27.11.08

Resenhas Musicais - Inauguração!

Decidi postar aqui minhas brevíssimas resenhas dos discos que escuto. Não é nada muito complicado, nem vou fazer profundas análises musicais ou um "faixa-por-faixa" - simplesmente, como o título diz, a resenha é uma "impressão musical". O feeling que o disco me passa, o tipo de música que ele contém, a qualidade geral da gravação e das composições. À frente do título do álbum, vou utilizar uma classificação geral que varia conforme abaixo:

= Nem se dê ao trabalho de ouvir.
= Fraco, poderia ter sido melhor.
= Razoável, não fede nem cheira.
= Bom disco, vale a pena comprar.
= Ouça. Agora. Você não sabe o que está perdendo.

Começo com cinco petardos de uma vez só, os lançamentos mais dignos de nota deste ano:




- Black Ice (AC/DC) [2008]

Está aí um disco digno de nota. O AC/DC surgiu das trevas de várias décadas de acomodação e conforto, escrevendo ocasionais músicas interessantes, porém nada com o mesmo ímpeto roqueiro da década de 70. "Black Ice" é uma lição de rock'n'roll para esta imensidão de bandas novas que "acham" saberem tudo sobre música. O disco é excelente do início ao fim, e o melhor: AC/DC style. Eles não fogem da antiga fórmula que consagrou a banda e talvez seja isto que deu um toque especial à gravação: o retorno às raízes, sem frescuras modistas. Obrigatório ouvir este disco e aproveitar pois está sendo vendido por um preço bastante acessível em todas as lojas do país. 28 anos após "Back in Black", o AC/DC prova que é capaz de voltar em grande estilo.









- The Formation of Damnation (Testament) [2008]

O quê dizer sobre o Testament? Eles sempre foram uma das melhoras bandas de thrash metal do mundo e com certeza uma das minhas favoritas. Este é o primeiro disco com o retorno da formação "clássica" (com Chuck Billy, Eric Peterson, Alex Skolnick e Greg Christian, porém sem Louis Clemente devido à sua enfermidade). O álbum é um petardo que equilibra com perfeição peso e melodia, no melhor estilo do início do Testament - porém os músicos estão mais maduros e experientes. A banda mostra que está mais viva e enérgica do que nunca, com todos os músicos apresentando performances magistrais e o melhor de tudo - vontade para continuar os trabalhos. Sim, o Testament voltou pra valer, na minha opinião, a melhor banda de thrash metal da atualidade.









- Global Warning (Jon Oliva's Pain) [2008]

Quem me conhece, sabe que sou um grande fã do Savatage. Daquele tipo de fã que tem todos os CDs, vai em todos os shows, etc etc. O Jon Oliva's Pain, conforme anunciado pelo próprio, é a banda que continua com o legado do Savatage, colocado no freezer por tempo indeterminado. O que temos neste disco vai além da música do Savatage - Jon Oliva conseguiu evoluir sua música para algo mais grandioso. Ainda usando riffs e licks recém-descobertos do seu irmão Criss, ele eleva sua música à capacidade de equilibrar momentos de forte vigor e rispidez com melodias e baladas suaves. Parece-me que todo o trabalho dos dois discos anteriores do JOP estava destinado a culminar nesta excelente gravação, que comprova algo que eu já sabia há tempos: o Sr. Jonathan Nicholas Oliva é um gênio - infelizmente, sem o devido reconhecimento.









- Death Magnetic (Metallica) [2008]

Havia muita expectativa em torno do lançamento do "Death Magnetic", especialmente após o fiasco total que foi o "St. Anger". Graças a todo o pessimismo dos fãs no mundo inteiro, o Metallica nos surpreende com o melhor lançamento da banda desde o multi-platinado "Black Album". Obviamente o disco não está no mesmo nível que os maiores clássicos da banda, mas pelo menos eles mostraram que estão dispostos a fazer boa música novamente. Riffs poderosos de guitarra, ricas linhas de baixo, vocais precisos, composições cativantes e pasmem: solos. O Metallica está jogando na nossa cara que eles ainda tem gás e coisas boas para oferecer. Eu digo: vamos pagar pra ver.









