem gás e coisas boas para oferecer. Eu digo: vamos pagar pra ver.









- Chinese Democracy (Guns N'Roses) [2008]

"Chinese Democracy" talvez seja o disco de rock mais aguardado dos últimos quinze anos. Eu mesmo estava bastante curioso para ouví-lo, pois gosto muito do Guns. Após isso, cheguei a uma conclusão: o Muse flerta com a música eletrônica. O Nine Inch Nails e o Ministry consagraram um casamento maravilhoso e sólido com a música eletrônica. O Rammstein pratica S&M consensual com a música eletrônica. O Guns N' Roses teve uma foda mal dada com a música eletrônica, daquelas que você não liga de volta dois dias depois e ainda tem vergonha de contar para os amigos.

Onde o Axl Rose está com a cabeça? Lançou o disco apenas "por lançar", ou por pressão da gravadora? Será que ele fez isso para provar que podia lançar seu disco no mesmo ano que tantas bandas voltaram a fazer música boa? Uma aviso para ele: seria até possível, mas para isso acontecer, ele precisa antes fazer músicas boas. Espero com toda sinceridade que o "Chinese Democracy" seja o "St. Anger" do Guns N' Roses, e que daqui a alguns anos todos possamos ouvir um bom lançamento deles. Mas do jeito que a coisa anda, com os principais compositores da banda liderando o Velvet Revolver, acho muito improvável. Meu conselho é gratuito: nem se dê ao trabalho de escutar o "Chinese Democracy", e se você respeita o legado de uma das maiores bandas de hard rock de todos os tempos, jamais ouça esta porcaria, pois ela se iguala a toda a mediocridade do cenário musical atual.