28.6.05

Carta para os Incríveis

Algumas comunidades no Orkut são moderadas, e eu já tinha sido convidado para a de vocês. Não gostaria que pensassem que entrei nela apenas para incitar brigas e desavenças. Sequer conheço a todos pessoalmente, apenas um ou outro caso isolado, pois devem saber, não frequento a "festa" desde Outubro de 2004. Mas ainda tenho amigos lá dentro. Bons amigos. Assim como desafetos. Mas não é disso que venho falar, afinal de contas, quem se interessa pelo meu círculo de amizades?

O que realmente lhes interessa é conhecer um pouco da história de festas que vem marcando a noite das maiores cidades deste país, São Paulo e Rio de Janeiro. Mas coloquei a velha e boa Sampa em primeiro lugar, mesmo sendo carioca da gema... Há algo de errado comigo? será que estou "apaulistando"?

Em janeiro de 1998, o Projeto Autobahn deixa a exclusividade das ondas de rádios paulistas e passa a ser também uma festa, virando programa assíduo dos fãs de boa música dos anos 80. Essa foi a primeira festa do tipo no Brasil, e também a primeira a estourar na mídia. Alguns anos depois, em setembro de 2001, uma festa similar estréia em Porto Alegre, a Balonê.

Em maio de 2002, estréia na capital paulista a primeira festa especializada em tocar o melhor e o pior do repertório oitentista no Brasil, a Trash 80's. Em menos de um ano, a popularidade da festa alcançou o paraíso, eles já contavam com uma equipe de cerca de 5 DJ's, e ajudaram a espalhar a moda dos anos 80 pelo país. Um dos maiores motivos para o sucesso da festa era a presença contínua de seus frequentadores assíduos e fanáticos, auto-intitulados "Trashers".

Ora pipocas. Nós, do Rio, não podíamos ficar atrás dessa! Afinal de contas, tudo o que é moda nós gostamos, abraçamos e tratamos com carinho, não é verdade? Em Outubro de 2003 estréia a festa Beat Acelerado, a primeira festa de música dos anos 80 do Rio de Janeiro. E fique ligado, pois tem mais!

Poucos meses depois, em Janeiro de 2004, é criada a festa Ploc 80's, nos mesmos moldes da sua prima distante em São Paulo, a Trash 80's (notaram a similaridade dos nomes? Pois é). Ela teve um início bastante claudicante, com pouco público e muitas dificuldades, mas por volta de Julho de 2004 começou a estourar nas paradas de sucesso do Rio de Janeiro, tornando-se um ponto da moda e programa obrigatório na cidade desde então.

É claro que ao longo do primeiro semestre de 2004 a "festa" reuniu um grupo de frequentadores assíduos (acho que já escrevi isso hoje), que se tornaram grandes entusiastas da mesma. Tentaram se auto-intitular "Plockers", mas viram que isso soava ridículo demais (e plágio barato dos originais "Trashers"). Naturalmente, tornou-se comum chamar as pessoas que estavam sempre na festa de "habituers" (isso é francês gente, plural - sing. masc. "habitué", sing. fem. "habituée"). Também criou-se o termo "ploqueiros", mas nada foi tão forte quanto os "habituers". Eles subiam no palco e dançavam com férrea empolgação a noite inteira, faziam ampla propagando boca-a-boca da "festa", e simplesmente estavam lá, semana após semana, orgulhosamente ostentando um status de quem se sente especial.

Então surgiram os problemas.

Não pretendo (e nem vou) explicar quais foram os problemas, pois não tenho provas suficientes que me defenderiam num eventual processo por perjúrio. Mas foram graves, isso eu posso dizer. Eventos que me deixam enojado, com sua simples lembrança. Hoje, os "ex-habituers" estão levando suas vidas normalmente... Estudando, trabalhando, indo a festas, dançando, namorando, bebendo, transando, discotecando, vendo filmes, promovendo festas, se divertindo. Alguns ainda vão à "festa", eventualmente. Mas o que importa, é que todos continuam juntos, sendo amigos acima de tudo, sem precisarem de uma festa estúpida para se reunirem. Tudo o que eles passaram apenas serviu para que ficassem mais unidos e firmes em sua amizade.

Abram seus olhos. Dar-lhes-ei um conselho precioso, quem for sábio o guardará por toda a vida: pensem antes de agir. Parem. Reflitam. Tentem entender o que acontece no seu meio. Se a amizade que une "os Incríveis" for tão forte quanto aquela existente entre os "ex-Habituers", eu fico muito feliz por vocês. Mas não aceitem tudo passivamente, prestem atenção naquilo que lhes falam! Finalizo minha carta citando Mark Twain: "a história da nossa raça, e a experiência de cada indivíduo, são fortemente semeadas com a evidência de que uma verdade não é difícil de se matar, e uma mentira bem contada é imortal."

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