- Chinese Democracy (Guns N'Roses) [2008]

"Chinese Democracy" talvez seja o disco de rock mais aguardado dos últimos quinze anos. Eu mesmo estava bastante curioso para ouví-lo, pois gosto muito do Guns. Após isso, cheguei a uma conclusão: o Muse flerta com a música eletrônica. O Nine Inch Nails e o Ministry consagraram um casamento maravilhoso e sólido com a música eletrônica. O Rammstein pratica S&M consensual com a música eletrônica. O Guns N' Roses teve uma foda mal dada com a música eletrônica, daquelas que você não liga de volta dois dias depois e ainda tem vergonha de contar para os amigos.

Onde o Axl Rose está com a cabeça? Lançou o disco apenas "por lançar", ou por pressão da gravadora? Será que ele fez isso para provar que podia lançar seu disco no mesmo ano que tantas bandas voltaram a fazer música boa? Uma aviso para ele: seria até possível, mas para isso acontecer, ele precisa antes fazer músicas boas. Espero com toda sinceridade que o "Chinese Democracy" seja o "St. Anger" do Guns N' Roses, e que daqui a alguns anos todos possamos ouvir um bom lançamento deles. Mas do jeito que a coisa anda, com os principais compositores da banda liderando o Velvet Revolver, acho muito improvável. Meu conselho é gratuito: nem se dê ao trabalho de escutar o "Chinese Democracy", e se você respeita o legado de uma das maiores bandas de hard rock de todos os tempos, jamais ouça esta porcaria, pois ela se iguala a toda a mediocridade do cenário musical atual.



17.7.08

Um dia para ser lembrado...

Conquistamos nosso primeiro Darwin Award! Foi não apenas a votação mais expressiva já registrada por Darwin (33981 votos), mas também a maior nota de todos os tempos (9,6). Agora que já temos o maior, melhor e mais incrível prêmio Darwin de todos os tempos, só nos falta... Ehr... Todo o resto.

http://www.darwinawards.com/darwin/darwin2008-16.html

Balloon Priest
2008 Darwin Award Nominee
Confirmed True by Darwin

(20 April 2008, Atlantic Ocean, Brazil) In 1982 Lawn Chair Larry, beloved survivor of a Darwin Award attempt, attached 45 huge helium balloons to his comfortable Sears lawn chair, packed a picnic lunch, and cut the tether. But instead of drifting lazily above the Los Angeles landscape, the combined lift of 45 weather balloons rocketed Larry into LAX air traffic lanes 16,000 feet above sea level. Astoundingly, he survived the "flight."

In homage to Larry's whimsical adventure, a Catholic priest recently ascended towards heaven on a host of helium party balloons. Adelir Antonio de Carli, 41, was attempting to set the world record for clustered balloon flight to publicize his plan to build a spiritual rest stop for truckers.

Spending more than 19 hours in a lawn chair is not a trivial matter, even in the comfort of your own backyard. The priest took numerous safety precautions, including wearing a survival suit, selecting a buoyant chair, and packing a satellite phone and a GPS. However, the late Adelir Antonio made a fatal mistake.

He did not know how to use the GPS.

The winds changed, as winds do, and he was blown inexorably toward open sea. He could have parachuted to safety while over land, but chose not to. When the voyager was perilously lost at sea, he prudently phoned for help. But rescuers were unable to reach him since he could not use his GPS! HE struggled with the control panel as the charge on the satellite phone dwindled.

Instead of a GPS, the priest let God be his guide, and God guided him straight to heaven. Bits of balloons began appearing on mountains and beaches. Ultimately the priest's body surfaced, confirming that he, like Elvis, had left the building.

The kicker? It's a Double Darwin. Catholic priests take vows of celibacy. Since they voluntarily remove themselves from the gene pool, the entire group earns a mass Darwin Award. Adelir Antonio wins twice over!

4.6.08

Vintage: A Festa do Povinho (em suma, voltei!)

Olá pessoal. Pouca gente está sabendo, mas após cerca de 7 anos morando longe de "casa", voltei para o Rio de Janeiro / Niterói. Decidi comemorar este fato tão feliz numa festa de arromba! Vejam os detalhes no texto abaixo - espero todo mundo lá, para celebrar este momento único para mim.

Nos vemos na Vintage: A Festa do Povinho! :D

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Vintage
A Festa do Povinho

Venha para uma noite de curtição e muita música boa com a festa Vintage: A Festa do Povinho.

O melhor da música, dos anos 60/70/80/90, nas mãos de DJs que vão agitar a pista com muito rock, pop e dance:

Bart Rabelo
Bonham
Crang
Duim
Flavio Cobain
KK Leporace
Lulu
Windblow

Os 30 primeiros a chegarem na festa ganharão um CD com as músicas favoritas dos DJs. Não perca!

Serviço:

Vintage - A Festa do Povinho

Data: 20/Junho (sexta-feira)
Horário: a partir das 23:00 hrs
Local: Espaço Marun
Endereço: Rua do Catete, 124 (Próximo à saída do metrô)

R$ 10 reais (entrada até a meia-noite)
R$ 12 reais (após meia-noite, com nome na lista ou com flyer)
R$ 15 reais (após meia-noite, sem flyer)

Inscrição na lista de desconto: envie um e-mail para bartrabelo@gmail.com com seu nome/sobrenome e de seus amigos.

Link para imprimir o flyer: http://www.vintage.bartrabelo.com

Informações sobre a festa: (21) 8675-1795 [Bart] / bartrabelo@gmail.com
Informações sobre o local: (21) 2558-3431 / 2225-7951

Comunidade no orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=55679213

4.4.08

Black Label Society + Ozzy Osbourne

Gosto de fazer como Jack o Estripador e ir por partes, ou seja, tópicos.

Local:
Apesar do fato de ser longe do resto da civilização, as instalações da Rio Arena (agora HSBC Arena) são boas. A disposição do palco com relação à pista e à arquibancada parecia dar um bom ângulo de visão para todos os presentes. O grande problema é que a pista só tem um nível (não tem degraus como o Credicard Hall, o Canecão e a Fundição Progresso), então mesmo as pessoas de menor estatura que ficam nela não conseguem ver o show direito, independente de ondem estejam - perto ou longe do palco. A segurança poderia ser sido um pouco mais rígida, e o estoque de refrigerantes e água acabou rápido demais.

Caravana:
Peguei uma caravana saindo de Niterói, organizada pela Sra. Solange. Apesar o ônibus luxuoso e confortável, e absoluta falta de organização e respeito da organização desta caravana fizeram com que eu perdesse metade do show da Black Label Society, a principal razão para eu e minha mulher comprarmos nossos ingressos do Festival. Para piorar, após o final do evento, o ônibus ficou dando voltas e mais voltas, somente chegando em Niterói às 3:10 hrs da madrugada. Péssimo para quem trabalharia no dia seguinte, precisando acordar às 06:00 hrs, impreterivelmente. Todavia, escrevo este relatório durante meu horário de almoço. Não há sono que uma caneca gigante de café não cure. Para os desavisados, sugiro que jamais peguem uma caravana organizada por este grupo. Foi minha primeira viagem com eles e também a última - pelos comentários no ônibus de madrugada, eles perderam uma grande quantidade de clientes, numa patuscada só. Deprimente.

Black Label Society:
O Sr. Zakk Wylde sabe muito bem o que faz quando sobe no palco, assim como sua banda. Todos eles tem uma ótima presença e tocam com exímio profissionalismo, interagindo com os fãs, agitando e exibindo técnica, com bastante equilíbrio entre todos os quesitos já mencionados. Foi realmente uma pena o show ter sido tão curto, tão pequeno - praticamente um pocket show - pois a Black Label Society era há muito aguardada pelos seus fervorosos fãs, que ficam insatisfeitos com a programação. Tantos anos de espera, para assistir algo que apenas deu um "gostinho", mas não serviu sequer como entrada.

Korn:
Se o prato principal da noite seria o show do Ozzy, o Korn foi o responsável pela entrada. Já disse diversas vezes que eu não gosto do Korn, nunca gostei, mas assistiria o show deles com o coração aberto. O resultado? Fiquei sentado com a minha mulher e um amigo, irritado com a música deles e a longa duração do show. A produção do evento poderia, ou deveria, ter estendido o show da Black Label Society, e reduzido um pouco o do Korn. Não digo que odeio a banda, pois "ódio" é um conceito muito forte e perigoso, mas com certeza desprezo a música deles com mais afinco desde ontem. Para piorar, o Korn com seu som estridente e irritante conseguiu estourar as caixas de agudos e os retornos do palco, tornando a vida da próxima banda muito difícil.

Ozzy:
Ele realmente é o Madman. Mesmo com a idade avançada, a deterioração da saúde pelos problemas passados com drogas, álcool e toda a ridicularização de sua imagem na mídia ao longo da última década, Ozzy é um gigante no palco. A banda de suporte também é excepcional, pois Zakk Wylde, Rob Blasko e Mike Bordin dispensam apresentações. Adam Wakeman foi uma grata surpresa, como já era de se esperar (uma questão de dinastia). A banda enfrentou graves problemas, pois em especial o Zakk não tinha retorno algum do som da sua guitarra, o que o obrigou a passar bastante tempo de costas para a platéia, grudado na parede de caixas Marshall. Ok, todo mundo dirá que seu solo foi uma chatice sem tamanho, e eu concordo. Usou padrões bem simples, não inovou, não surpreendeu, demorou demais. Mas quem ouviu sua guitarra ao longo do show inteiro não pode criticá-lo, foi impecável. Já o Ozzy... Bem, todo mundo já ouviu boatos de que ele canta com um playback dos vocais "por baixo", mas ontem de noite isso foi totalmente escancarado. Em vários trechos, especialmente durante "Mr. Crowley", os vocais do Madman ficaram sobrepostos, criando um "eco" estranho e fora de compasso.

Melhor momento:
Ozzy estava visivelmente empolgado com a platéia, mais até do que o normal. Ele não é ator, dava para ver a felicidade estampada na cara do roqueiro quase sexagenário, de encontrar um público tão disposto e empolgado para reagir a cada um de seus movimentos. Então ele decidiu mudar o roteiro e tocar "No More Tears". Quem vem acompanhando esta turnê do Ozzy, sabe que ele não tem tocado este clássico, e isso tanto é verdade que antes de começar a música a produção levou um bom tempo para achar o efeito de video correto a ser usado no telão (e provavelmente o backtrack para os vocais do Ozzy). Foi perfeito.

Pior momento:
No final do show, imediatamente antes de tocar o solo de Paranoid, o Zakk Wylde jogou sua guitarra (ver foto acima) para a platéia, como é tradicional nas apresentações do fiel escudeiro berserker. Na hora da platéia devolver a guitarra, isso não aconteceu. Então ele desceu do palco para pedir a guitarra de volta, e isso não aconteceu. Eis que o Zakk resolve partir pra porrada, para tentar reaver a guitarra. Os seguranças da HSBC Arena e da banda agiram o mais rápido possível, e conseguiram recuperar a guitarra, destruída e com o headstock partido. Então Zakk, puto da vida, pega a guitarra quebrada e a joga no chão, com violência. Só posso definir meu sentimento como a mais pura e insólita vergonha. Brasileiro não sabe se comportar em público, isto é fato. Ainda tive que ouvir comentários de cretinos me dizendo coisas como "essas guitarras não fazem falta, ele tem várias", "essas daí ele ganha de graça", ou o pior, "ele foi burro de achar que negozinho devolveria a guitarra". Não, o Zakk não foi burro, ele tentou interagir com o público, como faz em todos os lugares nos quais toca. Aqui no Brasil, graças a um grupo de retardados que pararam num estágio inferior ao do Homo Sapiens na cadeia de evolução, ele nunca mais tocará com o mesmo gosto e desenvoltura que ontem pudemos observar na HSBC Arena até o momento do incidente. Citando Bóris Casoy, isso é uma VERGONHA.

Saldo da noite:
Não valeu a pena pagar R$ 180,00 mais R$ 36,00 de taxa de conveniência para ver um show minúsculo da Black Label Society, aturar mais de uma hora de Korn, e ainda ver meus irmãos brasileiros se prestando a um papel tão ridículo e vergonhoso. Foi caro demais, e não consigo ter aquele sentimento de satisfação e felicidade típicos que se tem após assistir um show de uma banda da qual sou grande fã. Foi estranho e triste, simplesmente isso.